“Eu não tenho nada para celebrar no 13 de maio”. A frase dita por Maurício Tizumba resume o tom da entrevista concedida pelo multiartista ao podcast Divirta-se, na semana da efeméride da assinatura da Lei Áurea e o Dia Nacional de Luta contra o Racismo. Convidado para uma edição especial em torno da data, o cantor, ator e percussionista refletiu sobre ancestralidade, religiosidade, arte negra e reparação histórica. O episódio completo está disponível no canal de Youtube do Portal Uai e no Spotify.

Ao longo da conversa, Tizumba criticou a forma como a abolição da escravidão costuma ser abordada no Brasil. Segundo ele, a libertação formal dos escravizados ocorreu sem qualquer política de inclusão social ou econômica. “Soltaram o povo preto no mundo sem dar nada”, afirmou. A discussão sobre o 13 de maio, de acordo com ele, precisa deixar de lado a ideia de comemoração e assumir um caráter de reflexão crítica.

A relação entre música e espiritualidade é o eixo da produção musical do multiartista, cujos discos sempre receberam nomes sugestivos, como “Áfricas Gerais”, “Rosário embolado” e, o mais recente, “Umbanda”, lançado em setembro do ano passado. Conhecido pela forte percussão em suas apresentações, Tizumba explora a sonoridade até no violão, que funciona em suas músicas quase como um tambor. Essa construção musical, de acordo com ele, nasce diretamente da experiência nas Guardas de Reinado, onde improviso e oralidade são fundamentais.

No bate-papo, Tizumba relembrou a infância em Belo Horizonte, marcada pelas referências do Rosário, herdadas da avó, e do Candomblé, influência da mãe. E também comentou sobre o reinado, termo que prefere usar no lugar de congado, defendendo a presença dessa tradição nos palcos e nos meios de comunicação

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“[Ainda que exista resistência de parte da comunidade religiosa à exposição pública dos rituais], ocupar espaços artísticos é uma forma de preservar e ampliar a cultura afro-brasileira”, afirmou. “Os outros povos usam a música e a mídia para falar de sua fé. Por que nós não podemos falar dos nossos orixás?”, questionou.

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