Do Maranhão e de Minas Gerais, no reggae ou no rap, Núbia e Tamara Franklin têm algo em comum: a arte como forma de expressão e identidade. Elas são as atrações principais da segunda edição do projeto Quarta livre, nesta quarta-feira (12/8) n’A Autêntica. Antes e depois das apresentações, a DJ Bella Melina comanda a pista.
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O primeiro single da maranhense Núbia foi lançado em 2019. Em 2021, ela lançou o EP “Peso da ilha”. Em 2024, colocou na pista seu primeiro álbum, “Sabores”. De volta a BH, ela apresenta repertório baseado no reggae, em sonoridades jamaicanas e em elementos da musicalidade regional maranhense. Em sua trajetória, Núbia leva em conta temáticas como negritude, gênero, sexualidade, ancestralidade e pertencimento.
É nesse ponto em que ela se encontra com a mineira Tamara Franklin. A cantora e compositora apresenta o show “Mala”, derivado da gíria “malado”, que significa algo “muito bom” ou uma pessoa estilosa. A discografia de Tamara inclui os álbuns “Anônima” (2015) e “Fugio - Rotas de fuga pro aquilombamento” (2020). Seu mais recente lançamento foi o single “Donos dos danos”, em junho passado.
“É um repertório novo, com lançamentos, buscando celebrar a mulher que me tornei ao longo da trajetória. É um show em que aposto bastante na força da voz. Os arranjos estão girando em torno dos arranjos vocais e com um discurso que traz questões com as quais sou comprometida, como a luta racial, as discussões de gênero e as lutas a respeito dos territórios periféricos”, afirma. Para ela, o show é político: “É essa política que a gente faz também na festa, com swing, dançando e sorrindo.”
HIP-HOP DESDE A INFÂNCIA
De Ribeirão das Neves, Região Metropolitana de BH, Tamara escreveu seu primeiro rap aos 8 anos, na década de 90. Nessa época, o rap nacional vivia ótima fase, com discos como “Sobrevivendo no inferno”, do Racionais MC’s, lançado em 1997. A cultura do rap estava muito forte nas comunidades.
“Foi um momento muito importante para o rap nacional, da verdade nua e crua, não gosto dessa expressão, mas é dar voz para essas populações e pelos atravessamentos de quem vivia na periferia. É um momento em que o rap se assume enquanto um porta-voz muito importante das pautas do movimento negro”, diz.
Tamara Franklin é responsável pelo projeto HIP HOPsique, que abrange oficinas, rodas de conversa, conteúdos para as mídias sociais e pesquisas que envolvem a cultura do hip-hop, psicologia, psicologia africana e caminhos de reflexão sobre subjetividade e conhecimento sobre a diáspora.
“Meu encontro com a psicologia africana mudou muito a minha vida. Esse encontro com as formas e a importância da cultura dentro da oralidade, da música, das expressões culturais desses povos me fez enxergar de uma maneira melhor o que a cultura do hip-hop herda desses povos que foram trazidos no período do tráfico negreiro. O hip-hop se firma como uma estratégia de sobrevivência desses povos e de manutenção para que nossas formas de expressão não se perdessem.”
Segundo Tamara, um novo trabalho deve ser lançado ainda neste ano. A artista usa de inspirações da cultura jamaicana e do reggae para criar dentro da cultura do hip-hop. As músicas não lançadas, inclusive, também compõem o repertório da apresentação desta quarta-feira.
QUARTA LIVRE
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Nesta quarta-feira (12/8), n'A Autêntica (Rua Álvares Maciel, 312, Santa Efigênia), a partir das 19h. Entrada gratuita. Metade dos ingressos disponíveis mediante retirada através da plataforma Shotgun, outra metade distribuída na bilheteria do local a partir das 18h45 por ordem de chegada.
