‘Fúria’ introduz novidades na fórmula das séries de detetive
Protagonizada por mulheres, produção do Disney+ se revela um thriller complexo, com personagens assombradas por traumas em meio a investigações de assassinatos
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Detetive tenta capturar assassino em série, enquanto sua vida – profissional e pessoal – desmorona. Tal premissa é muito manjada em qualquer produção de serial killer. Mas eis que chega “Fúria”, novidade do Disney+. E a velha narrativa ganha outros contornos. Para começar, o drama policial foi criado e é protagonizado por mulheres.
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Elizabeth Meriwether (“New girl” e “The dropout”, também com personagens femininas à frente) é responsável pela história que coloca uma agente do FBI atrás de uma assassina de homens. Alice Black (Emmy Rossum) é detetive especialista em homicídios da polícia de Nova York recém-chegada ao FBI. Ignorada pelos colegas homens, diante dos rumores de um relacionamento que acabou mal com outro policial, passa suas horas como operadora da linha direta da agência.
A outra protagonista da trama é uma jovem. Catherine (Lola Petticrew) começa a história numa noite de Halloween. Com uma máscara de gato, ela abre a porta para uma criança que pede doces. Quando vai buscar as guloseimas, entrevemos na casa um homem paralisado. Ela entrega os doces e retorna para a vítima. No dia seguinte, o corpo é encontrado.
Alice se depara com o caso e percebe que ele está ligado a outro, ocorrido um ano antes. Logo ela vai se envolver na investigação. E não demora também para que Catherine cometa outro assassinato semelhante. Sempre utilizando uma máscara para não ser reconhecida por câmeras de segurança, a jovem adota o mesmo método em todos os assassinatos. Na medida em que a investigação avança, as razões de Catherine são apresentadas e ficamos sabendo por que todas as vítimas são homens poderosos.
Agente do FBI e assassina têm mais em comum do que parece. Alice tem em seu passado um trauma que a deixou isolada e com dificuldades de seguir em frente. Ela se ampara no único amigo na polícia de Nova York, Danny Kelly (Scoot McNairy), e lida com repercussões como a dificuldade de tomar banho – ato relacionado ao trauma.
Alice mantém encontros românticos unicamente com homens que conhece on-line. Invariavelmente, a relação termina com ela pedindo que eles batam nela.
Fica claro que a policial vê em Catherine, a mulher que persegue a todo custo, uma versão psicótica de si mesma. A trama inclui uma terceira personagem feminina, a agente do FBI Norah Washington (Quincy Tyler Bernstine), a superior de Alice. Ela também tem seus próprios problemas. Alcoólatra, endurecida por anos de investigação de crimes contra menores, comanda o departamento do porão – um lugar de párias, onde Alice acaba se encontrando.
O impacto do trauma e o custo da vingança desmedida, os temas centrais do drama policial, vão desembocar em um thriller complexo, bem acima da média. Boas atuações, e reviravoltas ao final de cada episódio seguram o espectador neste jogo de gato e rato em que todos têm seus esqueletos no armário.
“FÚRIA”
• Série do Disney+. Quatro episódios (de oito) estão disponíveis. Novos episódios às segundas.
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