Empréstimo consignado lidera lista de reclamaçoes do Procon da ALMG em 2025
Queixas referentes a cobranças indevidas ou abusivas foram os principais problemas relatados pelos consumidores, representando 40% do total
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Dois produtos ligados ao crédito bancário estão entre os segmentos que registraram mais reclamações no Procon da Assembleia Legislativa de Minas Gerais em 2025. Ao longo do último ano, o serviço de defesa do consumidor registrou 2.827 reclamações. As queixas referentes a cobranças indevidas ou abusivas foram os principais problemas relatados pelos consumidores, representando 40% do total.
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O empréstimo consignado encabeça a lista, com 206 contestações (7,29% do total) - se somar às queixas referentes ao empréstimo pessoal, esse índice sobe para 11,15% - seguido pelo cartão de crédito, com 194 queixas (6,86%). De acordo com Marcelo Barbosa, coordenador do Procon, esses dois segmentos têm relação com o alto endividamento, ocasionado pela falta de educação financeira e planejamento por parte dos consumidores.
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“As reclamações ligadas ao consignado e ao cartão de crédito têm relação com o superendividamento, e o consumidor vem para negociar a dívida. No consignado, ainda existe a questão do crédito não autorizado, que é um golpe, uma fraude, e precisamos pedir ao banco uma comprovação. No cartão de crédito temos, também em menor escala, as cobranças indevidas”, explicou.
Na terceira colocação estão as associações de aposentados, com 145 reclamações (5,13%). No ano passado veio à tona no escândalo dos descontos indevidos junto a beneficiários do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). “Esse tipo de reclamação estourou em 2023 e 2024. Em 2025, houve uma diminuição, e agora quase zerou, já que a grande maioria do processo de devolução é feita pelo aplicativo do INSS. Nós orientamos o consumidor a observar o extrato do INSS, verificar se tem algum desconto não autorizado”, disse Marcelo.
Em seguida, na lista dos segmentos que reuniram mais reclamações no Procon em 2025, estão os eletrodomésticos e eletroeletrônicos, com 125 queixas (4,42%). O coordenador explica que as contestações por defeito representam um percentual pequeno desse segmento. As principais queixas são o atraso ou a não entrega dos produtos, seguido pela cobrança indevida de seguro embutido.
Os combos ligados à telefonia fecham a lista do Procon, com reclamações ligadas aos pacotes contratados, cobrança indevida e descumprimento de oferta. Menos da metade das queixas têm relação com a qualidade da prestação do serviço. Marcelo observou que, desde a pandemia, as telecomunicações têm apresentado menos registros.
Entre as empresas com maior número de contestações, destaque para as de telefonia: Claro, com 93 queixas (3,1%); e Vivo, 88 reclamações (2,9%). “Elas lideram porque, entre as empresas de telefonia, têm maior base de clientes. Mas, se somar as reclamações sobre todos os bancos, eles superam as da telefonia. Não por acaso, na quarta e quinta colocação dessa lista estão, respectivamente, o Banco BMG (com 81 queixas, 2,7% do total) e a Caixa Econômica Federal (com 75 reclamações, 2,5%).
Já a terceira colocação ficou com a Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa), que reuniu 85 contestações (2,8%). “Esses serviços públicos regulados, como água e luz, sempre registraram muitas reclamações. No caso da Copasa, as queixas vêm principalmente devido a valores altos na conta, ocasionados por erro de leitura, impossibilidade de leitura ou vazamento”, listou.
O levantamento do Procon também identificou aumento no número de cidadãos, principalmente idosos, que procuraram pelo órgão para denunciar golpes financeiros. Por meio de ligações telefônicas, mensagens de SMS ou Whatsapp os golpistas se passam por funcionários de instituições financeiras para conseguirem informações pessoais das vítimas e, assim, provocarem desfalques em suas contas bancárias. Neste caso, os cidadãos são encaminhados diretamente à Delegacia de Polícia de Defesa do Consumidor para a devida investigação criminal.