Júlia Fortini sempre sonhou em projetar uma cafeteria do zero. O sonho se torna realidade com a mudança de endereço da Academia do Café. A cafeteria e escola agora ocupa a casa ao lado, também na Rua Grão Pará, Bairro Funcionários, Região Centro-Sul de Belo Horizonte, três vezes maior que o antigo ponto. Além de mais espaço para cursos, as novidades são um balcão onde o preparo dos cafés é protagonista e um cardápio com comidas de produção própria. A inauguração oficial será nesta terça-feira (18/8).


"O imóvel ficou pequeno. A gente foi ocupando todos os espaços e precisava crescer. Aí ou a gente tinha que fazer uma grande reforma ou a gente mudava daqui", conta Júlia, que não gostava da ideia de sair daquele pedaço, calmo e silencioso, descrito como "uma roça na cidade". Fundada em 2011, a Academia do Café estava lá desde 2013, quando se mudou do segundo andar de um prédio na Avenida do Contorno. Os cômodos foram sendo ocupados de acordo com as necessidades, sem muito planejamento.


A oportunidade de expandir, e ainda realizar um sonho, surgiu quando a casa ao lado, onde antes funcionava uma escola, foi desocupado. A obra, direcionada pela Balsa Arquitetura, escritório especializado em projetos de gastronomia, durou seis meses. O objetivo era que a Academia do Café se transformasse em um centro de experiências.

Mais espaço

A capacidade saltou de 35 para 90 lugares. A maior parte das mesas fica na varanda da casa, que é de 1964. No cômodo onde era a sala, reina o balcão, que vira palco para o preparo dos cafés especiais. A sala de torrefação tem parede de vidro para que as pessoas possam acompanhar o trabalho.

O balcão fica no centro do salão principal e vira palco para o preparo dos cafés especiais

Wander Faria/Divulgação


Ainda no andar de baixo, uma sala de experiências diversas relacionadas ao café. Subindo as escadas, ficam as salas de aulas, onde é possível realizar três cursos ao mesmo tempo. "Aqui embaixo tem a sala de experiências, que vai ser para cursos mais rápidos, workshops, oficinas, experiências de uma hora, de três horas. Lá em cima são cursos mais técnicos", explica Júlia. Em breve, eles também vão oferecer experiências com o barista na mesa.


O quintal da casa, que tem duas jabuticabeiras enormes, passa a funcionar como um espaço de eventos privados, desde lançamentos de livros a aniversários e batizado. Lá terá uma cafeteria exclusiva para atender aos convidados dos eventos.

Café como protagonista

O espaço continua com a proposta de ter o café como protagonista. Por isso, a ideia é trabalhar com bastante variedade, incluindo os que se repetem o ano inteiro e outros mais raros. "A gente tem um café que tenta repetir o ano todo, que é o blend, para ser o nosso ponto de equilíbrio. É o café que todo mundo busca, o café de todos os dias, fácil, tem um custo-benefício bom. Não é uma coisa exótica", aponta. Geralmente, notas de chocolate, caramelo, nozes e rapadura.


Entre os cafés considerados raridade, estão os fermentados e o geisha. "É uma variedade raiz, originária de Geisha, na Etiópia. Na maioria das vezes você vai sentir um floral, um pêssego, uma rapadura", descreve. A bebida chega a lembrar chá.


O cardápio está dividido entre cafés quentes e frios. Você pode pedir desde um espresso simples (R$9,50) até o Mocha Academia do Café (R$ 26), com doce de leite, espresso e leite vaporizado cremoso, passando pelo cappuccino italiano (R$ 15). Para quem busca uma bebida mais refrescante, encontra, por exemplo, Shakeratto (R$ 18), espresso batido com gelo, limão e açúcar, e Orange Brew com Morango (R$ 28), com calda de morango, suco de laranja e cold brew.

A torta de goiabada com queijo é um dos destaques da parte doce do novo cardápio

Wander Faria/Divulgação

Não é brunch


O aumento do espaço também permitiu que praticamente todas as comidas passassem a ser produzidas na própria cozinha (as exceções são o pão de queijo e o cookie vegano). São receitas autorais, pensadas para harmonizar com o café, que é a estrela da casa.

Júlia faz questão de dizer que lá eles servem café da manhã mesmo, não é brunch. Entre os destaques, o enrolado de massa de pão de batata com recheio de presunto e queijo (R$ 16); o queijo quente de brioche feito na chapa com manteiga (R$ 28) e os toasts de fermentação natural de cogumelos e especiarias (R$ 28), pimentões assados (R$ 32) e frango cremoso (R$32). "Sempre achei que café combina muito com frango e com salgados, então tudo a gente tentou casar para que o café continuasse sendo o principal, e não ao contrário", justifica.

Na parte dos doces, não dá para sair da Academia do Café sem experimentar a broa cremosa de milho (R$ 16), o brownie de chocolate com castanhas (R$ 18) e a torta de queijo com goiabada (R$ 24). Outro pedido certeiro, segundo Júlia, são as rosquinhas de nata (R$ 10). "A gente serve a rosquinha da minha avó. Minha tia veio aqui ensinar os meninos a fazer. É uma rosquinha de nata que, quando eu era criança, chuchava no café." Tanto que no cardápio está escrito: "perfeita pra chuchá no café".

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Serviço

Academia do Café

  • Rua Grão Pará, 1010, Funcionários
  • Segunda a segunda, das 9h às 18h
  • @academiadocafe
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