Assumindo o título de "Nepobaby" em novo EP, Ciça busca seu lugar
Primeiro projeto da carreira da rapper belo-horizontina mostra suas diferentes versões
compartilhe
“Essa porra é rap gangster, nunca foi feminino”. É nesse tom que a rapper Ciça atravessa a intro e as sete faixas do EP “Nepobaby”. O primeiro projeto de sua carreira expande a persona de Ciça, já presente em outros lançamentos como “Foca em mim” e “Tranquila e calma”, mas também mostra Cecília, a pessoa por trás da artista.
Fique por dentro das notícias que importam para você!
O EP chega às plataformas digitais nesta sexta-feira (25/9), com 16 minutos onde Ciça mostra suas diferentes referências, desde Notorious B.I.G., Beyoncé, passando por seu pai, Slim Rimografia, até a mais clara de todo o projeto, ela mesma. Além de faixas como “Ser a Ciça é bom demais” e “Apenas Cecília”, a rapper fala seu nome diversas vezes. Em “Vadias no comando”, ela faz questão de soletrar para ninguém esquecer: “C-I-Ç-A”, rima no refrão.
“É meio automático, mas também quero deixar minha marca. Eu falo meu nome em quase todas as músicas do EP porque eu quero que as pessoas escutem e lembrem. Que fique na cabeça delas ‘quem é essa garota’’, explicou a rapper.
Natural de Belo Horizonte, Ciça se mudou para São Paulo com apenas 15 anos para morar com o pai. Com saudade da capital mineira, Ciça criou fortes laços com o pai, que, além de inspiração, assina alguns dos beats de suas músicas sob o nome de Bruce Slim Beats. “Ele é meu empresário, a gente faz praticamente tudo junto. Como sempre gravei com ele, entro no estúdio e falo ‘quero desse jeito’ e ele faz, porque já me conhece”, comentou Ciça.
Em uma das poucas faixas do projeto em que Slim não assina a produção, Ciça o homenageia com a continuação de “Segura a bronca”, faixa do seu disco “Financeiramente pobre”, de 2003. Em “Segura a bronca Pt. 2”, Ciça faz referência às batalhas de rima com o clássico grito “Rimas em 3, 2, 1” e deixa claro que está na cena para fazer história e não agradar a qualquer um. “É só minha essência”, diz a artista na música.
A faixa pode não ser nova aos ouvidos dos fãs que acompanham os shows da artista. “Eu sempre canto há muito tempo, mas as pessoas não sabem que é ela. Foi a primeira que escrevi pro projeto”. Coincidentemente, a faixa mais recente é também a última do projeto, “Não fale de amor comigo”, com Agnes Nunes.
“Não sei nem se vou conseguir cantar ela no show sem chorar”, afirma Ciça sobre a sétima faixa do projeto. O empoderamento e marra da artista chegam no seu auge em “Biriri” e dão espaço para a vulnerabilidade na faixa seguinte, “Apenas Cecília”. A música discute como as relações – pessoas e profissionais – lhe moldaram em seus apenas 18 anos de vida.
“Alguns erros que eu cometi me mudaram cedo. Sempre fui muito teimosa e não dei tempo ao tempo”, rima na faixa. “Eu não separo muito a pessoa física, não adquiri essa habilidade. Eu sempre fui a Ciça. Se as pessoas estão falando mal dela, elas estão falando de mim”, comenta a artista sobre suas “duas vidas”.
Na faixa, além de revisar dilemas da sua vida, ela relembra sua “eu criança” com seu pai. “Você passa 24 horas no estúdio, mas você é feliz assim. Então, seja feliz…”, diz a Ciça em áudio antigo quando tinha por volta de 10 anos. No final de tudo, o nome do projeto é apenas uma ironia. “Não que eu me considere uma ‘nepobaby’. Cresci de uma forma que eu tive influências, mas não foram financeiras. Tive uma vida boa, mas as maiores influências de vivências, de aprendizados.”
A divulgação do projeto começa com show na Casa Natura, em São Paulo, em 23 de outubro. “Aguarde”, responde sobre a volta a BH.
Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia
*Estagiário sob supervisão do editor Enio Greco