Rio de Janeiro - Os budistas acreditam que comer é um ato de manutenção da vida e a extensão da prática espiritual. Na Coreia do Sul, onde moram hoje cerca de 1,4 mil brasileiros, uma boa refeição significa “Jal meogeosseumnida” ("eu comi bem") e também é uma demonstração de "gratidão". Tratados filosóficos e de convívio que você encontra ao atravessar a porta do Ryu, restaurante de culinária coreana no Rio de Janeiro.

Não parece fácil chegar para quem sai do Centro ou da Zona Sul, ainda mais por estar num daqueles centros comerciais espelhados da Barra, mas vale cada minuto a viagem. Porque, como diria Guimarães Rosa, importa mais a beleza e o sentido da travessia do que simplesmente o ponto de chegada.

Da união simbólica de Clara Rak e Gyu Rak, surgiu Ryu (rima com Rio), um projeto que teve início há sete anos, quando o casal veio de Seul em busca de um estilo de vida diferente.

Gyu e Clara Rak vieram de Seul para o Rio de Janeiro em busca de estilo de vida diferente

André Coutrim/Divulgação
 

Fotógrafa que morou em Nova York por 15 anos, Clara é paulistana, mas filha de coreanos. Gyu e o filho são de lá. São dela todas as receitas da casa, onde sobram lições de uma gastronomia autêntica. A começar pela gochujang (pasta de pimenta fermentada) presente em todas as mesas. "Foi ideia do Gyu, a partir do que eu já praticava na cozinha de casa", conta.

O cardápio é um agrupamento de clássicos coreanos sem invencionice, a começar pelas gyosas (porco e camarão; R$ 69 a porção) e o Mul-Mandu (R$ 69), que são massinhas delicadas recheadas com tofu e cebolinha. Vale pedir também o Kimchi Vegano (acelga fermentada com picância e acidez; R$ 26).

Mul-Mandu Kimchi: massa recheada com kimchi, carne suína e tofu

André Coutrim/Divulgação

O KFC (renomeado por Clara como Korean Fried Chicken) chega sobre um caldo à base de alho cheio de personalidade (R$ 85). Por falar em frango, uma marca da culinária coreana, o Black Sweet Chicken é uma porção de drumettes (coxinhas da asa) crocantes cobertos em molho doce e picante e finalizados com amendoim e fatias de pimenta dedo-de-moça (seis unidades; R$ 74).

Entre os pratos principais, destaque para o Dolsot Bibimbap (R$ 88), servido em uma tigela quente que deixa o arroz crocante e escaldante. Junto vão vegetais, carne de porco e uma gema crua para ser finalizada na mesa. Outra opção é o Budae Jjigae (R$ 88), um ensopado com carnes processadas, vegetais, macarrão, queijo e molho picante que surgiu no período pós-Guerra da Coreia, quando ingredientes fornecidos pelo exército americano se incorporaram à alimentação local.

Dolsot Bibimbap: vegetais, carne de porco e gema de ovo crua servidos em uma tigela quente que deixa o arroz crocante e escaldante

André Coutrim/Divulgação

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Por falar em personalidade, o shoyu é 100% autoral, feito com vodca, açúcar e cebola inteira com casca; os hashis são legitimamente coreanos, de metal; e o brinde (“kón-bé”!!!) é com soju (destilado típico à base de arroz e batata-doce). De resto, seja feliz e não saia sem dizer para Clara: “Jal meogeosseumnida” ("eu comi bem").

Serviço

  • Avenida das Américas. 12.600, bloco 5, loja 104, Barra da Tijuca, Rio de Janeiro
  • (21) 3197-1666
  • Terça a sábado, das 12h às 22h
  • Domingo, das 12h às 21h
  • Não funciona no último domingo do mês
  • 80 lugares
  • Aceita cartões de crédito e débito, dinheiro ou pix 
  • @ryurestaurante
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