Projetado nacionalmente pelo malandro Olavinho do remake da novela “Vale tudo”, o mineiro Ricardo Teodoro continua conquistando seu próprio espaço no audiovisual.

Enquanto acompanha a estreia de “Jogada de risco”, série do Globoplay com os dois primeiros episódios disponíveis desde quinta-feira (23/7), o ator grava “Quem ama cuida”, novela das nove da Globo.

Os personagens não poderiam ser mais diferentes: no seriado, Walter é um agiota ligado ao futebol, enquanto Joel, do folhetim, é o chef autodidata que comanda restaurante de comida mineira.

Para interpretar Joel, Ricardo Teodoro perdeu 10kg. A decisão surgiu depois de pesquisa sobre a rotina de profissionais das panelas. “Quem trabalha em cozinha passa o dia inteiro em movimento. Está sempre em pé, carregando panela, preparando comida. Não fazia sentido o Joel ter o mesmo corpo do meu personagem anterior (Olavinho)”, explica Ricardo.

Para fazer o Joel de 'Quem ama cuida', Ricardo Teodoro perdeu 10kg

Angélica Goudinho/Globo

A mudança nem sempre parte do diretor; muitas vezes, é iniciativa do próprio ator. Em “Jogada de risco”, por exemplo, ele raspou a cabeça para viver o agiota Walter, também com a intenção de se distanciar de Olavinho.

“Isso mexe com a minha vaidade, mas gosto desse processo. Acho importante o público olhar para o personagem e não enxergar apenas o ator. Quero que apareça mais o Joel ou o Walter do que o Ricardo Teodoro”, conta.

A composição do chef Joel passou pelas lembranças da infância em Minas. Nascido em São José da Safira, Ricardo buscou referências na tia que comandava pensão no interior. O costume de manter o pano de prato sobre o ombro veio dela.

“A comida sempre foi um lugar muito afetivo para mim. Minha tia vivia na cozinha atendendo as pessoas que passavam pela cidade. Lembro-me dela com o pano de prato no ombro. Meu pai dizia que, em Minas, servir boa comida é uma forma de demonstrar carinho.”

Enquanto grava a novela, Ricardo acompanha a repercussão de “Jogada de risco”. Na série criada e protagonizada por Cauã Reymond, Walter é dono de concessionária de carros e faz agiotagem. Amigo de infância de Maurício (Cauã), ele empresta dinheiro ao ex-jogador de futebol, mas a dívida faz com que a relação entre os dois se desgaste.

“Todo mundo imagina os bastidores do futebol. A série mostra este ambiente de uma forma ficcional, mas baseada em muita pesquisa. A história pode interessar não só ao Brasil, mas ao mundo”, diz.

O trabalho marca o reencontro profissional com Cauã Reymond, com quem dividiu grande parte das cenas de “Vale tudo”. “Cauã é meu amigo pessoal. Foi um grande professor de linguagem das novelas”, afirma.

César (Cauã Reymond) e Olavo (Ricardo Teodoro): a dobradinha de trambiqueiros do remake de 'Vale tudo', exibido pela Globo em 2025

Estevam Avellar/Globo

Em “Vale tudo”, o mineiro precisou aprender a lidar com o ritmo intenso das gravações na TV. Hoje, diz estar mais seguro.

“Agora chego para gravar sem o frio na barriga da primeira novela. Gosto de propor ideias, conversar com o diretor e participar da construção do personagem. Não gosto de me sentir marionete”, revela.

Shakespeare

Ricardo Teodoro já pensa em voltar aos palcos. Sente falta do teatro, onde iniciou sua carreira, e pretende aproveitar sua projeção no audiovisual para tirar do papel o projeto de montar Shakespeare.

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A ideia é começar a desenvolver o espetáculo após o fim das gravações de “Quem ama cuida”, previsto para o início de 2027. “Sempre quis montar Shakespeare e este pode ser o momento de fazer isso acontecer”, anuncia.

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