A sidra não apenas deu a volta por cima ao provar que tem, sim, qualidade. Com uma produção artesanal, a bebida também vem mostrando sua diversidade com perfis diferentes de sabor e adição de outros ingredientes. Duas marcas, que estão liderando este novo momento do fermentado de maçã em Belo Horizonte, apresentaram, com exclusividade, seus lançamentos no episódio desta semana do podcast Degusta. Enquanto uma aposta no abacaxi, a outra amplia seu portfólio com amora e manjericão.


Os entrevistados Hélio Josengler, da Manza, e Rafael Ávila, da Aparesidra, têm histórias de vida completamente diferentes, mas compartilham a paixão pela sidra. Hélio nunca conseguiu gostar de cerveja e só encontrou uma substituição em 2021, numa viagem a Portugal, quando conheceu e se apaixonou pela bebida. Começou a produzir em casa até transformar o hobby em negócio. A marca, criada com Verônica Palhares, vai fazer dois anos em julho.


Já Rafael conheceu a bebida através de uma colega da faculdade de relações internacionais, que virou sócia. Ele foi visitar Cláudia Pitanguy na Inglaterra e descreve uma “paixão à primeira vista”. Há cinco meses, largou a carreira de executivo de inovação e de professor para virar produtor de sidra.


Para Hélio, a ascensão da bebida no Brasil e no mundo tem a ver com o que a nova geração procura. “É uma bebida de baixo teor alcoólico, que não tem adição de açúcar, não leva corante, não precisa de aromatizante sintético. As pessoas estão procurando uma alternativa mais natural, que não prejudique tanto a saúde, para conseguir consumir com a consciência mais limpa. E a sidra entrega justamente isso.”

Durante a conversa no podcast Degusta, os sócios das marcas Aparesidra e Manza contaram como se interessaram pela sidra

Marcos Vieira/EM/D.A Press


Rafael acrescenta que isso acompanha outra tendência mundial. “A sidra é um reflexo do movimento que vem acontecendo desde a década de 2010, quando começaram a aparecer no mundo inteiro bebidas prontas para beber. No Brasil, por volta de 2017, 2018, surgiram três ou quatro marcas, mas a pandemia deu uma virada no mercado. A partir de 2021, voltaram a surgir novas sidras”, destaca.

Estilos diferentes


A Aparesidra segue o estilo inglês, por isso está mais cerveja do que para espumante. Na boca, é bem seca. Por outro lado, a Manza se aproxima mais dos rótulos da Bretanha, na França, porque tem um leve dulçor – é considerada meio seca.


“A gente quis pegar todas as tendências que rolam no mundo e traduzir isso para o clima e o paladar do Brasil. Então, a gente usa uma carbonatação um pouco mais alta e, na última etapa da produção, adiciona o limão siciliano para trazer mais frescor e fazer com que seja uma bebida mais refrescante”, detalha Hélio.


Tecnicamente, explica Rafael, a sidra pode ser um fermentado de maçã ou pera. “A partir daí, você tem toda essa criatividade contemporânea que permite adicionar uma outra fruta ou uma erva. Então, da mesma forma que o vinho tem mil categorias, a gente pode produzir muitas sidras diferentes”, acrescenta o sócio da Aparesidra.

Enquanto a Manza amplia seu portfólio com amora e manjericão, a Aparesidra aposta no abacaxi

Marcos Vieira/EM/D.A Press

Frutas e ervas


Se a bebida inaugural da marca segue o que se faz na Inglaterra, o recente lançamento já se aproxima mais do Brasil. Isso porque a nova sidra, batizada de Enaltesidra, tem adição de abacaxi, trazendo um sabor tropical. “A gente fez a escolha de não filtrar para deixá-la no seu estado mais puro”, pontua Rafael, justificando o aspecto mais turvo da bebida. O perfil continua seco e teor alcoólico de 7%.


Coincidentemente, a Manza lança nesta quinta, dia 21, sua sidra de amora com manjericão. Em função dos ingredientes escolhidos, ela entra na categoria de “fruit cider”. “A gente fermenta as duas frutas juntas, o que dá um perfil super complexo. A proposta dela é entregar a experiência de um coquetel de uma forma descomplicada e dentro do universo da cidra”, destaca Hélio. Comparando com o rótulo “irmão”, tem ainda mais dulçor.


As novidades não vão parar por aqui. Na entrevista, Rafael anunciou que, em breve, vai apresentar ao mercado uma sidra de pera, que se chamará Convensidra. Hélio também deu mais um spoiler: a Manza está desenvolvendo uma versão mais seca para conseguir dialogar com diferentes paladares.

Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia

Serviço


O programa é quinzenal e vai ao ar sempre às segundas. Acesse o canal do Portal UAI no YouTube ou o Spotify para assistir ao episódio completo.

compartilhe