RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - Gilberto Gil reuniu uma multidão no que pode ser o último grande show de sua carreira na noite desta segunda (7/9), no Rock in Rio. O tropicalista tocou depois de Jon Batiste e de Péricles, e antes de Laufey e Elton John no megafestival carioca, que começou na quinta-feira (4/9) e vai até domingo (13/9) no Rio de Janeiro.

OLHA O TAMANHO DESSA MULTIDÃO CANTANDO “ANDAR COM FÉ” COM GILBERTO GIL! ???? #RockInRiopic.twitter.com/PZy3Gm1GAq


— Africanize (@africanize_) September 8, 2026

O baiano reuniu um público que parecia maior e estava mais participativo do que diversas atrações internacionais de horário parecido nos dias anteriores - como The Hives, Rise Against e Nelly, para citar algumas. Gil encerrou neste ano sua turnê de despedida dos palcos, a "Tempo Rei", e tem feito shows esporádicos. 

Aos 84 anos, ele está absolutamente em forma - e continua pensando o mundo ao seu redor. Começou o show com comentários sobre a tecnologia e a humanidade em um momento de ascensão do uso de inteligência artificial. Primeiro, tocou "Cérebro Eletrônico" e, depois, "Pela Internet" -a primeira, dos anos 1960 e a segunda, dos 1990, ambas novidades em relação à turnê recente. 

 


Gil lembrou os fãs que tocou na primeira e em várias outras edições do Rock in Rio. Ouviu um sonoro grito de "não" da plateia quando afirmou que esta pode ser sua última vez no festival carioca, mas respondeu dizendo que quer descansar. Depois de "Palco", disse que eram recíprocos os gritos de "eu te amo" que ouviu do público.

O show do Rock in Rio 2026 foi diferente do que o baiano levou à estrada com "Tempo Rei" - e, na verdade, até das últimas edições em que esteve no megafestival. Depois de emendar dois sucessos, "Andar com Fé" e "Toda Menina Baiana", trouxe outra música que não vinha tocando -um cover de "Rebel Music", de Bob Marley, em que ressaltou os versos sobre liberdade- e seguiu o clima reggae com "Vamos Fugir" -esta, com Liminha no palco.

Os sucessos foram sendo revezados com músicas que Gil não vinha tocando sempre. Ele tocou "Realce" e "Palco" e logo veio com "Superhomem: A Canção", música de 1979 em que reflete sobre a masculinidade, seguida de uma versão de "Ovelha Negra", de Rita Lee.

A inspiração roqueira, fonte de que Gil bebe desde que era fã de Beatles inovou com o uso da guitarra elétrica na década de 1960, continuou com outra versão - esta de "Pro Dia Nascer Feliz", do Barão Vermelho. Tocada no Rock in Rio de 1985 - e também no show da banda de Frejat no último domingo (6/9)-, a música se tornou na época um hino pela redemocratização nos últimos anos da ditadura militar.

Ela veio em uma roupagem com violão e sanfona, que serviu como uma transição para "Esperando na Janela", um dos xotes mais famosos na voz do baiano. A canção compôs um mosaico tropicalista seguida por "Maracatu Atômico" -composição de Gil que ficou famosa em versão roqueira com Chico Science e Nação Zumbi na década de 1990.

Nesse caldo, coube ainda "Divino, Maravilhoso" - clássico roqueiro da tropicália, do verso político "é preciso estar atento e forte"--, o samba "Aquele Abraço" - entremeada com "Funk-se Quem Puder"- e o frevo baiano "Atrás do Trio Elétrico", composição de seu eterno parceiro Caetano Veloso.

Foi uma amostra especialmente roqueira, alinhada com a ocasião, dos vários elementos que compõem a obra de um dos grandes nomes da música brasileira. Gil, na provável despedida dos grandes palcos, não se limitou a reproduzir seus sucessos, e parece ter dado mais um recado - tanto do que ele enxerga ao seu redor quanto uma reafirmação do artista inquieto e criativo que ele sempre foi.

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