O 56º Festival Nacional da Canção (Fenac) chega à etapa decisiva com 24 semifinalistas de 13 estados e artistas das cinco regiões do país. Minas Gerais concentra a maior parte dos classificados, com oito representantes, seguido por São Paulo, com três. Rio de Janeiro, Ceará e Mato Grosso do Sul têm dois semifinalistas cada, enquanto Santa Catarina, Sergipe, Rio Grande do Sul, Paraná, Roraima, Bahia e Pará contam com um representante.
A presença feminina se destaca nesta edição. Classificaram-se canções de 13 compositoras e de sete homens, além de mais quatro grupos. Minas está representada por Amandona, de Belo Horizonte; Nanda Dearo, de Poços de Caldas; Pedro Antônio e a Plantação de Estrelas, de Uberlândia; Bruna Marlière, de Juiz de Fora; Déia Silva, de Contagem; Tiago Moraes, de Campo Belo; Aduar, de São João del-Rei; e Jorge Carlota, de Machado.
Depois de passar por seis cidades, o Fenac vai reunir os 24 classificados em Boa Esperança, no Sul de Minas, onde o festival nasceu. As semifinais serão realizadas nesta sexta-feira (4/9) e no sábado (5/9), enquanto a grande final acontece no domingo (6/9). A programação começa sempre às 20h30, na Praça do Fórum, com entrada franca.
Nasi, vocalista do Ira!, será uma das atrações do encerramento. A banda sobe ao palco no domingo (6/9), durante a finalíssima. O cantor paulista garante que o público verá “o melhor do show 'Ira! acústico 20 anos'”, que está na estrada desde maio de 2025.
“Tocamos com uma banda poderosa, à altura daquela que gravou conosco um dos trabalhos mais marcantes da banda”, diz. Além de Nasi nos vocais, vão se apresentar Edgard Scandurra (violão e vocais), Evaristo Pádua (bateria), Johnny Boy (teclados e violão), Daniel Scandurra (baixo), Jonas Moncaio (violoncelo) e Juba Carvalho (percussão).
África
Nasi chega a Boa Esperança depois de uma temporada no continente africano. Foi a sétima viagem do cantor à África, onde participa de processos ligados à tradição iorubá. Durante essa jornada, ele produziu material audiovisual.
Nasi conta que, desta vez, concentrou os registros na música, principalmente na percussão. Usou câmeras do próprio celular para registrar as experiências na África.
“São coisas paralelas na minha vida, que não têm nada a ver com música. Colho muito material autorizado”, explica.
O interesse por essa vivência rendeu o documentário “Exu e o universo”, do qual Nasi é produtor e roteirista. O filme levou o troféu de Melhor Longa-Metragem Documentário, no Festival do Rio 2022, e o Prêmio do Público de Melhor Documentário, na 46ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo.
Paralelamente ao Ira!, Nasi se dedica a projetos solo. No último, usou inteligência artificial para criar releituras das próprias canções, classificadas por ele como “inusitadas”.
“Transformo canções em gêneros musicais que nunca cantei. Esse era o meu objetivo neste projeto experimental. Não é meu futuro, mas me ajudou a ver possibilidades dentro do processo de organização da produção do meu trabalho”, diz, referindo-se ao disco “Artificial intelligence”, lançado em janeiro.
Ao comentar a relação do rock com as novas gerações, ele diz que a perda de espaço do gênero entre os jovens vem ocorrendo desde a década de 1990. Lembra que o rock viveu seu auge no Brasil nos anos 1980, quando ocupava espaço expressivo no rádio e na televisão.
“Vim do cenário alternativo do rock, com influência punk e pós-punk. Hoje a realidade é outra”, comenta. Apesar disso, o cantor diz que grupos como o Ira! continuam conquistando público entre os jovens.
“Bandas como o Ira! são clássicas. Sempre que se pensa em um festival, sempre penso no Ira! e nos grandes expoentes que sobraram da década de 1980. Vejo muitos jovens no meu show”, afirma.
Lamartine Babo
Nesta edição, o Fenac recebeu a inscrição de 1.196 músicas vindas de 19 estados brasileiros. Etapas classificatórias foram realizadas em Tiradentes, São Thomé das Letras, Campo Belo, Coqueiral, Perdões e Nepomuceno.
Os 24 classificados receberam premiação de R$ 2,5 mil. Neste fim de semana, eles disputarão o troféu Lamartine Babo e o prêmio principal de R$ 23 mil.
O encerramento do Fenac terá váras atrações. Nesta sexta-feira, a banda Cassino Royale se apresenta depois da primeira noite de semifinais. No sábado, o festival recebe André e Luiz Otávio, após a segunda rodada de semifinalistas. Domingo será o dia do Ira!.
A edição deste ano contou também com shows de Sidney Magal, Vanessa da Mata, Zé Geraldo, 14 Bis, André Frateschi e Paula Fernandes, entre outros.
56º FENAC
Semifinais e finalíssima do Festival Nacional da Canção. Desta sexta-feira a domingo (4 a 6/9), na Praça do Fórum, em Boa Esperança. Shows da banda Ira!, Cassino Royale e da dupla André e Luiz Otávio. Entrada franca.
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