O encontro de Almir Sater e Gabriel Sater no palco poderia parecer natural. Gabriel cresceu cercado pela música do pai, afinal. Mas a turnê “Pai e filho”, que chega a Belo Horizonte neste sábado (15/8), no Arena Hall, nasceu justamente da necessidade de transformar a proximidade familiar em parceria.
A ideia não partiu dos dois. Depois de apresentação em São Paulo, no Dia dos Pais do ano passado, um produtor propôs a turnê.
“No início, cada um fazia o próprio show”, lembra Almir. “A gente fez assim por um tempo, mas achamos muito estranho, muito impessoal. O Gabriel fazia o show com a banda dele. Aí, a minha apresentação não tinha muita lógica”, explica.
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Aos poucos, os dois juntaram instrumentos, repertórios e ideias. O resultado foi só uma banda no espetáculo com pai e filho juntos no palco. Apesar da “hierarquia familiar”, ninguém manda em ninguém, brinca Almir. Ambos têm poder de veto sobre as músicas e participaram da construção do repertório.
Há clássicos de Almir, músicas da carreira de Gabriel e releituras especiais para o encontro. Entre elas, “Amor de índio”, de Beto Guedes e Ronaldo Bastos, em arranjo de Gabriel, que ganhou nova projeção ao integrar a trilha da novela “Pantanal”, da Rede Globo.
A canção chegou a ser gravada com o maestro João Carlos Martins. No show, o piano do maestro é substituído pela viola de Almir. “Quando ele sola aquela viola, rapaz, a música fica mais linda ainda”, elogia Gabriel, que pretende registrar futuramente a nova versão.
A aproximação com Minas Gerais não termina em “Amor de índio”. Gabriel incluiu no repertório “Brisa de outono” do álbum “25 anos de música”, lançado em maio. Trata-se de parceria com Luiz Carlos Sá, que em setembro ganhará o título de cidadão mineiro na Assembleia Legislativa.
A presença de Sá no trabalho de Gabriel revela influência musical herdada de Almir.
O violeiro veterano se reconhece mais próximo do rock rural e do folk rock. Cita Sá, Rodrix e Guarabyra como referências importantes. Também não ignora a sonoridade “pouco convencional” que escutou a vida inteira em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul.
Próximo da fronteira, ouvia a combinação inusitada de música paraguaia, folk rock e rock. Dylan, James Taylor e Pink Floyd conviviam com violeiros brasileiros.
Pontapé inicial
O encontro entre Almir e Gabriel se baseia em troca e parceria. “Meu pai foi a pessoa que mais me apoiou quando comecei profissionalmente”, lembra Gabriel.
“Esses 25 anos de música, na verdade, marcam o início musical de caminhada profissional. Meu pai tem muito a ver com isso, porque ele deu o pontapé inicial”, diz.
Agora, aos 70 anos, Almir vive momento de renovação. Trabalha em novo álbum, ainda sem data de lançamento, e encontra especial prazer no processo de compor e gravar.
A turnê “Pai e filho” prevê cerca de 60 shows no Brasil e nos Estados Unidos, incluindo o Carnegie Hall, em Nova York. Conforme Almir, ele e Gabriel são “dois artistas tentando descobrir juntos o que podem fazer com aquilo que aprenderam e com aquilo que ainda têm para aprender um com o outro.”
“PAI E FILHO”
Show de Almir Sater e Gabriel Sater. Sábado (15/8), às 21h, no Arena Hall (Av. Nossa Senhora do Carmo, 230, São Pedro). Inteira: R$ 700 (cadeira prata), R$ 460 (arquibancada setor 1) e R$ 380 (arquibancada setor 2, com meia na forma da lei e ingresso solidário, com doação de 1kg de alimento não perecível. À venda na bilheteria e na plataforma Sympla.
OUTRAS ATRAÇÕES
>>> DUPLA MEDULLA
Os gêmeos Keops e Raony fazem show de lançamento do disco “No dia que tudo mudou”, nesta sexta (14/8), às 20h, no Teatro de Bolso do Sesiminas (Rua Padre Marinho, 60, Santa Efigênia). As canções transitam por jazz, ritmos brasileiros e experimentações. Ingressos: R$ 80 (inteira) e R$ 40 (meia), à venda na plataforma Sympla e na bilheteria.
>>> ELOMAR
O violeiro, cantor e compositor Elomar se apresenta domingo (16/8), às 18h, no Palácio das Artes (Av. Afonso Pena, 1.537, Centro). A turnê “O rei do fogo e do luar” une música e poesia Inteira: R$ 300 (plateia 2) e R$ 250 (plateia superior), à venda na bilheteria e Sympla. Meia-entrada na forma da lei.
>>> ORQUESTRA E PERCUSSÃO
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O grupo Percussão Circular se junta à Orquestra Sesiminas no domingo (16/8), às 17h, no Teatro Sesiminas (Rua Padre Marinho, 60, Santa Efigênia). O programa transita entre o universo sinfônico e popular, com músicas de Milton Nascimento e Os Tincoãs. Inteira: R$ 80 (setor 1) e R$ 60 (setor 2), com meia na forma da lei. Vendas na bilheteria e Sympla.
