O timing é perfeito para o lançamento de “A Noiva!”, que chega hoje (5/3) aos cinemas. Jessie Buckley, favoritíssima ao Oscar de Melhor Atriz por “Hamnet”, interpreta mais uma mulher que domina a cena no universo masculino. A obra de Mary Shelley (1797-1851) voltou com tudo desde a adaptação de “Frankenstein”, de Guillermo del Toro, em 2025.

Além disso, a nova versão de “O morro dos ventos uivantes” reforçou o interesse por narrativas góticas com pegada pop. Se Del Toro enfatizou o drama e a fidelidade ao texto original, Maggie Gyllenhaal, em seu segundo longa-metragem, fez o inverso. Criou sua própria história (o roteiro é também assinado pela atriz e diretora) não a partir da literatura, mas do cinema.

“A noiva de Frankenstein” (1935), primeira sequência da franquia “Frankenstein” (1931), foi o ponto de partida da diretora. Em recente entrevista ao Los Angeles Times, Maggie contou que a tatuagem de Elsa Lancaster (atriz que interpreta a personagem no filme) no antebraço de uma pessoa a levou a assistir ao longa e a investigar a obra de Shelley.

A ideia, desde o início, foi procurar questões que a escritora inglesa poderia ter tratado não tivesse morrido aos 53 anos, vítima de tumor cerebral. É justamente este o ponto de partida do filme, o primeiro de Maggie por um grande estúdio, a Warner.

Estreia

Além de Jessie Buckley, que recebeu sua primeira indicação ao Oscar por “A filha perdida” (2021), e da estreia de Maggie na direção, o longa conta outros nomes estelares. Christian Bale é Frankenstein, monstro solitário que urge por contato humano; Annette Bening a cientista que dá vida à Noiva; Penélope Cruz a detetive nata que não consegue ingressar na carreira pelo fato de ser mulher.

Peter Sarsgaard e Jake Gyllenhaal, marido e irmão de Maggie, interpretam, respectivamente, o policial que sabe que o faro de investigação pertence à sua subordinada e o astro da era dos musicais, herói de Frankenstein.

“A Noiva!” é arriscado, exagerado e extravagante, sem medo de atirar em várias frentes. Fantasia feminista, traz três grandes personagens mulheres, mais assertivas do que os colegas homens. Há drama, amor e muita violência de gênero.

Chicago dos anos 1930

Nessa reinvenção, a história é ambientada na Chicago dos anos 1930. No prólogo, em preto e branco, assistimos à própria Mary Shelley, interpretada por Buckley. Em um desvario post mortem, ela lamenta que sua criação literária tenha ficado incompleta.

A história começa efetivamente em uma boate, onde um grupo ruidoso – mulheres muito jovens e homens claramente ligados à máfia – se diverte movido a álcool e sugestões sexuais. Ida (Buckley) é uma das mulheres. O espírito de Shelley como que se apodera do corpo de Ida, alterando sua personalidade de forma tão drástica que as pessoas ao redor reagem com violência. A queda de uma escada põe fim à vida da moça.

Paralelamente, uma figura estranha e mascarada provoca temor e asco por onde passa. É Frankenstein, que sabe muito bem aonde quer chegar. Vai até o consultório de Dr. Euphronious, cientista que realiza estudos sobre trazer mortos à vida.

Surpreso pelo doutor, na verdade, ser mulher, não faz rodeios: quer uma companheira. O monstro é de sinceridade tocante quando revela que o aperto de mão que a cientista lhe deu foi o primeiro que recebeu em toda sua existência.

Frankenstein, em seu desvario, convence a cientista. Os dois encontram o corpo de Ida e o recuperam. Quando desperta, ela não tem memória e carrega uma tatuagem estranha no rosto, que vai virar sua marca. Inocente e rebelde em igual medida, a Noiva acaba, aos poucos, criando vínculos com Frankenstein.

Foragidos da polícia após incidente que resultou em dois mortos, os dois iniciam uma jornada pelos Estados Unidos. As ações da Noiva começam a inspirar outras mulheres, que a enxergam como símbolo contra o machismo e as convenções.

Bonnie e Clyde são a referência central dos personagens, mas há um quê de Lee Quinzel (a personagem de Lady Gaga em “Coringa 2”) na caracterização da protagonista.

Outra referência cinematográfica, aqui mais em tom de homenagem, é a sequência de dança protagonizada por Bale, com interpretação de “Puttin’ on the Ritz”. Foi tirada de “O jovem Frankenstein” (1974), filme de Mel Brooks.

Exagero

Sobre o elenco principal, Bale está comovente e Buckley, em especial quando encarna Shelley, é de um exagero cansativo.

Quando o filme entra no modo trem descarrilado, dado o excesso de situações, “A Noiva!” se desvia de questões centrais: a dificuldade do mundo em lidar com a diferença e entender a mulher que se recusa a existir apenas para satisfazer outra pessoa. 

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“A NOIVA!”

EUA, 2026, 126min. De Maggie Gyllenhaal, com Jessie Buckley, Christian Bale, Penélope Cruz, Peter Sarsgaard. Estreia, com cópias dubladas e legendadas, nos cines BH, Big, Boulevard (incluindo Imax), Cidade, Contagem, Del Rey, Diamond, Estação, Itaupower, Minas Shopping, Monte Carmo, Norte, Pátio, Ponteio, UNA Belas Artes e Via Shopping.

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