Feita com rabo de boi, a clássica rabada que tempera tantos bares de BH e de Minas não tem pretensão alguma de ser saudável ou “light”. O corte é rico em colágeno, mas também em gordura.

Em vídeo publicado no Instagram nesta semana, no entanto, Alex Atala, um dos mais aclamados chefs brasileiros, foi “desafiado” a escolher dez comidas para dez estados brasileiros. Na vez de Minas Gerais, Atala escolheu o que chamou de “rabada light”.

“Vou ficar com uma que poucas pessoas conhecem, eu também não conhecia, que eles chamam de rabada light. É muito comum nos botecos do Mercado de Belo Horizonte. Em vez de fazer um refogado do rabo de boi, você faz um refogado de pescoço de peru”, explica, na publicação.

Bom, o pescoço de peru muitos conhecem. Mas ele com esse nome que o chef utilizou não é lá muito popular. Bernardo Cançado, criador do perfil Oncêvai no Instagram ao lado de Renata Urbano, diz nunca ter escutado o termo “rabada light” pelos tantos bares de BH que frequenta.

“Quando vi esse vídeo fiz uma pesquisa e vi que, em uma edição de nove anos atrás do programa da Ana Maria Braga [Mais Você, da Rede Globo], a entrevistada Dona Diva de Nanuque, em Minas Gerais, ensinou a fazer o pescoço de peru. No vídeo, ela brinca que o formato desse corte, depois de limpinho, parece a rabada”, conta, reforçando que essa foi a única vez em que viu essa associação.

No programa em questão, fica evidente como o prato é popular em Nanuque, cidade no Vale do Mucuri. Apesar disso, associar o preparo aos mercados belo-horizontinos pode ser, na visão de Bernardo, inapropriado. “Não é comum nos mercados, como ele diz no vídeo. E uma receita não faz a culinária de um estado inteiro”, defende.

 
 
 
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Rabada sem rabo?

No ponto de vista do criador de conteúdo e jornalista, a fala do chef chega a ser sem sentido. “Não tem nada a ver falar de uma rabada sem rabo. Me parece, pelo vídeo, que ele quis sair do ‘lugar comum’ e não associar Minas ao pão de queijo ou tropeiro, por exemplo”.

Quando o pescoço de peru é servido no Mercadinho Bicalho, é pedida certa para Bernardo Cançado

Arquivo pessoal

Nomes criativos

Flávio Trombino, à frente do restaurante Xapuri, na Pampulha, e do bar Alter, no Belvedere, Região Centro-Sul de BH, diz já ter escutado em lugares que ele não se recorda o termo “rabada light”. “O boteco tem na sua essência a descontração, o humor. Então surgem alguns nomes como ‘prexeca’, e o próprio Kaol. É comum a gente ter alguns pratos com nomes engraçados e que envolvam brincadeiras”, comenta.

Sobre as possíveis semelhanças entre o pescoço de peru e a rabada, o chef destaca a aparência. “Obviamente o rabo é muito maior, mas a formação óssea é um pouco parecida. E o modo de preparo, ambos são guisados, ensopadinhos, também é similar”, acrescenta.

Flávio Trombino, à frente do Xapuri e do Alter

Marcos Vieira /EM/DA. Press

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Onde comer rabada e pescoço de peru em BH?

Entendendo que a rabada é uma coisa e o pescoço de peru é outra – mas que cada uma tem seu valor –, Bernardo Cançado e Flávio Trombino deram dicas de onde comer os preparos em BH. Confira:

Dicas do Bernardo

  • Pescoço de peru do Bar do Gabriel (Rua João Gualberto dos Santos, 156, Céu Azul)
  • Pescoço de peru do Bar do Nelson (Rua Vicente Risola, 1000, Santa Inês)
  • Pescoço (que não é fixo no cardápio) do Mercadinho Bicalho (Rua Mármore, 556, Santa Tereza)
  • Rabada do Bar do Pangaré (Rua Estrela Vespertina, 180, Estrela do Oriente)
  • Rabada do Bar Meninos do Serro (Avenida Raul Mourão Guimarães, 411, Palmeiras)
  • Rabada do Jorge Americano (Avenida Augusto de Lima, 744, Centro - Mercado Central)

Dicas do Flávio Trombino

  • Rabada e pescoço de peru do Bar da Cida (Rua Numa Nogueira, 287, Floramar)
  • Rabada do Bola Bar (Rua Padre Eustáquio, 2512, Padre Eustáquio)
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