Patrícia Espírito Santo
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Alguém em casa?

"Já crescida, muitas vezes decidia passar na casa dos amigos sem avisar. Marcar hora não era prática comum"

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A tecnologia aliada à necessidade nos levou ao desenvolvimento de novas maneiras de administrar nossos encontros. Na minha infância, para me encontrar com as amigas de rua, bastava bater a campainha ou simplesmente chegar no portão e gritar pelo nome ou apelido. Rapidinho vinha a resposta em forma de outro grito ou da cordial abertura do portão.

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Perambulávamos aos bandos entre uma rua e outra, a maioria à espera do calçamento, apesar do medo materno de que seríamos pegos pelo homem do saco ou de algum tipo de ameaça que justificasse vivermos presos dentro de nossos muros.


Já crescida, muitas vezes decidia passar na casa dos amigos sem avisar. Marcar hora não era prática comum, até porque arriscar dar com a cara na porta não era impedimento de nada. Se fulano não tiver em casa é só caminhar mais um pouco e – voila! – outra alternativa. Sempre havia alguém com vontade de ser encontrado.


Na pandemia dois amigos inauguraram a modalidade de tomar vinho cada qual no seu canto com os computadores ligados e conectados. Ficavam horas colocando a prosa em dia. Gulosa que sou fico me imaginando nessa situação, doida pra provar o queijo ou o pão que o outro está degustando. Mas, enfim, a conversa é sempre o motivador de um encontro virtual ou presencial entre pessoas que se gostam. Apesar de terem como se encontrar ao vivo e a cores, os dois ainda mantém o hábito do encontro virtual. Pode-se beber a vontade sem ter que pegar um Uber; não é necessário grandes produções para melhorar a aparência no dia e gasta-se bem menos ficando em casa. Ok, sem dúvida tem suas vantagens, mas é preciso saber dosar a tendência de se transformar em um ser antissocial e se isolar.


Outra coisa que sempre gostei de fazer foi mandar presentes, cartões, lembranças para os amigos, telegramas com frases carinhosas. Como íamos nas casas uns dos outros, sabíamos o endereço de todos. Hoje, desconhecemos a quantas anda o gosto decorativo de muitos amigos porque não temos mais a chance de adentrar seus lares. E para piorar, em prol de uma melhor fiscalização da receita, precisamos informar aos correios o CPF da pessoa para quem desejamos enviar um presente, um livro, qualquer coisa que tenha volume maior que uma simples carta. Mal sabemos o nome completo uns dos outros, o que dirá sua ficha corrida? Perdeu a graça não poder mais surpreender.

As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.

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