Em meados da década de 1980, Gilberto Gil aproveitou uma febre para compor “Febril”. A canção, lançada no álbum “Dia Dorim noite neon” (1985), nasceu desse estado físico alterado do baiano, o que ajuda a explicar o clima meio onírico, meio delirante da letra e da melodia. O próprio Gil já comentou em entrevistas que a música surgiu nesse contexto.
Agora, o cantor e compositor Sanducka narra essa história antes de interpretar a canção no show marcado para esta quarta-feira (25/2), às 18h30, no Teatro Feluma.
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A apresentação inaugura o projeto Quarta Musical, que prevê shows mensais do artista a preços acessíveis (R$ 20 e R$ 10). No repertório, Sanducka repassa diferentes fases da MPB, trazendo curiosidades a respeito do processo de composição de cada música. Nesta quarta, o setlist contará com canções de Ivan Lins, Vinicius de Moraes, Gilberto Gil, Djavan, Milton Nascimento e Gonzaguinha.
“Quase todas as canções foram esquecidas pelo grande público, embora sejam maravilhosas”, afirma Sanducka, destacando que a proposta do show não é nostalgia, mas reflexão.
“A ideia é fazer com que as pessoas saiam do teatro entendendo como aquela música foi feita e sentindo todas as emoções que ela é capaz de provocar”, afirma.
Causos e canções
A cada apresentação (seis, até julho), o mineiro promete destacar ao menos duas ou três histórias de canções do repertório.
Hoje, além de contar curiosidades sobre “Febril”, vai lembrar que “Começar de novo”, de Ivan Lins e Vitor Martins, foi tema de abertura do seriado “Malu Mulher” (TV Globo), marco da televisão brasileira ao discutir a emancipação feminina no fim dos anos 1970.
Mais que cantor, Sanducka se considera intérprete. A origem dessa identidade está na infância, em Araguari, no Triângulo Mineiro, ouvindo a mãe cantar Dolores Duran e Elizeth Cardoso enquanto cuidava da casa.
A profissionalização chegou aos 19 anos, quando ele venceu festival de música promovido pela TV Alterosa. “Foram mil inscrições no estado inteiro. Eu era muito novo, não tinha dimensão do que estava acontecendo. Ali, toquei com profissionais de alto nível, como o Carlos Bolão (percussionista que trabalhou com Caetano Veloso). Sem contar que quem fez o show de encerramento foi o 14 Bis. Ou seja, consegui criar amizades e conexões fundamentais no meio artístico devido àquele festival”, lembra Sanducka.
Figura recorrente nas noites de Belo Horizonte, o músico consolidou sua estética ajustando o violão à própria voz e mantendo a linguagem da MPB. Em suas versões, arranjos dialogam com as gravações originais, ainda que tenham a assinatura autoral.
Acompanhado por bateria, baixo, piano, violão, guitarra e violoncelo, Sanducka só pegará no violão para interpretar três das 13 músicas do repertório de hoje.
Embora o foco do primeiro show da Quarta Musical seja a MPB, os próximos encontros devem incorporar canções autorais de Sanducka. Entre elas, faixas do álbum “Águas”, em fase final de produção e com previsão de lançamento este ano.
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QUARTA MUSICAL
Show de Sanducka. Nesta quarta-feira (25/2), às 18h30, no Teatro Feluma (Alameda Ezequiel Dias, 2.754, 7º andar, Centro). Ingressos: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia), à venda na plataforma Sympla e na bilheteria. Informações: (31) 3248-7250.
