Dez anos depois de sua última edição, a mostra “1, 2 na dança” retorna ao calendário cultural de Belo Horizonte. Desta quinta-feira (6/8) a domingo (9/8), o Teatro Marília recebe coreografias de artistas de diferentes gerações e discussões sobre os rumos da dança contemporânea.

Criada em 2004 por Jacqueline de Castro e Wagner Tameirão, a mostra nasceu com o objetivo de incentivar a circulação de solos e duos de dança contemporânea quando bailarinos começaram a deixar as grandes companhias para investir em trajetórias independentes.

A mostra ficou em cartaz por 12 anos e saiu de cena em 2016 diante das mudanças nas políticas de financiamento da cultura. Agora, retorna graças a recursos da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB).

Laura de Castro, diretora da mostra, diz que o contexto atual é bastante diferente daquele de 22 anos atrás. “Antigamente, festivais tinham mais recursos e conseguiam trazer curadores de outras cidades. Eles assistiam aos espetáculos e levavam trabalhos para outros lugares. Muitos festivais acabaram. Conseguimos voltar agora por causa da PNAB”, afirma.

A nova edição reúne apenas trabalhos interpretados por mulheres, combinando artistas que participaram das primeiras edições com bailarinas selecionadas por convocatória nacional. Entre as convidadas estão Aline Corrêa, Cibele Maia, Maria Alice Poppe, Rosa Antuña e Denise Stutz. A programação contempla artistas de Minas Gerais, São Paulo e Mato Grosso do Sul escolhidas por edital.

“Uma das coisas mais bonitas foi perceber a conversa entre gerações. A Denise Stutz, com trajetória consolidada, divide a programação com artistas que estão estreando trabalhos. Essa combinação acabou enriquecendo muito a mostra”, diz Laura.

A abertura, nesta quinta-feira (6/8), reunirá as coreografias “Bestiário”, de Cibele Maia, e “Celeste”, de Maria Alice Poppe. No domingo (9/8), o encerramento terá “Choráspitanga”, de Isabela Guerra e Mariana Chalfum, e a estreia de “Anteato”, de Morena Nascimento.

Laura de Castro afirma que realizar o evento no Marília, onde funciona o Centro de Referência da Dança de Belo Horizonte, também é uma forma de aproximar o público do teatro, que, apesar da localização central, ainda passa despercebido ao belo-horizontino.

Mesa de debates

Além de espetáculos, a programação prevê para sábado (8/8) a mesa “E os festivais de dança no Brasil? Atualizações e urgências para construção de um novo tempo”, que reunirá artistas, produtores e agentes culturais para discutir financiamento, circulação e permanência dos festivais no país.

A intenção, segundo Laura, é que o evento volte definitivamente à agenda cultural de BH. “A vontade é de que a mostra continue. O desafio é conseguir recursos para fazer isso acontecer”, diz.

“1, 2 NA DANÇA”

Mostra de dança contemporânea. De quinta-feira (6/8) a sábado, às 20h, e domingo (9/8), às 19h, no Teatro Marília (Avenida Professor Alfredo Balena, 586, Santa Efigênia). Entrada franca, com retirada de ingressos na plataforma Sympla ou na bilheteria, duas horas antes do início de apresentação. Agenda completa no Instagram (@umdoisnadanca).

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