Com cerca de 30 anos de carreira e cinco álbuns lançados, a cantora Patrícia Ahmaral lança o EP “Nem musa nem pavão”, seu primeiro trabalho dedicado exclusivamente à composição. Com seis faixas, a produção é assinada pela contrabaixista paulista Gigi Magno.

Desde o disco “Vitrola alquimista” (2004), Patrícia vem gravando pontualmente uma ou outra canção feita por ela. Na pandemia, soltou três singles assim.

“É a primeira vez que faço um projeto mais amplo dedicado exclusivamente a composições minhas. Não costumo chamar de autoral, porque acho que tudo é autoral. À medida que você coloca a sua arte, sua leitura, para a música que não é sua, para um texto de teatro que não é seu, todo trabalho é autoral”, defende.

Algumas faixas do EP surgiram durante a pandemia, como “Onde a brasa mora” e “Uma mulher”. Outras, mais recentes, vieram no momento em que ela decidiu lançar o EP, caso de “Musa nem pavão”, “Você (Mente)” e da vinheta “Reset and dance”.

Já “Lálálálá likes” foi coproduzida durante a crise sanitária pelo baixista e produtor Thiago Corrêa. “Quis muito que esta música viesse para o trabalho. A gente a incluiu, ele finalizou a produção e coloquei a voz definitiva”, relembra.

Patrícia conheceu a produtora Gigi Magno quando morou em São Paulo. As duas participaram de uma banda feminina dedicada aos Beatles chamada As Queridinhas da Rainha. “Infelizmente, o grupo não sobreviveu à pandemia, mas o projeto está em stand by e espero que volte”, afirma.

Gigi ajudou Patricia a gravar vozes do projeto da mineira dedicado ao compositor e poeta Torquato Neto, realizado de 2022 a 2024. “A gente criou um vínculo muito bacana de trabalho e amizade. Quando fui produzir o EP com as minhas músicas, ela me incentivou”, revela.

Cinco faixas foram produzidas por Gigi. A de número seis contou com a colaboração dela, com produção base do DJ Comum, nome do hip-hop de São Paulo.

Objetificação

As letras de Patrícia abordam temas contemporâneos. “Elas falam um pouco sobre o feminino e a objetificação da mulher. Enfim, é uma reflexão sobre o papel da mulher, a opressão... Falo também sobre as redes sociais, do sofrimento emocional que a maioria de nós partilha por conta da pressão pela performance nas redes”, comenta.

Outro tema é a propagação da mentira como modus operandi na sociedade. Porém, a mensagem da cantautora mineira é afirmativa. “Falo da capacidade de ser resiliente, da fé na vida, mas de forma muito poética. (O repertório) É mais poético que panfletário, e a sonoridade está bem forte”, diz.

A assinatura de Gigi está nos instrumentos acústicos em diálogo com processamento e programações eletrônicas, mas de forma artesanal. “Explorei muito a minha tessitura vocal. A gente criou muitos vocais e há várias camadas sobrepostas.”

Contando que não toca violão muito bem, ela prefere compor à capela. “Faço a letra e a melodia e depois recorro ao violão para tirar as harmonias. Às vezes, as músicas ficam ali, só melodias e letras para serem trabalhadas posteriormente. A Gigi contribuiu com várias harmonias”, explica.

De volta a Belo Horizonte há cerca de três anos, Patrícia vem fazendo shows e ainda não programou apresentações para lançar “Nem musa nem pavão”.

“No momento, estou trabalhando nas redes para que o trabalho tenha alcance maior e atinja o máximo de pessoas”, explica a cantora e compositora. “É um projeto que fiz com muito carinho, estou muito feliz por dizer as coisas a partir da minha poesia, a partir da minha melodia”, diz.

“Foi um projeto construído a muitas mãos, com muita dedicação, muita entrega e muita verdade”, ressalta.

FAIXA A FAIXA

. “Musa nem pavão”

. “Uma mulher”
Com o poema incidental “8 de Março”, de Valéria Batista Amaral

. “Onde a brasa mora”

. “Você (Mente)”
Com o sample de “Mentira”, de Manu Chao e Radio Bemba

. “Lálálálá likes”

. “Reset and dance”
Vinheta. Participação de DJ Comum

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“NEM MUSA NEM PAVÃO”

• EP de Patrícia Ahmaral
• Seis faixas
• Disponível nas plataformas digitais

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