Patrícia Espírito Santo
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Eterno enquanto durar

"Que se percam pela ação do uso e não pela ação do tempo que corrói e não deixa lembranças"

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Logo que me casei, de posse de uma casa para chamar de minha, inaugurei colocar copos de cristal sobre uma bandeja na cozinha ao lado do filtro. Tudo presente, novinho. Cresci apreciando essa coisa chique na casa de uma vizinha, cuja mãe era exemplo de elegância. Na primeira semana quebrei logo uns quatro copos. O status de casada não mudou meu status de desastrada.

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A bandeira de inox foi aprovada para permanecer na bancada. Os copos, estes foram substituídos pelos de vidro de requeijão; cafonas, mas duráveis e resistentes.


Fim de semana passada, estava relembrando histórias daquele tempo em conversa com minha amiga, que há décadas vem conseguindo manter o hábito familiar de só tomar água em cristal. Sobre a mesa de jantar, duas toalhas de linho bordadas, herança do enxoval dos pais que se casaram há mais de 60 anos. As toalhas estão inteiras, maravilhosas, e sobreviveram ao casal.


Que se percam pela ação do uso e não pela ação do tempo que corrói e não deixa lembranças. Observando aquilo, me lembrei de uma amiga que pegou as preciosidades de pano que a mãe lhe deixou e transformou em camisas para a família toda. Tecido caro, bordado raro, conforto e sucesso na certa. Essa é a fórmula.


Desde que meu filho mais novo se mudou para a Inglaterra, há 13 anos, fico namorando as louças antigas vendidas a preços módicos nos bazares de instituições de caridade instalados a cada esquina em qualquer cidade. Um dia vou ter um destes, insistia, a despeito de minha incompetência em mantê-los.
Até que esse ano me aventurei e arrematei um jogo de pratos e xícaras. “Mãe como você vai levar isso pro Brasil?” “Primeiro vamos resolver a compra, filho. Depois o transporte”. Saí da loja feito uma criança com sua boneca nova.


Depois da primeira aventura, veio a segunda e já garanti que não acabará aí. Embalo direitinho e carrego como bagagem de mão. Chega tudo inteiro. E se quebrar no caminho? Por certo um dia uma ou outra peça cairá no chão, de minhas mãos ou de outros que certamente experimentarão usá-las. E eu poderei dizer que cumpriram seu papel enquanto úteis, o que justifica toda a mão de obra de trazê-las de tão longe, simplesmente para atender a um capricho de infância que se traduz em uma permissão para viver e aproveitar da melhor maneira possível o que a vida nos oferece de bom.

As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.

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