Cover, no teatro musical, é o ator ou atriz que tem a função de substituir um protagonista, caso seu intérprete tenha um imprevisto. Para tal função, tem que estar a postos durante toda a temporada. A carioca Mavi Carpin, de 23 anos, esperou duas temporadas – uma no Rio e outra em São Paulo – para finalmente interpretar sua primeira protagonista no teatro musical.
Ela é “Diana, a princesa do povo”, espetáculo que chega a Belo Horizonte nesta semana – serão quatro récitas, de sexta (11/9) a domingo (13/9), no Sesc Palladium. A montagem da Broadway, com versão e direção de Tadeu Aguiar, dá início, na capital mineira, a uma turnê por seis cidades.
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No Rio e em São Paulo, Mavi fez parte do ensemble, o grupo de artistas de apoio do elenco principal. Ela esteve no grupo de funcionários do Palácio de Buckingham e viveu uma repórter. Mas, o tempo inteiro, esteve pronta para substituir a Diana deste período, Sara Sarres. Não houve necessidade. Agora, na turnê por seis capitais até outubro, chegou a vez dela.
O que vai acontecer no fim de semana no Sesc Palladium é, de fato, uma nova estreia, já que os dois protagonistas, Mavi e Lucas Britto (príncipe Charles, em substituição a Cláudio Lins), são outros. O restante do elenco é o mesmo.
“Começamos a ensaiar esta semana, o que torna o processo um pouco diferente do inicial. Desde janeiro, estamos trabalhando com o espetáculo. Só que, naquela época, tudo era novo para todo mundo. Foram dois meses de ensaio, e agora, seis dias. Mas estou realmente tendo oportunidade de criar”, diz Mavi, brincando que saiu do Palácio Imperial para chegar ao de Buckingham.
Nascida no Rio de Janeiro, ela foi criada em Petrópolis, cidade onde viveu até os 17 anos. Voltou para o Rio para estudar artes cênicas na Casa das Artes de Laranjeiras (CAL). Já integrou o elenco de musicais como “O jovem Frankenstein”, “Rock in Rio” e “Cazas de Cazuza”. “Ela está dando juventude ao espetáculo, pois é mais jovem do que a Sara”, comenta Tadeu Aguiar.
Figurinos e perucas
Desde terça-feira (8/9), a equipe técnica está montando o espetáculo, diante do tamanho da produção. Quarenta e cinco profissionais, entre atores/cantores/dançarinos e técnicos, participam da montagem. Três carretas chegaram a BH trazendo cenários e figurinos. São mais de 60 perucas e 280 figurinos.
“Tem um céu estrelado com 17 mil pontos de luz”, conta Aguiar. Até o vestido de noiva do “casamento do século”, a cerimônia em julho de 1981 que uniu Diana ao príncipe de Gales, está no espetáculo comme il faut.
“Diana, a princesa do povo” estreou na Broadway no início de 2020 – ficou pouco tempo em cartaz, com o fechamento decorrente da pandemia. Voltou ao cartaz no final do ano seguinte. Foi filmado, durante a crise sanitária, sem plateia. Está disponível, com o título de “Diana, o musical”, na Netflix.
Aguiar e o marido, Eduardo Bakr, produtor-geral do espetáculo, estavam em Nova York na estreia original. Depois, adquiriram os direitos para a montagem brasileira. “Quando se compram os direitos, isso pode ser de duas formas: como réplica, ou seja, exatamente como foi na Broadway, e não réplica. Nunca compramos réplica, pois sou artista, fazemos uma versão”, explica Aguiar, que já dirigiu outras montagens nacionais para musicais americanos – “Love story” e “A cor púrpura” entre eles.
Interpretação visceral
“Os americanos são muito técnicos, pois têm que se apresentar oito vezes por semana. Já os artistas brasileiros têm uma maneira de representar muito visceral”, comenta o diretor, também responsável pela tradução do texto. A trilha sonora do musical é de autoria de David Bryan, tecladista de Bon Jovi. “O ritmo é rock and roll, baseado nas coisas que Diana gostava. Muita gente reconhece o estilo de Dire Straits, Elton John”, conta.
A versão brasileira é a primeira que o espetáculo tem no mundo, desde sua estreia na Broadway. Sobre a montagem original, Aguiar diz: “Achei a música muito bonita e a história bem contada, mas a produção exagerada. A cenografia era realmente realista, com móveis ingleses.”
Para a versão nacional, a opção foi pela leveza. “Diana deu transparência para a família real. Então fizemos uma opção mais moderna, com um cenário todo vazado”, diz ele. Dos elementos de cena, Aguiar destaca o cavalo de James Hewitt, o oficial de cavalaria do Exército Britânico que revelou um caso com a princesa quando ela ainda estava casada com o atual rei Charles III. “É um cavalo de arame, muito alto, feito por um artista de Parintins.”
A história, de forma cronológica, acompanha Diana ao longo dos 17 anos em que ela ficou com Charles. Vai do final dos anos 1970, quando os dois se conheceram, até meados dos 1990, quando eles se divorciaram. A morte, em agosto de 1997, num acidente de carro em Paris, é citada no final.
Produção sobre Olga Benario
Além de versões de espetáculos da Broadway, Tadeu Aguiar e Eduardo Bakr também assinaram musicais originais. Fizeram “Chatô e os Diários Associados – 100 anos de paixão” e “Quatro faces do amor”, com músicas de Ivan Lins. Os dois preparam para 2027 o musical “Olga”, a partir do best-seller de Fernando Morais sobre a militante comunista Olga Benario.
“DIANA – A PRINCESA DO POVO”
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O musical em dois atos será apresentado sexta (11/9), às 20h, sábado (12/9), às 16h e às 20h, e domingo (13/9), às 16h, no Sesc Palladium (Rua Rio de Janeiro, 1.046, Centro). Ingressos: R$ 50 a R$ 220 (valores referentes à inteira), à venda na bilheteria e no Sympla.
