“(...) isto é loucura, isto é insano.
Estou simplesmente ensurdecido pelo silêncio.”
( Bill Gates)

Sinto o laço das ciladas/nos estreitando o horizonte,/inundando cada instante na trapaça ilusionista./As respostas repentinas/trançadas nessa engrenagem/são memória recolhida/no vasto arsenal da escrita.
Inteligência e artifício,/se misturando ao que existe,/vão moldando as aparências /– pura pirotecnia – esculpindo gesto e fala,/caleidoscópio e magia,/a imagem vira feitiço - o irreal se fantasia.


A face dissimulada/da armadilha cobra à vista,/quando a vida vira dívida/multiplicada, vicia /e no lugar dos ofícios/surgem robôs dominantes/sob um comando invisível/que extasiando asfixia.
Infâncias se atrofiando,/ante a hipnose das telas:/o fascínio paralisa,/dissipa e devora a História./Não quero o tempo de volta /Busco a chance de um futuro /onde habite o olhar humano/permeando a trajetória.


Poema de Flávia de Queiroz Lima, poeta, compositora, graduada em Sociologia e Política na PUC/RJ, autora dos livros “Círculo de giz” (1983), “Arrumar as gavetas” (2012), “Sobre viver” (2019), “Laços e avessos” (2023) e “Resgate” (2025), que comemora seus 80 anos, na gestão de projetos da Academia Mineira de Letras.


O poeta escreve para aliviar a dor de existir e com ele também nos beneficiamos, encontrando alento das nossas próprias dores, traduzidas em belas palavras. Esse poema de Flávia, apropriado para o momento político que vivemos no Brasil, toca num ponto crucial. A cilada. São informações, nem todas verdadeiras, acusações, suspeições e corrupção. Não podemos deixar de nos indignar.


E não apenas isso. Temer. Assistimos ao vivo e a cores a perversidade. Até onde podem chegar? Poucos são os que recolocam as coisas em seu lugar, será a perversidade maior?


Na psicanálise, sabemos que, sendo a criança ainda não instruída dentro das leis e da moral civilizada, é perversa polimorfa. Isso é ser mau? Não!!! Falamos isso para dizer que qualquer prazer é gozado sem censura, sem limites. É por isso que, para viver em comunidade, os limites, a lei, a educação e as restrições ao nosso gozo pleno são um sacrifício imprescindível. Porém, inconformados, vivemos buscando o retorno aos tempos de plenitude gozosa: tudo, muito, mais ainda.


Assim, compreendemos melhor os fatos, que, por si, nos apontam o pior dos mundos. O dos inconformados com limites. Estamos angustiados sobre o que será de nós, brasileiros, diante da ganância, da corrupção e da politicagem endêmica e nefasta à qual estamos submetidos.


Nada de novo no front. Indecisos são a maioria. Entretanto, se entregues, perderemos nossa soberania e, além dos nossos perversos, ainda teremos acréscimos de abuso estrangeiro, temos visto essa ingerência no mundo.


Isso é realmente incrível. Será antipetismo tão radical que embaça a inteligência? Já dizia Freud: onde há fumaça, há fogo. Agora, já passamos da fumaça, estamos no incêndio. A verdade se embaça e, para decidir o voto, nossa aposta num Brasil melhor cada dia torna-se uma empreitada de coragem.


Marcílio Godoi, escritor mineiro, postou uma declaração interessante: não sendo petista, faz um apelo aos neutros e neutras na eleição que se aproxima. Declara-se contrário a todos os candidatos que se juntarão a Trump para eleger o candidato da direita.


Esse temor é real. Jamais podemos permitir cair na cilada que se anuncia. Um imperialista, que para tornar a América grande, pretende colonizar as Américas, quiçá, o mundo, sob seu domínio. Uma ameaça totalitarista que espalha terror. Já vimos esse filme nos piores momentos da humanidade.
Nos cabe refletir sobre seus interesses espúrios e o que, nós, brasileiros, ganharemos ao nos tornar colônia: a senzala. Só nos resta apelar para a consciência cívica dos brasileiros que se dizem democratas.

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