Maya Rudolph (ao centro), atriz e produtora-executiva de "Fortuna", diz que "é muito divertido fingir" viver no mundo dos super-ricos -  (crédito: Apple/divulgação)

Maya Rudolph (ao centro), atriz e produtora-executiva de "Fortuna", diz que "é muito divertido fingir" viver no mundo dos super-ricos

crédito: Apple/divulgação

 

A primeira piada da série “Fortuna”, cuja segunda temporada estreia na próxima quarta-feira (3/4), na Apple TV+, vem do ambiente onde a história circula. É uma comédia sobre bilionários das big techs produzida justamente por uma delas, a Apple. A despeito de cenários e situações improváveis para quase a totalidade do planeta, a narrativa tem sua dose de humanidade.

 

Palco para a atriz e comediante Maya Rudolph, de 51 anos, desfiar sua verve bem-humorada e inteligente – uma só contração do rosto é capaz de provocar risadas –, parte de uma premissa comum a qualquer mortal. Após 20 anos de casamento estável, Molly Novak (Maya) se divorcia. A razão é também bastante ordinária: traição.

 

O bilionário da tecnologia John Novak (Adam Scott, que já fez um monte de bons maridos no cinema e na TV, agora encarna um adorável cafajeste) a trai com sua assistente, Molly descobre em sua festa de 45 anos. O divórcio é inevitável. Só que ela sai da separação como a segunda mulher mais rica do mundo, com uma fortuna de US$ 87 bilhões.

 

Bem-intencionada, mas vivendo totalmente fora da realidade, a personagem não tarda a descobrir que tem uma fundação beneficente. Molly decide assumi-la. Volta a usar o nome de solteira, Molly Wells, e se torna a presidente da Wells Foundation.

 

 


Virada benemérita

 

Nesta virada filantrópica, ela se aproxima dos funcionários da instituição, comandada pela mal-humorada e perfeccionista, porém justa, Sofia (Michaela Jaé Rodriguez, atriz trans que alcançou o devido reconhecimento com a série “Pose”). Este é o cenário geral da série. A temporada inicial, lançada em 2022, falava da jornada de transformação da personagem.

 

O mote do segundo ano foi anunciado no final do primeiro. Molly decidiu doar toda a sua fortuna para quem realmente precisa. E rico que é rico sabe bem multiplicar os pães: bons investimentos fizeram o valor atingir US$ 120 bilhões. Concomitantemente a esta tarefa, que ela descobre ser muito mais complicada do que imaginava, seguimos a personagem em sua nova vida.

 

“Aprendemos na segunda temporada que Molly é uma pessoa genuinamente boa, apesar de suas notas meio dissonantes. Ela somos nós, de muitas maneiras. A vida está mudando drasticamente e tudo o que sabia está sendo questionado. Ou seja: ela tem de se perguntar quem é, e acho que nós passamos pela vida nos fazendo as mesmas perguntas”, afirma Maya, também produtora-executiva da atração.

 

“Fortuna” foi criada pela dupla Alan Yang e Matt Hubbard, que assinou “Forever” (2018), outra série estrelada por Maya. Os dois foram roteiristas de “Parks and recreation” (2009-2015), sátira política que deu fama a Amy Poehler (outra estrela do humor que, a exemplo de Maya, fez história no “Saturday night live”).

 

Yang diz que quando ele e Hubbard começaram a conceber a nova produção para Maya, era a época em que havia vários divórcios escandalosos de bilionários. “Pensamos que poderíamos criar um papel extraordinário e ainda fazer comentários sobre a sociedade em geral”, diz Yang.

 

O segundo ano de “Fortuna” deveria ter sido lançado em 2023. A produção atrasou cerca de seis meses em decorrência da greve dos roteiristas e atores de Hollywood.

 


Sala de sobremesas

 

No início da série, Molly vive numa mansão surreal – a locação foi a chamada The One, em Los Angeles. Em 2022, quando a atração estreou, a propriedade foi vendida por US$ 141 milhões. “Foi a experiência mais fascinante que eu tive em uma locação. Tanto que levei minha família para conhecer (a atriz é casada com o cineasta Paul Thomas Anderson, com quem tem quatro filhos). Ninguém conseguia acreditar que haveria uma casa com sua própria boate e sala de sobremesas”, conta a atriz.

 

Mas toda essa opulência, à exceção da mansão, claro, é pura invenção. “Os cenários parecem na TV muito mais grandiosos do que são. E também as roupas que uso: são mais baratas do que parecem. Tudo parece muito extravagante, mas na verdade não é real. É muito divertido fingir”, continua a atriz.

 


Na estreia da nova temporada, Molly mostra que tem vida mais “modesta”. Deixa a mansão e vai morar numa casa menor – claro, para os padrões de quem tem bilhões no banco. Depois da recaída com o ex no final do ano anterior, ela só quer esquecer a noite de amor.

 

“John é o maior vilão da série. Acho que o público sempre deve se lembrar de como Molly foi traída e no que passou para superá-lo. Só que o maravilhoso Adam Scott (que viu sua estrela crescer ao protagonizar “Ruptura”, a melhor produção que a Apple já lançou) é muito bom no que faz”, diz a atriz sobre a simpatia do público pelo personagem.

 

John Novak, por sinal, vai voltar com tudo no recomeço de “Fortuna” – e a piada, sem entregar muito, cala fundo nas obsessões dos bilionários da vida real Jeff Bezos e Elon Musk. 

 

“FORTUNA”


Lançamento da segunda temporada, com 10 episódios, na quarta-feira (3/4), na AppleTV+. Serão dois episódios na estreia e depois um por semana, sempre às quartas