Depois da tempestade, a bonança. O Mombojó chega aos 25 anos com “Solar”, sexto álbum de estúdio. “Depois da pandemia, a gente ficou com vontade de botar a cara no sol, dançar”, comenta o tecladista Chiquinho. As oito novas canções são embaladas por refrões inspirados e muita psicodelia.

Lançado no final de abril, “Solar” será executado quase na íntegra neste sábado (4/7), no Distrital. O quinteto do Recife, formado por Felipe S. (voz e guitarra), Marcelo Machado (guitarra e percussão), Chiquinho (teclados e sintetizador), Vicente Machado (bateria e percussão) e Missionário José (baixo), está em turnê pelo Brasil. Já tocou no Nordeste e agora chega ao Sudeste – hoje no Rio; amanhã em BH.

“Solar” é o primeiro álbum autoral desde “Deságua” (2020). Este disco, trilha sonora do filme de Luan Cardoso, foi lançado quase simultaneamente ao início da crise sanitária. Ou seja, praticamente não houve show desse trabalho. Nos pós-pandemia, o grupo se reuniu em estúdio para gravar novo álbum.

“No meio do caminho, o Felipe sugeriu que a gente lançasse um disco com o repertório do Alceu (Valença). Foi uma doideira, achamos que não ia dar certo. Tínhamos quatro dias de estúdio e conseguimos levantar o disco”, diz Chiquinho a respeito de “Carne de caju” (2024).

Respiro

Esse trabalho de intérprete, conta Chiquinho, foi importante para dar um respiro para a banda após o período de seca de shows. “O disco ajudou a furar a bolha, fizemos shows até em shopping center no Recife.” Terminada a fase, a banda retomou o projeto inicial.

“Solar” foi gravado na capital pernambucana entre 2023 e 2024. Sem pressa, a banda trabalhou do jeito que queria. E com quem queria também, diga-se. “Gravar um disco é sempre oportunidade de agregar artistas que a gente admira”, continua Chiquinho.

Letrux fez a voz de “Abaixo a realidade”, enquanto a francesa Laetitia Sadier, da banda Stereolab, participou de “Sob o vento forte”. Em 2017, o Mombojó havia gravado o EP “Summer long” com ela.

“No ano passado, a gente abriu os shows do Stereolab na Europa. Resolvemos mandar a música para ela, nossa musa inspiradora”, conta Chiquinho. “Quero amanhecer”, a faixa de abertura, começa ao som de sintetizadores, um deles assinado pelo pianista francês Anthony Malka, aka Le Commandant Couchê-tout.

“Sejam ídolos ou pessoas mais novas, a ideia é sempre tentar nova conexão”, acrescenta Chiquinho. “Canudo de luz”, faixa que fecha “Solar”, traz a voz de Sofia Freire, jovem cantora do Recife, e a bateria de Domenico Lancelotti.

Maracatu

Cantor e instrumentista de Nazaré da Mata, referência do maracatu, Nailson Vieira participa de “Em cima da areia”, talvez a canção mais fácil (no bom sentido, com letra que não sai da cabeça) do disco.

No show, a banda se resolve entre os cinco muito bem, diz o tecladista. “A gente costuma gravar um bocado, então muita coisa vira sample. Esse é um artifício que usamos com frequência.” Como já são 25 anos de história, o Mombojó vai intercalar o novo repertório com músicas de outras épocas.

Manter uma banda independente com muitos integrantes e identidade própria por tanto tempo não é fácil. “Começamos novos, com menos de 20 anos. Com ‘Nadadenovo’ (2004) ficamos conhecidos no país inteiro. Na primeira vez que tocamos em São Paulo, as pessoas já sabiam nossas músicas. Isso era coisa da internet, pois deixamos, naquela época, o disco todo disponível gratuitamente.”

Nos primeiros anos, diz Chiquinho, ninguém tinha consciência de nada. “A gente só queria tocar. Com o passar do tempo, fomos nos profissionalizando, percebendo que temos de entender as várias etapas de um trabalho. Vamos convivendo com os altos e baixos. Hoje, não somos novidade nem consagradões. Somos uma banda de médio porte, e o grande desafio é como não só a música, mas a cultura como um todo, é consumida. Acho que não perdemos a essência. É uma coisa rara, mas todos os integrantes são amigos”, finaliza.

MOMBOJÓ

Show neste sábado (4/7), a partir das 21h, no Distrital (Rua Opala, 55, Cruzeiro). Ingressos a partir de R$ 65, à venda na plataforma shotgun.live


OUTRAS ATRAÇÕES

>>>BERNARDO SANTOS TRIO

O pianista Bernardo Santos, o violinista Alexandre Mota Kanji e a violoncelista Elise Pittenger apresentam recital nesta sexta (3/7), às 20h, na Fundação de Educação Artística (Rua Gonçalves Dias, 320, Funcionários). No repertório, obras de Rachmaninoff, Grieg e Beethoven. Ingressos: R$ 40 e R$ 20 (meia).

>>>CORAL DELAS

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O sarau “Prece” reúne música, poesia e performance com o coro feminino de música popular conduzido pela maestrina Theresa Hagen. A apresentação será no sábado (4/7), às 20h, no Teatro Feluma (Alameda Ezequiel Dias, 275, 7º andar, Centro). Ingressos: R$ 60 e R$ 30 (meia), à venda na plataforma Sympla.

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