Paul McCartney fez um alerta bem-humorado ao cineasta Sam Mendes sobre uma discrepância física no elenco do ambicioso projeto cinematográfico sobre o quarteto de Liverpool. O músico britânico notou que o ator Paul Mescal, escolhido para interpretá-lo na telona, surge aparentemente mais baixo do que Harris Dickinson, escalado no papel de John Lennon, em registros iniciais da produção.

Para McCartney, essa diferença de estatura desafia a realidade histórica da banda inglesa. Ele defende que a formação clássica mantinha proporções físicas equilibradas nos palcos e ensaios, algo comprovado pelos registros visuais da época em que conquistaram o mundo.

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"Tínhamos todos a mesma altura!", declarou McCartney no podcast "Good Hang", apresentado por Amy Poehler, ao recordar em tom descontraído como produções audiovisuais costumam retratar sua figura de forma incorreta. "Tínhamos todos a mesma altura, e Ringo era um pouco menor. E se você olhar as fotos, todos temos a mesma altura."

A preocupação ganhou força após o músico receber materiais prévios dos testes de câmera. "Adivinha?", acrescentou McCartney sobre Mescal. "Ele é menor que o cara que faz de John. Sam Mendes está fazendo o filme. Eu disse: 'Sam, só tenho uma coisa para te dizer. Sabe, Paul [Mescal é] um pouco menor.' Não sei como o Sam vai lidar com isso. Ele me enviou uma foto, uma imagem das filmagens que estavam fazendo, e eles estão atravessando a passagem da Abbey Road, e o personagem Paul é notavelmente menor. Mandei uma mensagem para ele: 'Sam! Menor? Não faça isso! Você disse que não faria isso.'"

Mendes logo tranquilizou o cantor, explicando que a diferença notada na foto decorria apenas do padrão de caminhada dos atores no momento do clique, e enviou uma segunda imagem em que ambos apareciam com alturas equivalentes. Na vida real, Mescal tem cerca de 1,80 m — estatura idêntica à de McCartney —, enquanto Dickinson mede 1,88 m, superando a marca real de Lennon, que media aproximadamente 1,78 m.

Incômodo antigo nas telas

Essa não foi a primeira vez que McCartney questionou a caracterização de sua imagem nas telas. O cantor relembrou um descontentamento similar com a cineasta Sam Taylor-Johnson durante o lançamento da cinebiografia "Nowhere Boy", em 2009.

Naquela produção, Thomas Brodie-Sangster interpretou McCartney, enquanto Aaron Taylor-Johnson deu vida a um jovem John Lennon. A diferença física entre a dupla causou estranhamento imediato no ex-beatle.

"O personagem John, com quem ela depois se casou, Aaron — ele é maior que eu no filme", disse McCartney. "Meu personagem é meio fraco. Menor que John. John me derruba no chão. E é tipo, 'Sam, isso não é verdade!' A única explicação dela, que Deus a abençoe, porque ainda é uma boa amiga, disse: 'Isso é um filme, não é um documentário.' E pensei: 'Bem, eu não gosto dessa explicação.' Mas eu não podia fazer nada, porque ela já tinha feito o filme. Eu estava lá, pequeno Paul. John, o grande herói, e é tipo: Não! Não é verdade."

Tetralogia inédita nos cinemas

O diretor Sam Mendes comanda quatro longas complementares, cada um sob a perspectiva de um integrante do grupo. O projeto tem apoio da Sony Pictures e foi batizado de "The Beatles – A four-film cinematic event".

Além de Mescal e Dickinson, a escalação conta com Joseph Quinn no papel de George Harrison e Barry Keoghan interpretando o baterista Ringo Starr. As filmagens seguem um cronograma previsto de um ano de produção contínua.

A estreia está prevista para abril de 2028. Durante o BFI London Film Festival, a produtora Pippa Harris detalhou a estratégia de distribuição planejada para as salas de exibição.

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*Estagiária sob supervisão do editor-executivo João Renato Faria


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