"Uma questão de química" mostra a conquista profissional feminina ante ao machismo

crédito: APPLE/DIVULGAÇÃO

 

Não dá para evitar. Assim que "Uma questão de química" começa, a primeira coisa que vem à cabeça é "Mad men". Sim, estamos naquele mundo em que os homens podem tudo e as mulheres, sempre de cabelo impecável e vestindo cores pastéis, nada. Mas, assim como na saudosa produção da HBO (que tinha Elisabeth Moss como a imbatível Peggy Olsen), a minissérie da AppleTV+ traz uma mulher que subverte as convenções.

 


Adaptação do romance homônimo de Bonnie Garmus (publicado no Brasil pela Arqueiro), "Uma questão de química" acompanha a trajetória de Elizabeth Zott. Ela é interpretada por Brie Larson, que pelo papel está indicada ao Globo de Ouro de melhor atriz (a premiação também nomeou a produção na categoria melhor série limitada).

 


Só que o universo da minissérie não é o das agências publicitárias dos anos 1950. Aqui, a narrativa é ambientada em dois campos de trabalho que não parecem "conversar": um estúdio de televisão e uma instituição científica, ligada à química. Elizabeth, bem veremos, saberá fazer de um limão uma limonada, ainda que, para tal, passará por poucas e boas.

 

 


A sequência inicial acompanha a personagem, de costas, chegando ao estúdio. Muitas mulheres a esperam do lado de fora – e um funcionário logo avisa: o auditório está lotado. Ela chega, faz algumas observações e vai para o centro do estúdio. Está numa cozinha quando a gravação começa. E só neste momento ela se volta de frente para o público. E a história recua sete anos no tempo, ao início da década de 1950.

 


A partir deste momento, somos apresentados a Elizabeth. Ela é jovem, brilhante, com zero capacidade de relacionamento social. Trabalha como técnica de um laboratório – é muito mais inteligente do que os químicos, mas passa seus dias limpando pipetas e fazendo café simplesmente por ser mulher. Um flashback anterior também explica por que ela não fez o PHD na universidade.

 

Amor e reviravoltas

 

A história começa a mudar quando ela conhece o astro da instituição. Calvin Evans (Lewis Pullman, filho de Bill Pullman) é igualmente inábil socialmente. E também brilhante. Ele não se preocupa com as convenções da época, tanto que os dois começam a trabalhar em pé de igualdade no laboratório. A parceria logo vira romance, o casal adota até um cachorro, mas a vida, assim como a química, sempre traz uma reviravolta.

 


Elizabeth tem que se reinventar. E a culinária caseira, em que ela se utilizava de sua expertise química para dar nova vida aos alimentos, acaba chegando à TV. E a personagem consegue, por meio de um programa que reforça o estereótipo feminino, fazer sua audiência ver para além das convenções.

 

 


Se a protagonista tem que lidar com a questão de gênero, uma vizinha tem um desafio ainda maior: Harriet Sloane (Aja Naomi King) é negra. Cria os dois filhos sozinha e sofre com as frustrações da carreira impostas pelo racismo.

 


O tempo todo, "Uma questão de química" apresenta situações de machismo e racismo. Mas o faz de uma maneira inventiva, espirituosa, nada simplista. Com uma direção de arte impecável e um ótimo elenco, a reação química realmente acontece na história.

 

“UMA QUESTÃO DE QUÍMICA”


A minissérie, em oito episódios, está disponível na AppleTV+