Patrícia Espírito Santo
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O choro é livre

"Será que eles também continuam assoando o nariz e deixando as lágrimas somente para elas?"

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Houve um tempo em que grande parte dos homens, independentemente de sua condição social, carregavam em seus bolsos lenços de tecido bem leve, de preferência de puro algodão em tons pastel, feitos inicialmente para assoar o nariz, mas que tinha outra enorme serventia quando limpos.
Prontamente os sacavam para oferecer a alguma mulher prestes a derramar lágrimas. Naquele tempo, homem não chorava (coitado!); só assoava o nariz.

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Hoje, acreditava eu, nem lenço carregavam mais, apesar de terem aprendido o valor de derramar lágrimas independente do motivo (ou ainda têm muito a aprender?).


Quando criança fui manteiga derretida, chorava por qualquer coisa, com ou sem razão; já na adolescência e no início da vida adulta confesso que sabia usar muito bem essa arma como chantagem (afinal eles não sabiam chorar, muito menos lidar com o choro feminino).


Outro dia me deparei com uma caixa de lenços Presidente (marca que está para os lenços como o Bombril está para a palha de aço). Achava que não existia mais esse tipo de produto no mercado (a não ser em brechós) e, para minha surpresa, em uma de suas propagandas – mesmo em 2026 – ainda indica seu uso “para homens”. Ah, senhor!, nesse quesito os homens ainda não evoluíram? Será que eles também continuam assoando o nariz e deixando as lágrimas somente para elas? E quando desacompanhadas, onde deixam cair seu choro?

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Escrevo estas palavras enquanto aguardo receber meu lanche, entre o intervalo de uma atividade e outra, tendo à minha frente uma mãe chamando atenção de seu filho usando o argumento de que para ser forte ele tem que aprender a não chorar. Ele engole a seco a ordem, enquanto sua emoção é consumida pela ideia de que dessa forma tornamos os homens felizes.

As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.

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