"Vocês estão muito educados hoje. É a chuva? São as músicas?", disse o vocalista do Avenged Sevenfold, M. Shadows, já na reta final do show que a banda fez na noite desse sábado (5/9), no Rock in Rio.


Fosse a chuva, fosse o repertório, o público no festival não pareceu estar aceso como em outras passagens do grupo por aqui. O Avenged Sevenfold voltou ao palco Mundo, o principal do Rock in Rio, dois anos depois de ocupar o mesmo espaço no festival.



Como em 2024, a banda encabeçou o "dia do metal", renovando a data que antes era exclusiva de dinossauros como Iron Maiden e Metallica. Desta vez, até tocaram músicas parecidas - um catadão do que fizeram de melhor entre as décadas de 2000 e 2010.


Mas as músicas foram recombinadas, algumas substituídas por outras e eles incluíram uma faixa de seu EP mais recente, "Magic". O repertório pouco mudou, ao contrário da dinâmica e da urgência. Em 2024, o Avenged Sevenfold não tocava no Brasil havia dez anos.



Antes disso, a banda tinha vindo outras quatro vezes ao país, entre 2008 e 2014, incluindo um show no Rock in Rio em 2013. Desta vez, eles retornam após apenas oito meses da última apresentação no Brasil - quando fizeram o maior show solo de toda sua carreira, em São Paulo, no estádio Nubank Parque.


É uma das bandas, como o Bring Me the Horizon, outra que tocou no palco Mundo no sábado, que tem uma base de fãs especialmente grande no país. Na comparação com a atração anterior do mesmo palco, contudo, o Avenged Sevenfold esteve um tom abaixo.


Se o grupo britânico botou o público para abrir inúmeras rodas punk, os americanos fizeram um show menos pungente, e recebido com menos euforia pela plateia. A chuva que voltou a cair no Parque Olímpico pode ter ajudado a derrubar o clima.


Assim como o atraso da banda em subir ao palco, meia hora após o horário marcado, por volta de 0h35, já na madrugada do domingo (6/9). Parte disso também tem a ver com a própria música do Avenged Sevenfold.


Criada em 1999, a banda faz uma mistura gótica de heavy metal com hard rock que às vezes remete ao emo, com refrões pop e baladas ao violão - como se Guns N' Roses e Iron Maiden tivessem um filho viciado em My Chemical Romance.


Isso significa que o show tem longos solos de guitarra, mudanças de andamento numa mesma canção e momentos épicos que no palco soaram arrastados. Nessas horas, a plateia ficou mais desinteressada, caso também de músicas mais recentes - como "Nobody", lançada em 2023.



De certa forma, o Avenged abriu as portas para que o heavy metal entrasse no século 21 de forma menos ortodoxa, um movimento que antecedeu a abordagem que vários artistas fizeram neste sábado de Rock in Rio. Este dia do metal do festival abriu mão de medalhões para receber bandas mais novas que fazem rock pesado.


O vocalista M. Shadows fez referência a isso em cima do palco. Disse que abriu o X e viu muita negatividade "sobre o festival e sobre as bandas que tocaram". "Vou dizer: todas essas bandas são amigas. Não percam tempo com isso".


Ele disse que nesse novo heavy metal não há esse tipo de rivalidade e citou os companheiros de lineup neste Rock in Rio, como Mgk, Bad Omens e Poppy, além do Bring Me the Horizon. Pediu ao público para aproveitar o dia e puxou a balada "Seize the Day" - um dos sucessos que a banda não havia tocado há dois anos no festival.


Com muito fogo no palco e efeitos pirotécnicos, o show teve diversos momentos altos. No começo, as pesadas "Nightmare" e "Afterlife" puxaram alguma rodas de pogo, enquanto a balada "Buried alive" botou os fãs para cantar.


Na reta final, o Avenged Sevenfold tocou um lado B - a música "M.I.A.", de 2006 - e seguiu para uma sequência de faixas mais conhecidas - "Bat country", "Unholy confessions" e "A little piece of heaven" -, devidamente celebradas pela plateia.

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A essa altura, por volta das 2h da madrugada, era grande o movimento de pessoas deixando o Parque Olímpico. Acabou com a música "Cosmic", uma chuva de luzes pirotécnicas e fogos de artifício.


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