NOBEL DE LITERATURA

Anne Carson é a ganhadora do Nobel de Literatura

Escritora canadense tem livros lançados no Brasil como "Autobiografia do vermelho", "Falas curtas" e "Eros: o doce-amargo"

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A escritora, poeta, ensaísta e tradutora canadense Anne Carson é a vencedora do Prêmio Nobel de Literatura 2026. O anúncio foi feito pela Academia Sueca na manhã desta quinta-feira (8/10). Especialista em grego clássico, Carson nasceu em Toronto, tem 76 anos e é considerada uma das mais originais escritoras contemporâneas por experimentar, em seus escritos, diversos gêneros literários.

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Entre seus livros publicados no Brasil estão “O método Albertine” (Jabuticaba, 2017), “Autobiografia do vermelho” (Editora 34, 2021), “Falas curtas” (Relicário Edições, 2022), “Eros: o doce-amargo” (Bazar do Tempo, 2022), "Sobre aquilo em que eu mais penso" (Editora 34, 2023) e “A beleza do marido: um ensaio ficcional em 29 tangos” (Bazar do Tempo, 2024).

Concedido pela Academia Sueca, o prêmio tem o valor de R$ 5.991.480,00. Segundo a instituição, o Nobel de Literatura foi concedido a Anne Carson "por sua obra ousada e inventiva que, em diálogo lúcido com a tradição clássica, criou novas formas para a literatura contemporânea".

 

 Anne Carson vence Nobel de Literatura 2026, imagem mostra justificativa pelo prêmio dado a ela.
Escritora canadense Anne Carson vence Nobel de Literatura 2026 Academia Sueca

História

O prêmio Nobel de Literatura começou a ser entregue em 1901 e ficou sob responsabilidade da Academia Sueca, em Estocolmo. O primeiro laureado foi o poeta francês Sully Prudhomme. Desde então, a premiação tornou-se uma das instituições culturais mais influentes do planeta, capaz de multiplicar traduções, vendas e leitores em poucos dias. Até 2025, foram concedidos 118 prêmios a 122 escritores. A diferença decorre das raras divisões do reconhecimento entre dois autores — apenas quatro vezes. Em sete anos, sobretudo durante as duas guerras mundiais, não houve premiação.

Nos primeiros tempos, a Academia adotou uma visão conservadora da vontade de Nobel. A preferência por um idealismo considerado elevado e saudável favoreceu nomes compatíveis com os valores da época, enquanto gigantes como Liev Tolstói, Henrik Ibsen, Émile Zola, James Joyce, Virginia Woolf e Marcel Proust ficaram de fora. Essas ausências formaram uma espécie de “Nobel paralelo”: a lista dos escritores que jamais receberam a honraria tornou-se quase tão comentada quanto a relação oficial de vencedores.

A língua portuguesa entrou nessa história em 1998, com José Saramago, autor de “Ensaio sobre a cegueira” e “Memorial do convento”. Na América Latina, Gabriela Mistral, Pablo Neruda e Gabriel García Márquez projetaram mundialmente a poesia e a narrativa do continente; Octavio Paz e Mario Vargas Llosa reforçaram essa presença. O prêmio também consagrou vozes de resistência, como Aleksandr Soljenítsin, Wole Soyinka, Nadine Gordimer, J. M. Coetzee e Toni Morrison. Em 1988, Naguib Mahfouz tornou-se o primeiro escritor de língua árabe premiado.

A presença feminina cresceu lentamente. Selma Lagerlöf foi a primeira mulher laureada, em 1909. Entre as sucessoras estão Pearl S. Buck, Gabriela Mistral, Nelly Sachs, Doris Lessing, Herta Müller, Alice Munro e Svetlana Aleksiévitch. Até 2025, somente 18 mulheres haviam recebido a distinção, um retrato dos avanços recentes e da longa desigualdade histórica do reconhecimento literário. Ao mesmo tempo, o sentido de “direção ideal” deixou de corresponder a uma moral rígida: a Academia passou a valorizar a força estética, a originalidade e a capacidade de uma obra iluminar experiências humanas.

Nem todas as decisões foram consensuais. Em 1958, Boris Pasternak foi pressionado pelo regime soviético a recusar o prêmio; Jean-Paul Sartre fez o mesmo em 1964 por rejeitar distinções oficiais. A escolha de Bob Dylan, em 2016, ampliou a noção de literatura ao reconhecer a tradição poética da canção, mas dividiu críticos. Em 2018, uma crise na Academia Sueca, provocada por denúncias de abuso sexual e vazamentos, adiou a premiação. No ano seguinte, Olga Tokarczuk recebeu o Nobel de 2018, enquanto a escolha de Peter Handke para 2019 gerou protestos por suas posições sobre as guerras dos Bálcãs.

Os vencedores mais recentes refletem essa abertura de horizontes. Em 2020, a poeta norte-americana Louise Glück foi celebrada pela voz austera capaz de tornar universal a experiência individual. Em 2021, Abdulrazak Gurnah, nascido em Zanzibar e radicado no Reino Unido, recebeu o prêmio por abordar colonialismo, deslocamento e refúgio. A francesa Annie Ernaux venceu em 2022 com uma obra que transforma memória pessoal, classe e gênero em investigação coletiva. Em 2023, o norueguês Jon Fosse foi reconhecido por peças e prosas inovadoras que dão voz ao indizível.

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Em 2024, a sul-coreana Han Kang tornou-se a primeira autora de seu país a conquistar o Nobel de Literatura. Sua prosa poética confronta traumas históricos e a fragilidade da vida, temas presentes em romances como “A vegetariana” e “Atos humanos”. Em 2025, o prêmio foi concedido ao húngaro László Krasznahorkai, cuja obra visionária, marcada por atmosferas apocalípticas e períodos vertiginosos, reafirma, segundo a Academia, o poder da arte.

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