Patrícia Espírito Santo
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Sobre o cuidar e ser cuidado

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Sou da opinião que diálogos informativos sobre as doenças do corpo e da alma devem fazer parte constante de determinadas rodas de conversa. Dispenso lamúrias e lamentos pessimistas, aquele tipo de reclamação que serve para supervalorar as próprias dores. Todos conhecemos pessoas que disputam quem teve a pior doença ou sofreu mais, na tentativa de tirar vantagem onde não há. Tudo isso indica o nível de vaidade que nos atinge. Quanta distorção!

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Precisamos nos reconhecer como seres viventes e finitos, cheios de vulnerabilidades e necessidades. Quando temos conhecimento, fica mais fácil buscar e encontrar as soluções sobre os males que nos afligem e enfrentá-los da melhor maneira possível.


Sobre a morte, conversas reflexivas consigo e com os outros deveriam ser recorrentes. Mas nossa cultura de negação do inegável ganha cada vez mais adeptos a tal ponto de cometermos o disparate de dizer a um paciente terminal que ele vai melhorar (dependendo do que consideramos melhorar, pode até ser possível). Tamanha nossa insensatez (ou seria pequenez?) chegamos ao ponto de dizer que para tudo tem solução, menos para a morte (até mesmo quando ela é a única solução).


Enfim, tenho uma grande amiga que se incomoda em incomodar. Está sempre repetindo que não tem medo de ficar doente na velhice. O que mais a apavora é se imaginar dando trabalho para alguém. A filha e os netos, talvez? Os amigos? Ou um cuidador profissional?

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Eu quero ser cuidada porque assim deve ser. Cuidamos e somos cuidados, desde que nascemos. Somos seres sociais e não presentes embrulhados em papel brilhoso para serem admirados como algo inatingível. Precisamos tocar o outro e que nos toquem, em todos os sentidos que esse verbo possa ter. Se não for assim, há desequilíbrio. Quem se preocupa em não dar trabalho aos outros se desumaniza, tem pretensões a divindade – fake – diga-se de passagem, porque até Deus nos dá trabalho. E como dá!

As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.

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