Paulo Delgado
Paulo Delgado

250 anos dos Estados Unidos

Juntamente à Revolução Francesa de 1789 e à Revolução Russa de 1917, a Revolução Americana é uma das três revoluções que mais influenciaram mentes e corações

Publicidade

Mais lidas

Duzentos e cinquenta anos depois de 4 de julho de 1776, os EUA comemoram a Declaração de sua Independência frente à Inglaterra. Tantos anos após tal feito, os Estados Unidos seguem sendo uma inspiração, à qual vem se ajuntando uma série de contradições. Poucos momentos moldaram tanto o imaginário moderno de liberdade política e igualdade entre as pessoas quanto a fundação dos EUA, ao mesmo tempo que poucas potências exerceram tamanho impacto — positivo e negativo — sobre a autonomia de outros povos ao longo dos séculos seguintes. Juntamente à Revolução Francesa de 1789 e à Revolução Russa de 1917, a Revolução Americana é uma das três revoluções que mais influenciaram mentes e corações mundo afora.

Fique por dentro das notícias que importam para você!

SIGA O ESTADO DE MINAS NO Google Discover Icon Google Discover SIGA O EM NO Google Discover Icon Google Discover


Andando pelo sétimo, o sexto e o quinto arrondissements de Paris, olhos atentos perceberão significativas menções à Revolução Americana contra a dominação inglesa, que começou em 1775 e terminou com um tratado de paz em 1783. A estátua de Thomas Jefferson, principal redator da declaração de independência dos EUA, é uma delas, assim como o próprio prédio onde foi assinado o tratado em que a Grã-Bretanha reconheceu formalmente os EUA como nação independente, dando, assim, fim à Guerra de Independência, em 1783.


Numa demonstração dessa triangulação de ideias entre América do Norte, França e nossa América do Sul, o mártir da Inconfidência Mineira (1788-1789), Tiradentes, carregava consigo um livro em francês com textos fundadores dos Estados Unidos, como a Declaração de Independência e outras leis do nascente país, que se queria republicano e democrático.


Uma pesquisa no Arquivo Nacional dos EUA, mostra as milhares de cartas envolvendo as principais personagens da conspiração que viria a impulsionar a revolução e a criação dos EUA, bem como suas primeiras décadas de existência como nação soberana. Em uma delas, endereçada a John Jay, aprendemos que em Nimes, no sul da França, em março de 1787, encontraram-se o então embaixador estadunidense em Paris, Thomas Jefferson, e o estudante brasileiro José Joaquim Maia e Barbalho, vulgo Vendek, que então estudava em Montpellier, cidade vizinha a Nimes.


O encontro marcado era um esforço deste último para angariar apoio de Jefferson e dos recém-independentes Estados Unidos ao movimento de independência que se organizava em Minas Gerais. A correspondência de Jefferson com os EUA revela que ele comprou a ideia de que uma revolução brasileira apoiada pelos estadunidenses seria ao mesmo tempo possível e lucrativa. De todo modo, ainda não seria naquele momento que os EUA se sentiriam prontos a se envolverem em assuntos internos do Brasil.

DECLARAÇÃO


A formalização da declaração de independência começou a tomar corpo em 7 de junho de 1776, quando Richard Henry Lee apresentou ao Congresso Continental o que viria a ser conhecido como a Resolução Lee, instando uma decisão que expressasse que “estas Colônias Unidas (...) deveriam ser estados livres e independentes”. Nesse contexto, o Congresso sediado na cidade da Filadélfia debateu a independência por vários dias, formando uma Comissão dos Cinco para redigir uma Declaração Formal de Independência. O comitê era composto por John Adams, Roger Sherman, Benjamin Franklin, Robert Livingston e Thomas Jefferson, sendo que ao último foi atribuída a tarefa de escrever o documento, posteriormente revisado por Franklin e Adams antes de ser submetido ao Congresso algumas semanas depois.


Ao completar 250 anos, os Estados Unidos têm diante de si uma oportunidade rara de reconectar prática e princípio. O país que ajudou a difundir pelo mundo ideias de autogoverno, bom senso, liberdade e busca da felicidade não pode ignorar que parte de suas ações contemporâneas reproduz, sob novas formas, justamente as “injúrias e usurpações” denunciados em 1776.

Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia


Como a lei espiritual do retorno é indômita, esse processo também produz efeitos complicados e desagradáveis sobre os próprios EUA: crispação interna, tristeza existencial, desgaste institucional e crescente dificuldade de oferecer ao cidadão comum aquela promessa original de liberdade e bem-viver. Ainda assim, permanece vivo o potencial americano de servir como luz para o mundo, não apenas pelo poder do Estado, mas pela vitalidade de sua sociedade, de suas universidades, de seus artistas, de sua capacidade de inovação e da força universal de muitos de seus valores fundadores. Talvez o verdadeiro espírito de 1776 resida precisamente na possibilidade de revisitar criticamente os próprios caminhos para que independência, liberdade e dignidade voltem a significar algo compartilhável entre as nações, e não apenas reivindicado egoisticamente dentro de suas fronteiras.

As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.

Acesse o Clube do Assinante

Clique aqui para finalizar a ativação.

Acesse sua conta

Se você já possui cadastro no Estado de Minas, informe e-mail/matrícula e senha. Se ainda não tem,

Informe seus dados para criar uma conta:

Digite seu e-mail da conta para enviarmos os passos para a recuperação de senha:

Faça a sua assinatura

Estado de Minas

Estado de Minas

de R$ 9,90 por apenas

R$ 1,90

nos 2 primeiros meses

Aproveite o melhor do Estado de Minas: conteúdos exclusivos, colunistas renomados e muitos benefícios para você

Assine agora
overflay