Crianças saem da exposição “Asa de papel”, no CCBB-BH, fascinadas pelos personagens de Marcelo Xavier. Muitas perguntam pelos livros que deram origem às instalações. Mas, ao fim do percurso, não há exemplares para folhear. Tampouco uma livraria onde eles possam ser comprados.
Em cartaz desde 1º de julho, a mostra funciona como convite à imersão na produção literária do homenageado. No saguão de entrada, personagens criados por Xavier recepcionam o público. Na sequência, os visitantes chegam à instalação “Asa da palavra”, túnel formado por superfícies espelhadas, letras suspensas e paisagens sonoras que remetem ao universo do artista mineiro.
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O percurso se desdobra em diferentes ambientes inspirados em livros marcantes, combinando instalações, videografias, objetos, desenhos, esculturas, sons e experiências interativas.
Foram escolhidos oito títulos de Xavier para formar o conteúdo e o conceito da mostra. A ausência dos livros foi escolha curatorial. “Sobretudo, pautada na crença de que o livro pode ser espaço vivo de invenção. O conceito de livro expandido estrutura o desenho curatorial. Sem se limitar ao formato convencional desse suporte, a mostra propõe sua reinvenção como experiência ampliada de leitura”, explica o curador Marconi Drummond.
Nova leitura
De acordo com ele, a exposição procurou não apenas apresentar o livro como objeto, mas fazer com que seus elementos constitutivos transbordassem para a espacialidade da galeria.
Personagens dos livros de Marcelo Xavier saltam das páginas para o espaço expositivo da galeria de arte
“Personagens, imagens, palavras, sons e matérias ganham corpo e escala, convidando o visitante a sobrevoar as histórias por outros sentidos e caminhos. Em vez de simplesmente folhear livros, a proposta foi criar a sensação de atravessá-los”, acrescenta.
Entre as obras contempladas estão “O dia a dia de Dadá”, “Tem de tudo nesta rua”, “Truques coloridos”, “Se criança governasse o mundo”, “Festas”, “Mitos”, “Crendices e superstições” e, claro, “Asa de papel”, que dá nome à exposição.
“O foco da mostra é exatamente estimular a leitura”, destaca Marcelo Xavier. “O livro enquanto objeto está sendo relegado por outras mídias, está ficando à margem. Então, a exposição convida à brincadeira a partir da expansão do livro e do que ele aborda”.
Massinha colorida é a matéria-prima utilizada por Marcelo Xavier
“Asa de papel” foi pensada para ser experimentada com todos os sentidos. Entre os destaques estão “Gabinete MX”, museu afetivo do artista composto por fotografias, desenhos, objetos pessoais, sons e memórias, e a sala que reproduz uma floresta, com bichos, lendas e mistérios, dedicada ao universo de Mestre André, personagem que costura a trilogia formada pelos livros “Festas”, “Mitos” e “Crendices e superstições”.
Contudo, ainda falta o elo entre a experiência expositiva e o acesso aos livros, reconhece o curador Marconi Drummond.
“Quando a criança sai da exposição com vontade de continuar a história, isso revela que a mostra cumpriu uma função importante: despertar, ampliar e reforçar o desejo de leitura”, afirma. “No entanto, seria muito significativo que essa experiência pudesse se prolongar em espaços de leitura, bibliotecas, livrarias ou ações de circulação dos livros pela cidade, permitindo que o encontro com a obra de Marcelo Xavier continuasse para além da visita”.
Livraria fechada
Até 2021, havia uma livraria dentro do CCBB-BH. No entanto, ela encerrou as atividades devido aos impactos financeiros e inviabilidade operacional causados pela pandemia.
As publicações de Xavier podem ser encontradas nas plataformas de e-commerce e também na Livraria Ramalhete, na Savassi. Alguns títulos devem ser reeditados em breve e retornarão com mais força ao mercado editorial.
O próprio escritor indica por onde começar. “‘Asa de papel’, que dá nome à exposição, é uma boa”, recomenda. Lançado em 1993, traz fotografias de personagens e objetos moldados em massa plástica. A cada página, eles surgem em diferentes situações.
“Também não poderia deixar de citar ‘Tot’, que trata da liberdade de criar na arte, e ‘Se criança governasse o mundo’”, cita.
“ASA DE PAPEL – MARCELO XAVIER”
Exposição em cartaz até 12 de outubro, no CCBB-BH (Praça da Liberdade, 450, Funcionários). Visitação de quarta a segunda-feira, das 10h às 22h. Entrada franca, com retirada de ingressos no site do CCBB-BH ou na bilheteria.
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