A pernambucana Maxiane, participante do Big Brother Brasil 26, entrou na casa mais vigiada do país carregando a bandeira da representatividade para as religiões de matriz africana, como Umbanda, Quimbanda e Candomblé. Sua declaração inicial como praticante dessas tradições foi celebrada por adeptos, que viram na sister uma oportunidade de visibilidade positiva em um reality show de grande audiência.

No entanto, ao longo do programa, declarações e atitudes de Maxiane geraram controvérsias, com acusações de uso indevido de conceitos religiosos, o que tem inflamado debates nas redes sociais. Reels no Instagram, produzidos por influenciadores e especialistas, destacam erros conceituais e o risco de perpetuar preconceitos históricos.

Mãe de Santo desaprova

 A crítica ganhou peso ainda maior com o posicionamento público de Mãe Bianca de Oxum, mãe de santo de Maxiane no terreiro em Goiana (PE), onde a sister frequenta há dois anos como aprendiz. Em entrevista exclusiva ao Extra, publicada nesse domingo (8/2), Mãe Bianca reprovou veementemente as atitudes da filha de santo. “Fiquei muito surpresa, realmente não tinha visto. Infelizmente, nossa religião já sofre diariamente com associações dela ao mal”, declarou. Ela foi categórica: “Não aprovo esse comportamento e não foi isso que ensinei a Maxiane”.

A religiosa enfatizou que a Umbanda e tradições afins devem servir ao bem, à evolução e ao amor, jamais à agressão ou ameaça. Mãe Bianca alertou para o risco de intolerância religiosa no Brasil, agravado por desinformação que já associa essas fés ao mal. Apesar da reprovação, ela expressou esperança de que Maxiane recupere o equilíbrio emocional e previu até uma possível amizade futura com Ana Paula Renault (alvo das ameaças espirituais), citando afinidades entre os orixás que regem ambas.


Internautas alegam que ela usou a religião apenas para ganhar votos na seleção do programa no período que esteve na Casa de Vidro, com frases como "pessoas da cidade dela já falaram que ela usou a religião de matriz africana só para conseguir votos" e relatos de ameaças no reality, expondo "coisas feias". Isso sugere uma percepção de oportunismo, contrastando com a essência de respeito e autenticidade defendida nas tradições.


Racismo religioso

Inicialmente, a entrada de Maxiane foi aplaudida por trazer luz à diversidade religiosa brasileira. Adeptos de religiões de matriz africana elogiaram a visibilidade, vendo nela uma chance de combater o estigma contra práticas afro-brasileiras. Mas, conforme o jogo avançava, frases ditas pela participante começaram a ser questionadas. Em um dos reels analisados, postado pela usuária @barbara.gregorioo, o foco é na orixá Oxum, enfatizando temas como autoamor e presença, sem julgamento. 

A crítica mais contundente vem de um reel da @luizamandela, que analisa uma cena específica do BBB 26 onde Maxiane associa a entidade Pombagira ao "inferno". A influenciadora classifica isso como racismo religioso, argumentando que tal ligação reforça lógicas coloniais que demonizam espiritualidades negras. "Associar Pombagira, ligada à comunicação, autonomia feminina e encruzilhadas, ao inferno perpetua a demonização das religiões de matriz africana", explica o vídeo.

Ela cita o estudioso Sidnei Nogueira para reforçar que isso não é mera discordância de fé, mas racismo que afeta corpos, saberes e existências negras. O reel alerta para consequências reais: violência contra terreiros, com casas incendiadas, imagens destruídas e líderes ameaçados. Comentários apoiam a saída de Maxiane do BBB26, criticando sua ignorância sobre orixás e entidades, apesar de se declarar umbandista.


Outro ponto de debate surge no reel de @ciganoorlandoofc, que aponta erros gramaticais e conceituais nas falas de Maxiane. Frases como "Exu é Mojubá" (em vez de "Exu Mojubá") e ameaças com "Lei" – como se fosse dona das entidades – são destacadas como desrespeitosas. O vídeo critica a ideia de invocar Pombagira para "acesso ao inferno" ou desejar mal a outros, afirmando que "ninguém deseja o mal, nem as entidades". Com mais de 52 mil likes, o conteúdo reflete a indignação coletiva: "Ela ameaça com a Lei como se fosse dona da entidade" e "qualquer coisa eu mando Pombagira" são frases ridicularizadas, vistas como uso impróprio da religião para intimidação no jogo.


Esvaziamento de pauta


Por fim, o vídeo do ex-BBB @euandregabeh aprofunda a discussão sobre a diversidade dos Exus, esclarecendo que essas entidades podem vir de origens variadas – infernos, geleiras, Europa, senzalas ou até como espíritos desencarnados, incubus, succubus e elementais. No entanto, ele enfatiza que associações infernais não são o "modus operandi" do Candomblé, embora alguns sacerdotes trabalhem com essas linhas.

O narrador distancia-se de forças infernais, conectando-se apenas a "diabos" cotidianos. Comentários acusam Maxiane de sabotar a imagem das religiões afro, promovendo preconceito e intolerância: "Em nenhuma religião tradicional africana existe entidade categorizada como demônio" e "Ela está contribuindo com a intolerância religiosa". A percepção é de que a sister não conhece profundamente as práticas, gerando confusão pública.


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Essas discussões nas redes sociais ilustram como o BBB 26 transcende o entretenimento, tocando em questões sensíveis como identidade cultural e religiosa. Enquanto Maxiane pretendia representar, suas falas acabaram alimentando debates sobre autenticidade e respeito. Adeptos pedem mais educação midiática para evitar a naturalização de discursos que levam à violência real. Com o programa em andamento, resta observar se a sister corrigirá o curso ou se a polêmica selará sua trajetória na casa.

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