As idas e vindas de Donald Trump
Trump erra, volta atrás e repete o erro após recuar. O errático governante tem feito esse vaivém com o Irã, Israel, Rússia, China e Brasil, entre outros
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Trump é errático. Isso já sabemos. Em determinadas ocasiões, porém, o seu comportamento ciclotímico é muito prejudicial e tem objetivos espúrios. É o que acontece com a classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas designadas e a imposição de novo tarifaço contra o Brasil. As decisões atingem empresas brasileiras e americanas que produzem no Brasil, afetam negativamente a economia. O Brasil pode adotar medidas de reciprocidade que prejudicarão ainda mais o interesse de empresas nos EUA.
Ao pedir a Trump o enquadramento das facções como terroristas, Flávio Bolsonaro mirou em Lula e atingiu o Brasil. O mesmo é verdade com uma das bandas tarifárias, de 25%, que é política e não tem justificação técnica. Esta tem a digital do senador Bolsonaro, que disse ter pedido a Trump para “empresas”. Mas ele estava taxando produtos.
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A outra foi parte de um ataque tarifário global, que atingiu China, União Europeia, Reino Unido, Noruega, Suíça e Japão, entre 86 países da lista. Os 27 países da União Europeia e outros cinco, 10% adicionais. Os demais 52, entre os quais o Brasil, 12,5%. Neste caso, é chantagem comercial para forçar novas negociações em áreas de interesse de Trump. A justificativa de que são países que não reprimem o trabalho escravo ou importam de países que usam trabalho escravo é infundada. Se tivesse assessores competentes, Trump seria informado sobre trabalho escravo de ilegais mexicanos e de outros países latinos na agricultura do seu país.
Trump é o maior risco à geopolítica global, com suas atitudes erráticas, diplomacia do preconceito e chantagem comercial. Com a aprovação indo ao chão, ele está em situação pior do que em seu primeiro mandato nessa mesma altura. Na média, sua aprovação é de 38% e a desaprovação de 57%, um líquido negativo de 19%. Internamente, caminha para a derrota nas eleições para o Congresso e vários governos de estado, em novembro.
Ele vem apostando em dois trunfos para virar as eleições a seu favor. Com um deles só exibe fracassos. As ações de política externa em busca de inimigos que supostamente ameaçam a segurança de seu país. Imaginou fazer do Irã a grande ameaça e disse que o derrotaria em uma semana. Não deu. Não sabe como terminar a guerra. O fechamento do estreito de Ormuz prejudicou o fluxo de petróleo e de fertilizantes, atingindo a economia americana. Os preços domésticos da gasolina explodiram e apertam o orçamento da classe média. Vale dizer, da maioria do eleitorado. A interrupção da cadeia de suprimentos de fertilizantes prejudica a agricultura mundial e deve provocar inflação global no preço dos alimentos, inclusive no EUA.
Gaza foi outro de seus fracassos. Apoiou a guerra de conquista de Netanyahu não apenas em Gaza, mas no Líbano. Agora, precisa ameaçar o governante de Israel que não respeita o cessar-fogo com o Irã e continua a atacar Gaza e o Líbano. Na Ucrânia, imaginou que faria Putin recuar e forçaria a Ucrânia a ceder território. A guerra continua e ele se retirou como se nada tivesse com o caso.
O outro recurso com que ele pretende manter a maioria republicana no Congresso é o redistritamento, que a Suprema Corte autorizou, ferindo a letra da lei e da Constituição. Nove estados republicanos fizeram o redesenho distrital para eliminar maiorias negras e, em alguns casos, favorecer os Republicanos em distritos de maioria branca, mas que apoiam majoritariamente o partido Democrata. É uma forma de mão-grande eleitoral autorizada pela Suprema Corte, cuja maioria de direita ele conquistou em seu primeiro mandato. Para os amantes do voto distrital, vale a pena ver como o redistritamento é fonte de manipulação do voto e de corrupção. Até agora, porém, os mais confiáveis especialistas em eleições nos Estados Unidos dizem que nem isto evitará o revés eleitoral.
Trump não tem assessores experimentados em nenhuma das áreas de políticas públicas sensíveis Na política externa, domina o radical de extrema direita Marco Rubio, cujo despreparo é notório. Essas últimas decisões contra o Brasil tiveram a participação direta de Rubio, que recebeu o senador Flávio Bolsonaro de forma muito mais calorosa do que Trump e lhe foi todo ouvidos. Rubio ofende a verdade ao dizer que o Brasil não está entre os aliados dos EUA e o alinha às ditaduras de Cuba, seu principal alvo — filho de imigrantes cubanos, ele sonha em conquistar a ilha — Venezuela e Nicarágua.
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Trump erra, volta atrás e repete o erro após recuar. O errático governante tem feito esse vaivém com o Irã, Israel, Rússia, China e Brasil, entre outros. No nosso caso, é chantagem confessa. O chefe da agência comercial da Casa Branca, USTR, Jamieson Greer, após comunicar a recomendação de novas tarifas a produtos brasileiros, disse que o objetivo é forçar o Brasil a se sentar na mesa de negociações. O Brasil nunca deixou as negociações. Trump provavelmente voltará atrás mais uma vez. Mas incertezas e ações defensivas de agentes econômicos têm custos e efeitos duráveis.
As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.
