Pato Fu faz show gratuito em BH ‘com jeitão de ‘Gol de quem?’’
Banda é atração de sábado (5/9) do Festival Laços, na Praça da Liberdade, que terá show da Daparte e outros artistas, circo e contação de histórias, até domingo
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Se a memória do guitarrista e cofundador do Pato Fu, John Ulhoa, não estiver lhe traindo, a última vez que a banda tocou na Praça da Liberdade foi em junho de 2023, no show “Rotorquestra de liquidificafu”, ao lado da Orquestra Ouro Preto.
Estava lotado, ele lembra. “O palco foi montado em frente ao Palácio da Liberdade, mas tinha gente até onde era o Xodó”, diz, referindo-se à tradicionalíssima lanchonete que ficava na esquina da Rua Gonçalves Dias com a Avenida João Pinheiro. O Xodó, aliás, é outro lugar guardado com carinho na memória dele. Era lá que tomava milkshake na juventude e também era pelas redondezas que costumava se reunir com os amigos.
Neste sábado (5/9), o músico tem um encontro com o passado ao subir no palco montado na mesma Praça da Liberdade. O Pato Fu vai encerrar o primeiro dia do Festival Laços, que comemora os 120 anos da Drogaria Araujo, com show marcado para as 18h30.
A programação de sábado começa às 10h, com o espetáculo “Um tal bruxo do Cosme Velho”, de alunos do Galpão Cine Horto, idealizado a partir de contos de Machado de Assis. Em seguida, contação de histórias com o grupo infantil Quintal da Guegué e performances circenses com Instituto CircoLar. As apresentações musicais começam às 13h30, com Gisele Couto, seguida por Daparte, Fanfarra Black Bones e Pato Fu.
DOMINGO DE MANHÃ
No domingo, as atividades têm início às 9h, com o show infantil do Pé de Sonho. Na sequência, o Quintal da Guegué volta para realizar contação de histórias. Às 11h45, Renata Araújo faz show com clássicos imortalizados nas vozes de Elis Regina, Maria Bethânia e Gonzaguinha; e Bloco da Esquina fecha a programação com show às 13h15.
Na estrada com a turnê comemorativa dos 30 anos de “Gol de quem?”, disco responsável por projetar nacionalmente o Pato Fu, a banda vai levar para a Praça da Liberdade um “show com jeitão do ‘Gol de quem?’”, adianta John.
O que não exclui músicas de outros álbuns no repertório. “A gente faz um negócio um pouco mais palatável para o público menos acostumado às nossas maluquices”, diz John. “Porque, em todos os nossos shows, tem gente que nunca ouviu o Pato Fu. Toda vez eu pergunto quem está ali pela primeira vez e sempre uma galera levanta a mão”, diverte-se.
O bom-humor é marca registrada do grupo. Quando gravou a fita demo, os músicos resolveram batizá-la de “Pato Fu Demo”. Não bastasse o nome chamativo, compraram um queijo fedorento no qual colocaram a fita e enviaram para as redações de jornal, junto do material de divulgação. “Nunca recebemos o silêncio como resposta”, recorda John.
As músicas também carregam elementos cômicos, seja por um falsete extremamente agudo – como o que foi feito na versão de “Sítio do Pica-Pau Amarelo”, de Gilberto Gil – ou pelo humor escrachado de versos como “Tem uns que criam cachorrinho em casa / E há quem goste de gatinho no quintal / Tem uns que dão comida pra peixinho / Mas eu alimento o meu Capetão!”, de “Capetão 66.6 FM”.
Também misturam diferentes sonoridades, fazendo um liquidificador sonoro que soa estranho aos ouvidos puristas.
“Acho que o charme do Pato Fu, desde o começo, é meio que dar sustos em quem está ouvindo a gente. A banda nasceu fazendo músicas como ‘Vida imbecil’ e ‘Capetão…’, coisas que as pessoas ouvem e se perguntam: ‘Que troço é esse?’. É uma coisa que a gente continua tentando fazer nos shows”, diz o músico.
SERIEDADE
As mais de três décadas de estrada, no entanto, fizeram com que a banda aprendesse a dosar a mão na hora das brincadeiras. O ponto de virada foi a ascensão meteórica dos Mamonas Assassinas, que chamava a atenção justamente pelas piadas e brincadeiras de seus integrantes, sobretudo o vocalista Dinho.
“Eles vieram depois da gente e chegaram com um humor muito mais escrachado. E, convenhamos, eles eram especialistas, muito mais engraçados do que a gente. Então, o Pato Fu começou a ser muito comparado com os Mamonas e esse nosso bom-humor meio que acabou virando um pouco contra a gente”, lembra John. “Aconteceu algo parecido com os Raimundos”, comenta.
A partir de então, o trabalho do Pato Fu começou a ficar mais conceitual, como mostraram as canções de “Televisão de cachorro” (1998), “Isopor” (1999), “Ruído rosa” (2001) e por aí vai. “A gente tentou dar uma uma evoluída”, admite o guitarrista.
Ainda assim, o que ele promete para este sábado é fazer o que o Pato Fu faz de melhor: tocar seu rock n’ roll, sem abrir mão da própria estranheza.
PROGRAME-SE
Sábado (5/9):
• 10h – Espetáculo “Um tal bruxo do Cosme Velho”, de alunos do Galpão Cine Horto
• 11h15 – Quintal da Guegué
• 12h30 – Instituto CircoLar
• 13h30 – Gisele Couto convida Julia Rocha
• 15h30 – Daparte
• 17h30 – Fanfarra Black Bones
• 18h30 – Pato Fu
Domingo (6/9):
• 9h15 – Pé de Sonho
• 10h40 – Quintal da Guegué
• 11h45 – Renata Araújo
• 13h15 – Bloco da Esquina
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FESTIVAL LAÇOS
Neste sábado (5/9) e domingo, a partir das 9h, na Praça da Liberdade. Espetáculo cênico, contação de histórias, performance circense e shows. Programação gratuita.