Criada em 2001 no Recife e uma das referências da cena surgida com o manguebeat de Chico Science, a banda Mombojó rompe a tradição de lançar álbuns autorais e manda “Carne de caju” para as plataformas digitais.

 

Com oito faixas, o disco independente é um tributo a Alceu Valença, trazendo releituras de canções “lado B” do autor dos hits “Morena tropicana” e “Anunciação”.

 

Felipe S. (voz e guitarra), Marcelo Machado (voz e guitarra), Chiquinho Moreira (teclados e sintetizador), Vicente Machado (bateria) e Missionário José (baixo e sintetizador) formam o Mombojó.

 



 

Felipe S. conta que a banda desistiu de fazer agora um projeto autoral de inéditas. “Às sextas-feiras, saem centenas de músicas novas e sinto que a coisa está se tornando descartável, com as pessoas cada vez menos ouvindo um disco inteiro. Aí bateu a ideia de tentar buscar um caminho diferente. Curiosamente, veio-me à cabeça a versão do Mombojó tocando 'Amor que vai', de Alceu. Caiu a ficha”, diz o vocalista.



“Tenho muito de Alceu Valença sem que eu mesmo perceba, talvez pelo fato de nossas vozes serem diferentes. Mas tenho algo parecido com ele: escrever letras curtas e citar a natureza. Peguei muito das notas longas, esticando quando se fala a mesma palavra”, comenta.

 


 

Pé atrás

 

Os companheiros do Mombojó acharam estranho quando ouviram a proposta do tributo a Alceu. “Tínhamos até combinado com o produtor fazer um disco autoral. A princípio, o pessoal ficou com o pé atrás, mas depois todo mundo se animou, criamos até playlist no Spotify para ouvir as canções. Foi um processo divertido escolher as músicas”, relembra.

 

Desde o início, a banda se propôs a não apresentar releituras de hits. O primeiro single, “Estação da luz”, veio “porque estávamos na época em que se começa a sentir o verão no Nordeste”, explica Felipe.

 

As outras faixas exigiram pesquisa, em busca do repertório ofuscado pela avalanche de sucessos de Alceu Valença.

 

“Nos anos 1980, ele chegou a vender mais discos do que Roberto Carlos, e a gente cresceu naquela época. Nossos pais ouviam os discos de Alceu. Fazia muito sentido revisitar esta obra. Coincidentemente, lançamos nosso álbum no mesmo dia que ele”, comenta Felipe S., referindo-se a “Bicho Maluco Beleza”, tema da capa de hoje deste caderno, que chegou às plataformas na sexta-feira (26/1).

 

“Mantivemos começo, meio e fim da estrutura das músicas, mas tocamos do nosso jeito. Mudamos o ritmo de algumas, em outras é como se estivéssemos fazendo a nossa versão”, explica o vocalista.

 

 

 

A “lógica do admirador” guiou o projeto. E Felipe S. revela que revisitar Alceu Valença significa aprendizado para o Mombojó.

 

“Como nunca havíamos feito disco de intérprete, acabou se tornando um exercício de criação. Também tem peso o fato de Alceu ser compositor famoso, isso foi um desafio bacana, que está gerando coisas boas para a gente. O projeto vem nos dando um pouco mais de visibilidade, com as nossas redes sociais crescendo a cada dia. Nos fez sair do caminho óbvio, e isso chamou a atenção do público.”

 

O novo show do Mombojó foi criado para o carnaval. O lançamento de “Carne de caju” na capital pernambucana está marcado para 4 de fevereiro. “Estamos desenhando uma turnê, porém vamos aproveitar primeiro o carnaval do Recife, época em que adoramos tocar”, diz.

 

Animado, ele conta que a banda está pensando até em gravar outros compositores. “Que tal Geraldo Azevedo e Zé Ramalho? Aí fazemos o grande encontro”, brinca Felipe S., referindo-se ao projeto de sucesso que reuniu Alceu, Geraldo, Elba Ramalho e Zé Ramalho.

 

Cajueiro enfeita a capa criada por Rafael Olinto para o disco do Mombojó dedicado a Alceu Valença

Rafael Olinto/divulgação

 

“CARNE DE CAJU”


Álbum digital


Banda Mombojó


Oito faixas


Disponível nas plataformas musicais

 

REPERTÓRIO


“COMO DOIS ANIMAIS” (1982)


“CHUVA DE CAJUS” (1985)


“ESTAÇÃO DA LUZ” (1985)


“OLINDA” (1985)


“SINO DE OURO” (1985)


“ROMANCE DA BELA INÊS” (1987)


“TOMARA” (1992)


“AMOR QUE VAI” (1994)

compartilhe