Mais de duas décadas após sua morte, Amália Rodrigues (1920-1999) segue como um dos maiores nomes da música portuguesa. A voz que ajudou o fado a ganhar reconhecimento mundial é homenageada no espetáculo "Amália Rodrigues Sinfônico", que chega a Belo Horizonte nesta terça-feira (26/5), em apresentação única no Palácio das Artes, às 20h30.

A montagem tem interpretação da cantora Anabela, sob direção do maestro francês Laurent Rossi. O espetáculo também reúne a voz original da cantora portuguesa a uma orquestra sinfônica, além de um trio tradicional de fado e projeções audiovisuais.

Nascida em Lisboa, em 1920, Amália Rodrigues trabalhou como costureira, operária fabril e vendedora de frutas, antes de se tornar artista. A estreia profissional veio em 1939 e, pouco depois, ela já ocupava palcos de teatro. Também construiu carreira no cinema, estrelando filmes como “Capas negras”, de Armando de Miranda.

“Amália Rodrigues sempre foi uma referência musical, como voz, como artista, como personalidade da cultura portuguesa”, afirma Anabela. “Ela continua a ser uma referência para mim. É a maior voz do fado”, diz a cantora. 

Com mais de quatro décadas de carreira, a cantora portuguesa mantém uma relação antiga com a obra de Amália. Em Portugal, chegou a interpretá-la duas vezes em um musical biográfico. Agora, divide o palco com a voz da própria cantora. “O mais incrível do projeto é poder fazer duetos com a Amália Rodrigues. Acho isso genial”, diz.

Idealizador do projeto, Laurent Rossi conta que a ideia surgiu durante as homenagens pelos 25 anos da morte da artista. Ligado ao universo da música clássica, ele decidiu criar uma versão sinfônica para algumas das canções mais conhecidas de Amália. “Pensei logo nesse formato, com arranjos cuidadosos de cada tema”, explica.

O maestro também queria trazer ao palco a voz original da cantora. Para isso, a equipe restaurou gravações raras e pesquisou arquivos televisivos em que Amália aparecia cantando e concedendo entrevistas. 

Além da música, o espetáculo incorpora imagens históricas da cantora e projeções inspiradas em Lisboa e no universo do fado. “É um projeto para que as pessoas lembrem ou descubram esse legado”, diz o maestro. 

Grande responsável pela internacionalização do fado, Amália percorreu mais de 60 países entre as décadas de 1950 e 1990. Para Rossi, ela ocupa em Portugal um lugar semelhante ao de Edith Piaf (1915-1963) na França. 

No repertório, clássicos como “Barco negro”, “Foi Deus”, “Cheira a Lisboa” e “Gaivota” ajudam a reafirmar a força de uma artista que segue atravessando gerações. “É importante continuarmos a levar o legado de Amália a novos públicos. Amália continua bem viva entre nós”, afirma Anabela.

"AMÁLIA RODRIGUES SINFÔNICO"

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Nesta terça-feira (26/5), às 20h30, no Grande Teatro Cemig Palácio das Artes (Av. Afonso Pena, 1.537, Centro). Ingressos à venda no Sympla e na bilheteria. Plateia 1: R$ 420 (inteira), R$ 210 (meia); Plateia 2: R$ 360 (inteira), R$ 180 (meia); Plateia Superior: R$ 280 (inteira), R$ 140 (meia).

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