A escrita da epopeia “Odisseia”, por volta de 700 a.C, sucede em, ao menos, 300 anos a Guerra de Troia, que aconteceu por volta de 1000 a.C. Antes da escrita, as histórias que giram em torno do conflito foram passadas através da tradição oral, especialmente cantada pelos aedos – cantores, no grego. Contadas durante três séculos, enfim, resultaram no poema épico atribuído a Homero. 





O clássico da literatura voltou aos holofotes após a adaptação do cineasta Christopher Nolan, ainda está em cartaz nos cinemas. Em torno do poema de Homero, a Academia Mineira de Letras promove, a partir da próxima terça-feira (25/8), o curso “A Odisseia de Homero: leitura comentada”, ministrado por Jacyntho Lins Brandão, professor aposentado de Língua e Literatura Grega na UFMG, ocupante da cadeira 25 da AML e atual presidente da instituição. 





Dividido em 24 cantos, o poema narra o retorno de Odisseu (ou Ulisses) para a Ilha de Ítaca, após o fim da Guerra de Troia. Segundo Brandão, o curso segue a estrutura do livro, em sete encontros: começa com a introdução à obra, aborda a formação de Telêmaco (cantos 1 a 4), a volta de Odisseu da ilha de Calipso à corte dos feácios (cantos 5 a 8), as narrativas de Odisseu sobre as aventuras (cantos 9 a 12) e a reconquista da casa (cantos 13 a 24). 


O presidente da AML elogia a estrutura concentrada, não cronológica da obra, mantida por Nolan na adaptação cinematográfica. “O poema conta os 40 dias finais da viagem do Ulisses. Depois, o que aconteceu antes vem por meio de relatos e flashbacks. É uma qualidade do filme, é muito bom que tenham feito assim”, afirma.





A organização do épico, que começa a ser contada praticamente no final da trajetória de Odisseu, foi elogiada por Aristóteles, conforme observa Brandão. “É ótimo justamente porque ele não começou contando o dia em que Ulisses [Odisseu] nasceu para depois percorrer o resto do tempo. Isso mostra a destreza de Homero. A estrutura concentrada é uma das coisas para salientar no curso.”


Diversas teorias e discussões cercam a identidade de Homero. Para muitas pessoas, ele não existiu e uma série de histórias foram unidas para o poema, mas Brandão não acredita nessa hipótese. Segundo ele, “ómiros”, do grego, significa “refém”: “Penso que Homero foi refém dos gregos. Na interpretação, ele era um babilônico e o nome dele, na verdade, não é um nome, mas um apelido. Isso mexe muito nessa questão tão atual, que é a identidade”, afirma. 





A qualidade da escrita também leva os pesquisadores a acreditarem que Homero foi, sim, um autor. “Sem dúvidas é uma série de histórias, porque viviam no contexto da tradição oral. Mas nunca acreditei na ideia de que não tivesse um autor daqueles poemas, justamente pela estrutura tão bem montada que ele tem. Não é uma coisa produzida ao acaso – usa a tradição, mas monta um poema extremamente sofisticado.”





“A ODISSEIA DE HOMERO: LEITURA COMENTADA”

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Com Jacyntho Lins Brandão, sete encontros, a partir de terça-feira (25/8). Presencial, na Academia Mineira de Letras (Rua da Bahia, 1.466, Lourdes), com aulas gravadas para acesso posterior. Inscrições por meio do formulário. O curso completo está à venda por R$ 500, enquanto aulas avulsas custam R$ 100. 



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