Mãe dos herdeiros do Restaurante do Porto abre bistrô português na Savassi
Em busca de independência financeira e realização profissional, Marina Filizzola decidiu ter um negócio próprio e apostou na gastronomia
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"Como a vida da gente muda", comenta Marina Filizzola que, em dois anos e meio, passou a administrar dois restaurantes. O mercado da gastronomia não era um plano - ela teve que assumir o Restaurante do Porto do Bairro Cidade Nova, na Região Nordeste de Belo Horizonte, com a morte repentina do ex-marido, pai dos seus dois filhos. Mas ela se apaixonou tanto pelo trabalho que agora tem um negócio próprio, o Taberna Porto, na Savassi.
Marina não se imaginava na função de empresária, mas hoje não consegue mais se ver como dona de casa. "O Taberna vem para completar um espaço que é meu. Administro o Restaurante do Porto, mas ele é dos filhos do Leo [Leonardo Almeida Duarte]. Vai chegar uma hora em que eles vão assumir, então precisava ter um plano B para mim", aponta a mãe de Gustavo, de 15 anos, e Bernardo, de 13, que já participam do dia a dia do restaurante - eles têm uma irmã por parte de pai, Sara, de 18.
Além de alcançar independência financeira, o novo projeto daria a oportunidade de construir algo do zero. Marina diz, sem exagero, que escolheu do azulejo ao copo. "Consegui colocar as coisas do meu jeito. Tive muito cuidado, quando entrei na administração do Restaurante do Porto da Cidade Nova. Não inovei nem nas receitas nem na decoração, ele continua com a mesma cara de 57 anos. Queria manter o legado, o que Leo construiu", pontua a empresária. No Taberna Porto, ela tem como sócio a cunhada Mariana Maia, que é médica e mora no Pará.
Quase nada é igual
O caminho natural seria mesmo abrir uma casa portuguesa. Primeiro, porque Marina acabou se envolvendo completamente com todos os processos do Restaurante do Porto. Depois, porque ouvia muito cliente pedir uma unidade na Região Centro-Sul da capital. Mas, em nenhum momento, ela pensou em fazer igual.
"Foi numa viagem ao Rio de Janeiro que conheci um restaurante super gostoso, pequeno, e pensei: é isso que eu quero. O da Cidade Nova é grande, são 120 lugares, enquanto o Taberna tem 38, é um bistrô", compara. Outra diferença marcante: enquanto o Restaurante do Porto fica em um lugar tranquilo e silencioso, de frente para uma mata, o Taberna Porto está em um ponto agitado da Savassi, de grande fluxo de pessoas. Por coincidência (ou não), seu ex-marido chegou a olhar o imóvel, na Rua Antônio de Albuquerque, onde ela escolheu abrir seu negócio.
Sobre o cardápio, os clássicos estão lá, mas existe uma abertura para outras referências e influências. Quem comanda a cozinha é o chef Samuel Maia, irmão de Mariana.
"No começo, queria trazer o tradicional, mas, aos poucos, o Samuel foi quebrando esse gelo e trouxe muitos pratos novos e formas diferentes de fazer bacalhau", descreve a empresária, que no Taberna aposta em pratos individuais, ao contrário do Restaurante do Porto Cidade Nova, que serve pratos para compartilhar. "Meu cliente pode frequentar os dois lugares e nos dois vai comer o melhor bacalhau do mundo, mas com temperos diferentes."
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Sempre o bacalhau
O bacalhau reina nas entradas. Vai desde os clássicos bolinhos (R$ 55 - porção com seis unidades) e a punheta (R$ 55), com lascas, cebola roxa, salsa fresca, alho, azeite e toque cítrico, até o pastel (R$ 17 - individual), que também tem no recheio creme de natas. Esse, segundo Marina, "é de comer de joelhos". Outra sugestão interessante é a bruschetta de sardinha com cebola roxa, alcaparras e cheiro-verde (R$ 45).
Entre os pratos, o Polvo à Lagareiro (R$ 105), que une polvo, batatas ao murro, alho dourado e azeite aromático, é o mais pedido. Quem prefere seguir com o bacalhau vai se surpreender com o Douro (R$110). A posta do peixe é servido com banana-da-terra grelhada, grão-de-bico temperado, tomates confit, cebola roxa e azeite de ervas. "É uma combinação perfeita. Tem o salgado do bacalhau com a crocância do grão-de-bico e o doce da banana-da-terra. Quem está comendo volta e pede de novo."
Como o cardápio não é totalmente dedicado à cozinha portuguesa, também tem espaço para Camarões ao Molho Branco (R$ 95), uma massa envolvida em molho branco com camarões salteados na manteiga e toque fresco de cheiro-verde, e Filé com Burrata (R$ 105), com filé-mignon empanado e dourado, burrata cremosa, tomates confit e alho crocante, uma versão do bife à parmegiana.
De sobremesa, os destaques são as rabanadas com canela, sorvete de creme e raspas de laranja (R$ 18) e os profiteroles com sorvete de creme e calda de chocolate (R$ 20), que são o doce preferido de Marina.
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Para acompanhar a comida, uma carta sucinta de vinhos de várias partes do mundo, inclusive Minas, sem deixar faltar o vinho do Porto, além de sidras belo-horizontinas e drinques autorais, como o Bordô (R$ 40), formado por redução de vinho com amora, gim, limão siciliano e espuma de tangerina.