Com mais de 20 anos de atuação na cena independente, a cantora e compositora Natashha Maria lança o EP “Pitanga”, que considera o reencontro com sua essência artística. O trabalho traz as faixas “Bom demais”, “Chega mais” e “Recado”, parcerias com Thales Mendonça, além de “Pitanga” e “Pro meu amor que vai chegar”, assinadas por ela.

Sua estreia fonográfica ocorreu com o EP “Tempo” (2004), quando tinha 19 anos e concluía a formação no Conservatório Heitor Villa-Lobos, em Três Pontas, Sul de Minas, onde nasceu. Ela se mudou para São Paulo para tentar se inserir no mercado da música. Conseguiu emplacar “Embalo” em rádios e no Top 10 da MTV.

“Pietá”

Antes de lançar o primeiro disco, Natashha entregou demo de voz e violão para Milton Nascimento, que visitava a cidade onde foi criado. “Bituca saiu comigo, entrou no carro e o vi colocando o CD para tocar”, recorda. Passado um mês, a produção de Milton a convidou para cantar em “Pietá”, álbum lançado por ele em 2002.

Natashha voltou a ser convocada por Bituca para o álbum “...E a gente sonhando” (2010), que reuniu vários artistas três-pontanos. Naquele ano, ela lançou o segundo CD, “Girassol”. Depois, vieram “Coração passarinho” (2017) e “Baile da saudade” (2022).

A cantora e compositora conta que, com esse último trabalho, sentiu a necessidade de inserção no mercado e buscou se moldar a ele.

“Fiquei meio mal com os rumos que tomei, achei que precisava me resgatar, voltar à minha essência. Aí veio 'Pitanga', um aceno para a minha infância”, diz. Ela entende o EP como um trabalho sobre escuta, memória, brasilidade, afeto e tempo. O título faz referência à pitangueira do quintal da casa de sua avó.

Natashha cresceu escutando Gal, Caetano, Fagner e outros artistas da mesma geração na vitrola de sua tia. “Ficava com a fita cassete no gravador esperando tocar no rádio a música que eu gostava. É desse reencontro que 'Pitanga' trata. Voltei para o violão de nylon, a coisa da brasilidade, para o que eu gostava de ouvir, sem me importar se o mercado se interessa ou não”, afirma.

“Pitanga” passeia por diversos gêneros e referências, segundo a artista. Sobretudo pela psicodelia e a canção popular dos anos 1970. Violões, metais, teclas, bateria e elementos dos arranjos foram pensados para criar ambiência semelhante às de gravações analógicas da época.

“Busquei muita inspiração em Mutantes e Novos Baianos, mas também nos artistas representantes da soul music brasileira, como Tim Maia e Tony Tornado. A música 'Pro meu amor que vai chegar' tem como referência Bethânia e Gal”, ressalta.

As canções se ancoram na história de vida dela. “A primeira, 'Bom demais', tem referências da lambada, porque me lembro de ouvir muito Beto Barbosa na casa da minha avó”, diz. Já “Recado” ela classifica como marchinha melancólica, que remete aos carnavais da infância.

“A música 'Chega mais' vai para o lado da psicodelia, com muito sintetizador, um reflexo do meu gosto por Mutantes e Rita Lee”, exemplifica Natashha. Ressalta que, atravessando essas referências está, naturalmente, o Clube da Esquina. “Três Pontas é o berço. E eu, claro, bebi muito disso aqui”, diz.

“Ser de Três Pontas atravessa inevitavelmente a maneira como entendo a música. Cresci em uma cidade onde a música faz parte da memória afetiva das pessoas, onde Milton Nascimento e Wagner Tiso não são meras referências distantes, eles fazem parte da história do lugar onde crescemos”, destaca.

“PITANGA”

• EP de Natashha Maria
• Independente
• Cinco faixas
• Disponível nas plataformas nesta terça-feira (8/9)

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