Além das peças usadas pela cantora, a exposição terá cadernos em que ela anotava as referências para o seu estilo -  (crédito: Amanda Amorim / Divulgação)

Além das peças usadas pela cantora, a exposição terá cadernos em que ela anotava as referências para o seu estilo

crédito: Amanda Amorim / Divulgação

O ano caminha para o final, mas alguns espaços culturais da cidade estão em ritmo de começo. O Museu da Imagem e do Som (MIS-BH) abriu na última sexta (8/12), a exposição “Cinema: coleções e outras sensações”. Na próxima sexta (15/12), o Museu da Moda (Mumo) inaugura a mostra “Clara Nunes – Eu sou a tal mineira”.

Ambas são de longa duração – ficam em cartaz até dezembro de 2025 – e partem não só dos próprios acervos, mas também do diálogo com colecionadores e outras instituições. A exposição no Mumo é uma parceria com o Instituto Clara Nunes, de Caetanópolis.

Diretora de Museus da Fundação Municipal de Cultura, Janaína Melo diz que a mostra começou a tomar forma a partir de uma visita do museólogo Victor Louvisi à cidade natal da cantora. “Ele reconheceu o trabalho do Instituto e viu a oportunidade de construirmos uma relação com foco na moda e na maneira como Clara contribuiu para uma transformação na maneira de se vestir e se posicionar das mulheres no cenário musical brasileiro”, afirma.

Ocupando os dois andares do Mumo, os figurinos estão entrelaçados com documentos, objetos, adereços, recortes de jornais e fotografias, apresentando a trajetória da artista desde o início, até sua consagração nacional e internacional, bem como sua imbricada relação com a cultura brasileira e a religiosidade de matriz africana.


“Clara era uma pessoa extremamente organizada, o que permitiu ao Instituto em Caetanópolis reunir vasto material. Um achado dessa pesquisa, que começou em abril, é uma série de álbuns, organizados por ano, que trazem um acervo de slides com muitas referências da cultura brasileira: rendas, pinturas e outras expressões dos modos de ser e de viver da população em sua diversidade cultural. Ela era uma pesquisadora, preocupada em como trazer essa cultura para a cena”, aponta Janaína.


A diretora de Museus destaca que o projeto da exposição obedece a uma cronologia, de modo que o visitante segue um roteiro que vai desde as primeiras apresentações de Clara em Belo Horizonte até os últimos shows.


A primeira sala traz a ‘Clara mineira’, nos anos 1960, falando de sua relação com Caetanópolis, com o rádio e com o sucesso incipiente. A segunda sala traz as pesquisas da cantora para construir sua persona de palco, destacando o trabalho do primeiro estilista com quem trabalhou, Arlindo Rodrigues (outros dois profissionais contribuiriam para seu estilo: Geraldo Sobreira e Reinaldo Cabral). Esse módulo também dedica especial atenção à relação de Clara com o carnaval, o que passa pela Velha Guarda do Samba de Belo Horizonte e pela Portela, sua escola do coração.

 

EXPLOSÃO DE CORES

A terceira sala é dedicada ao musical “Brasileiro, profissão esperança”, que a cantora estrelou ao lado de Paulo Gracindo, em 1973, e que marca uma guinada do branco, do creme e dos tons pastéis para uma explosão de cores no figurino. A quarta e última sala reúne o vestuário que ela adotou nos palcos a partir de meados dos anos 1970 até o fim da vida, em 1983, com um projeto expográfico que remete à saia rodada – uma marca registrada de sua indumentária.


Janaína observa que foi necessário um processo de preparação dos itens em exposição, visto que são originais, foram usados pela cantora e têm, portanto, 40 anos ou mais desde que foram criados. “As equipes do Mumo e do Instituto Clara Nunes ainda estão fazendo esse trabalho de limpeza e de ações preventivas, para que esse figurino possa ser apresentado com o esplendor que tem, apesar de sua antiguidade”, observa.


Sobre a mostra “Cinema: coleções e outras sensações”, ela diz que partiu do contato que a curadora Soraia Nogueira Garabini teve com o acervo de Armando Sábato, um apaixonado por faroeste, que desenvolveu roteiros e dirigiu filmes do gênero em Minas Gerais. “A partir daí, convidamos outros colecionadores, cujos interesses vão desde a produção em si, o que precedeu o filme, até seus desdobramentos”, diz.


Ela salienta que o ponto de partida é o cinema, mas o que a mostra abarca é tudo o que se coleciona a partir desse imaginário, configurando-se como uma mostra “muito divertida”, que convida o público a interagir. “O colecionismo percorre o cinema em toda a sua diversidade, então tem desde câmeras até carrinhos Hot Wheels do Batman, do 007, dos Flintstones, de ‘Star Wars’, passando por uma réplica do telefone do Agente 86 (personagem do seriado e do filme homônimos)”, cita.

 

“CINEMA: COLEÇÕES E OUTRAS SENSAÇÕES”
Em cartaz no Museu da Imagem e do Som (Av. Álvares Cabral, 560, Lourdes), visitação de quarta a sábado, das 10h às 18h. Até 8 de dezembro de 2025. Entrada gratuita.

“CLARA NUNES – EU SOU A TAL MINEIRA”
A partir de sexta-feira (15/12) até 15 de dezembro de 2025, no Museu da Moda (Rua da Bahia, 1.149, Centro), visitação de quarta a sábado, das 10h às 18h. Entrada gratuita.

 

MUMO EMIS-BH

Inaugurado em 2016, o Museu da Moda de Belo Horizonte surgiu como uma evolução do Centro de Referência da Moda, criado em 2012. Tornou-se então o primeiro museu público de moda do Brasil. O Museu da Imagem e do Som de Belo Horizonte tem a missão de garantir o acesso aos acervos audiovisuais representativos da produção local, trabalhando na perspectiva de sua preservação, englobando a catalogação, tratamento, guarda, pesquisa e divulgação. A instituição conjuga suas atividades de conservação com projetos destinados ao acesso e difusão do acervo, como ações de educação patrimonial, pesquisas agendadas, mostras de filmes, exposições e oficinas de preservação.