“Uma ponte entre o Érico influenciador, jornalista, produtor de eventos e o que quero ser.” Em duas viagens para a Inglaterra, o jornalista e agora roteirista Érico Borgo encara uma jornada que refaz os passos de um dos maiores escritores de fantasia da história, J. R. R. Tolkien, e discute o processo criativo de ambos.
Com estreia comercial agendada para o próximo dia 13 de outubro, na Rede Cinemark, e com pré-estreia especial nesta segunda-feira (5/10), em Belo Horizonte, o documentário “Um Odisseia criativa: Em busca de Tolkien” passeia por trás da mente responsável por “O Hobbit” e “O Senhor dos Aneis”. A exibição conta com a participação de Érico Borgo e Laís Almeida, diretora do longa, além de sessão de autógrafos. No longa-metragem, eles conhecem os locais onde o escritor cresceu, formou sua família e até se preparou para lutar na primeira guerra mundial.
“A ideia de um documentário veio bastante cedo. Ele é uma espécie de extensão do meu trabalho na internet, como alguém que já fazia vídeos longos. E eu já queria fazer cinema”, afirma Érico. Junto a este lançamento, o livro homônimo já está à venda, contando todo o processo das viagens. Curiosamente, o objetivo nunca foi realizar um material escrito deste processo – além do roteiro do filme.
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“Realizar a primeira viagem foi incrível, mas, quando a gente voltou, a Laís virou para mim e falou: 'Beleza, agora eu preciso do roteiro'. E eu não conseguia traduzir aquilo que estava na minha cabeça na forma de um roteiro técnico. Nunca tinha feito. Me questionei por dias e pensei: vamos fazer de outra forma. Então decidi escrever um livro, que seria o meu terceiro”, conta.
Na busca por autorização do uso de imagens dos livros de Tolkien, Érico foi atrás da HarperCollins, editora que detém estes direitos, e eles se mostraram empolgados não apenas em ceder, como em publicar o material de Érico, que hoje divide a “casa” de clássicos como “O Senhor dos Anéis”.
Um resultado honesto
“Não precisa ser clássico e irretocável." Esta foi a primeira ideia de Érico acerca do filme, mas ele e Laís chegaram em outro caminho. Ambos estavam se aventurando em algo novo. Esta é a estreia de Laís Almeida na direção. Eles, que já trabalhavam juntos na produtora Huuro Entretenimento, decidiram que este seria um trabalho para se conectar com o público.
Entre as grandes histórias de Tolkien, o documentário mostra as dificuldades e alegrias de se gravar um projeto na Inglaterra. Em uma das primeiras cenas, Érico dirige perigosamente um carro porque ainda estava entendendo a mão inglesa de direção.
“É muito difícil de se relacionar com um gênio (Tolkien). É muito mais fácil você se relacionar com um sujeito qualquer. Você é esse cara. Indo ao encontro da criatividade do Tolkien mas também da sua. Temos que ir atrás de você”, comenta Érico sobre a primeira resposta de Laís sobre o futuro documentário.
Como resultado: um trabalho que dialoga com a linguagem da internet, onde Érico começa narrando a história de seu escritório, como em seu canal do YouTube, e, ao longo do projeto, vai ganhando uma camada épica, de cinema, visitando paisagens arrebatadoras no interior da Inglaterra. Érico é, além de roteirista, narrador da história.
O jornalista, que já estava exposto ao público por sua profissão, agora tinha receio de estar do outro lado do julgamento. “Eu senti uma pressão muito grande. Autoimposta. Eu achava que as pessoas vieram falar: ‘Nossa, você falou tanto das coisas dos outros e agora precisa provar que aprendeu alguma coisa com todos os anos de crítica.”
Com anos de experiência no portal Omelete – do qual é cofundador – e cobertura de lançamentos da cultura pop, Érico observa este como um ponto final em relação às dúvidas sobre sua capacidade. “É uma prova particular de que consigo”, afirma.
Filme artesanal
Durante o desenvolvimento inicial, a utilização de sequências de IA foi uma das soluções encontradas por Érico para baratear os custos e criar trechos épicos. “Compramos cartões postais de 1900, 1905 e filmamos esses cartões postais para animar depois em IA para maior imersão." Em oito meses de trabalho, o roteirista criou 11 cenas em 4k, que, no final, foram descartadas.
“Começamos a ir para os lugares que o Tolkien ia e relacionar aquilo com o que ele falava e com o momento de vida em que estava me fez pensar: ‘Temos que arrancar tudo criado (por IA) desse filme, não pode ter nada de criado desse filme". A partir disso, o filme ganhou uma camada mais artesanal, que se converteu no scrapbook visto na versão final.
O livro que o jornalista folheia durante o documentário é feito de recortes coletados em viagens, fotos, desenhos de Érico e mapas com os locais visitaqdos marcados, quase como um roteiro de turismo. “Será que não vai ficar tosco e pobre? Era o que eu me questionava. Estudando, entendi que essa era a estética que Tolkien iria gostar. A essência encaixou ali”, diz Érico.
“Uma Odisseia Criativa: Em Busca de Tolkien”
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(Brasil, 2026, 123 minutos) Direção: Laís Almeida. Com roteiro e apresentação de Érico Borgo. Pré-estreia com bate-papo com os criadores e sessão de autógrafos, com venda do livro na loja Leitura, nesta segunda-feira (5/10), no Diamond Mall (Av. Olegário Maciel, 1600 - Santo Agostinho). Ingressos em: embuscadetolkien.com.br. Estreia dia 13 de outubro, na Rede Cinemark.
