A presidente e o diretor do Festival de Cannes, Iris Knobloch e Thierry Frémaux, anunciaram, na manhã desta quinta-feira (9/4), os filmes que integram a seleção oficial deste ano. Pedro Almodóvar está na competição principal com "Natal Amargo", ao lado de "Sheep in the Box" e "Sudden", dos diretores japoneses Hirokazu Kore-eda e Ryusuke Hamaguchi, respectivamente.

Neste ano não há filmes essencialmente brasileiros na programação do festival, ainda que o país apareça como coprodutor de longas como "Elefantes da névoa", do nepalês Abinash Bikram Shah, exibido na mostra paralela Um Certo Olhar. No ano passado, "O agente secreto", de Kleber Mendonça Filho, venceu os prêmios de melhor direção e melhor ator, para Wagner Moura. O país também foi tema no Marché Du Film, espaço do evento dedicado ao mercado cinematográfico.

O Brasil teve presença recorrente em Cannes nos últimos anos, dentro e fora da competição pela Palma de Ouro. Karim Ainouz exibiu filmes como "Motel Destino", "Firebrand" e "Marinheiro das Montanhas", e Mendonça Filho "Retratos Fantasmas", "Bacurau" e "Aquarius".

O sul-coreano Park Chan-wook será presidente do júri em uma edição com fortes candidatos asiáticos. Kore-eda passou pela competição do festival em 2023 com "Monster", e saiu com os prêmios de roteiro e a Palma de Ouro Queer, dedicada a filmes com a temática LGBTQIA+. Já Hamaguchi, um dos cineastas japoneses mais conceituados da atualidade, venceu o Oscar de melhor filme internacional em 2022, com "Drive My Car".

Disputa a Palma de Ouro também "Parallel Tales", do iraniano Asghar Farhadi, vencedor de duas estatuetas do Oscar, em 2011 e 2016, por "A Separação" e "O Apartamento". Farhadi gravou o novo filme na França para evitar a censura do regime iraniano, que vem intensificando a perseguição a artistas e cineastas críticos ao governo dos Aiatolás. Sua presença na Croisette acontece depois de seu compatriota Jafar Panahi ser coroado com a Palma de Ouro no ano passado por "Foi Apenas Um Acidente", sobre a repressão no país persa.

Ecoa, neste ano, a ausência dos grandes estúdios americanos na programação. "Dia D", de Steven Spielberg, que fará sua estreia global pouco mais de duas semanas depois do festival e, por isso, era cotado como uma possível presença, não vai passar pelo evento. O lapso gerou certa decepção, já que o cineasta teve passagens memoráveis pelo festival -em 1982, "E.T.: O Extraterrestre" teve sua primeira exibição mundial na Croisette e, em 2013, Spielberg presidiu o júri que premiou "Azul É a Cor Mais Quente".

O mesmo acontece com "Toy Story 5", da Pixar, que históricamente costuma exibir seus novos títulos fora de competição, além de levar seus produtores para desfilarem no tapete vermelho francês.

Ano passado, por exemplo, "O Esquema Fenício", de Wes Anderson e representado pela Warner Bros., estava na competição principal, assim como "A História do Som", da Universal. O desfecho da franquia "Missão Impossível" ganhou uma sessão especial no festival, com a presença de Tom Cruise. Hollywood será representada, neste ano, não por filmes, mas por Peter Jackson e Barbara Streisand, que vão receber a Palma de Ouro honorária por suas carreiras notáveis no cinema.

A ausência pode ser reflexo de um período turbulento em Hollywood, marcado por fusões -como a recente compra da Warner Bros. pela Paramount-, pela ameaça das salas de cinema frente ao streaming e por bilheterias instáveis de blockbusters. Em resposta a tudo isso, estúdios têm evitado se arriscar com novas histórias, optam por investir em franquias e remakes.

Cannes é conhecido por ser um espaço favorável à crítica, algo que filmes caros podem querer evitar nesse momento. Passar por um festival também contraria a estratégia do efeito surpresa, na qual alguns estudios tem se apoiado, que pretende evitar qualquer spoiler.

A falta de filmes de estúdio já era prevista por Frémaux, que se antecipou em entrevista à Variety, revista americana de entretenimento, no mês passado. "Quando os estúdios de Hollywood acreditam que a presença em Cannes é benéfica para eles, eles vêm. Em termos quantitativos, os estúdios estão produzindo menos blockbusters e menos filmes de autor do que no passado", disse.

O cinema americano independente, porém, está presente na seleção do festival. Ira Sachs disputa a Palma de Ouro com "The Man I Love", e a compatição paralela Um Certo Olhar terá o terror lésbico "Teenage Sex and Death at Camp Miasma", de Jane Schoenbrun, com Hannah Einbinder, estrela da série "Hacks", e Gillian Anderson.

Andy Garcia exibirá seu primeiro filme como diretor, "Diamond", fora de competição. John Travolta, estrela de "Greese" e "Pulp Fiction", também estréia na direção com "Propeller One-Way Night Coach", que terá sua premiere no evento junto com "Kokurojo: The Samurai and the Prisoner," novo filme de Kiyoshi Kurosawa.

Entre as sessões especiais, também paralelas à competição principal, destacam-se o documentário sobre John Lennon de Steven Soderbergh e "Avedon," Ron Howard.

Competição oficial

"Minotaur", Andrey Zvyagintsev

"The beloved," Rodrigo Sorogoyen

"The man I love", Ira Sachs

"Fatherland", Pawel Pawlikowski

"Moulin", László Nemes

"Stories of the Night", Léa Mysius

"Fjord," Cristin Mungiu

"Notre Salut," Emmanuel Marre

"Gentle monster", Marie Kreutzer

"Nagi notes", Koji Fukada

"Hope", Na Hong-Jin

"Sheep in the box", Hirokazu Kore-eda

"Sudden", Ryusuke Hamaguchi

"Garance", Jeanne Herry

"The Unknown," Arthur Harrari

"The dreamed adventure", Valeska Grisebach

"Coward", Lucas Dhont

"La bola negra", Javier Ambrossi e Javier Calvo

"A woman's life," Charline Bourgeois-Taquet

"Parallel tales"', Asghar Farhadi

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"Natal amargo", Pedro Almodóvar

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