Morre o poeta e jornalista Luis Turiba, aos 76 anos
Pernambucano radicado na capital federal foi criador da revista Bric-a-Brac e vencedor de dois Prêmios Esso
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O poeta e jornalista Luis Turiba faleceu em Salvador nesta quarta-feira (26/8), aos 76 anos. Nascido em Pernambuco no ano de 1950, o escritor mudou-se para Brasília em 1978, cidade que mais tarde lhe concedeu o título de Cidadão Brasiliense em reconhecimento aos seus serviços prestados à cultura local. Ele deixa cinco filhos e seis netos.
Batizado Luiz Artur Toribio, começou a carreira de repórter aos 23 anos no Rio de Janeiro, passando por O Globo e pela editora Bloch/Manchete, antes de seguir para a sucursal da Gazeta Mercantil na capital federal. Ao longo de sua trajetória no jornalismo, cobriu grandes marcos nacionais, como as obras da Transamazônica e o garimpo de Serra Pelada, além de acompanhar integralmente a campanha presidencial de Tancredo Neves e suas viagens internacionais, ocasião em que entrevistou o escritor argentino Jorge Luis Borges.
Em Brasília, Turiba conquistou duas vezes o Prêmio Esso de Jornalismo: a primeira no Jornal de Brasília, relatando o encontro de seu então estagiário Renato Manfredini (Renato Russo) com o ministro Delfim Netto; e a segunda pelo Correio Braziliense, em cobertura coletiva sobre a regularização de áreas públicas.
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Em 1985, o jornalista integrou a assessoria de imprensa do recém-criado Ministério da Cultura e voltou a atuar na pasta entre 2002 e 2005 como assessor de comunicação na gestão do então ministro Gilberto Gil, período em que ajudou na concepção dos Pontos de Cultura e realizou documentários como Gil na ONU e A Capoeira no Mundo.
Sua trajetória literária começou oficialmente em 1977, com a publicação do livreto de poesias Kiprokó. Mais tarde, em 1998, sua produção artística ganhou notoriedade ao conquistar o Prêmio Candango de Literatura, concedido pelo Governo do Distrito Federal, pelo lançamento do livro-CD Cadê.
Para Turiba, escrever poesia era exercício de concisão, habilidade que ele adquiriu graças aos 32 anos de jornalismo. "Por se jornalista, meus poemas têm visão muito jornalística, de cena, de objetividade, de refletir um cotidiano. Quase que cinematográficos", define em entrevista ao Correio em 2018. Ele já atuou na cobertura de política, de cultura e até de guerra.
Anistia
Em decisão unânime em 21 de agosto de 2024, a Comissão de Anistia do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDH) concedeu anistia política e oficializou o pedido de desculpas a Turiba.
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Em entrevista ao Correio, Turiba contou que decisão da comissão é memorável. "Eu me emocionei bastante com a técnica do governo de pedir desculpas por tudo o que o Estado fez com você, com a sua geração, reconhecendo que houve abusos e que a sociedade brasileira já reconheceu há muito tempo", pontuou.