Na medida do possível, o futuro governador de Minas, Cleitinho Azevedo (Republicanos), atendeu parcialmente à sugestão do candidato à reeleição, Lula (PT), sobre o 2º turno no estado. Não ficou isento, mas também não abraçou a candidatura de Flávio Bolsonaro. Faz um gesto aqui, cola um adesivo ali e grava um vídeo alhures.
Na sexta-feira, Lula esteve em Juiz de Fora (Zonta da Mata) e fez um aceno para Cleitinho, que é de direita e aliado dos bolsonaristas, dizendo que não precisa apoiá-lo na disputa. Bastaria ficar “quietinho”. E disse mais, que Minas, sem ele, se tornaria um “cemitério de obras paralisadas”. “Eu tenho certeza de que o Cleitinho é esperto, ele não precisa me apoiar, só tem que ficar quietinho porque ele só tem a ganhar”, acenou Lula. Na votação de 1º turno no estado, o petista ficou atrás do bolsonarista por cerca de 588 mil votos.
Diante do quadro caótico das contas públicas de Minas, Cleitinho vai esperar o resultado das eleições presidenciais para buscar soluções, especialmente no campo da dívida com a União. Minas deve hoje quase R$ 200 bilhões e, pela renegociação feita, terá que bancar parcelas consideradas impagáveis nos primeiros meses de gestão.
Tudo somado, Cleitinho mantém um apoio reservado de modo a ficar numa posição simpática para futura negociação caso o petista seja eleito. Com a gestão de Romeu Zema, ele aprendeu tudo o que não deve fazer. A aliados próximos, disse que também não poderia ficar totalmente fora da campanha, porque a direita poderia lhe estragar a reputação.
Logo após ser eleito, ele chegou a ir a Brasília para encontro com Flávio Bolsonaro e colocou a demanda da dívida na mesa. Disse que o apoiaria, mas cobrou que sua demanda e desafio sejam reconhecidos.
Cleitinho no TJMG
Depois de ir ao Legislativo, o governador eleito faz, nesta quinta, visita de cortesia ao presidente do TJMG, Vicente de Oliveira. Um cafezinho é necessário para a transição de governo, que envolve os três poderes. No próximo dia 14 de novembro, o desembargador deverá assumir o governo estadual por 10 dias, durante a viagem do titular, Mateus Simões, ao exterior.
Doorgal avança na ALMG
Com a adesão do PT nos próximos dias, o deputado estadual Doorgal Andrada (PP) vai consolidar o consenso dos 77 deputados estaduais à sua candidatura para presidente da Casa. Ele aguarda apenas o retorno de viagem do petista Ulysses Gomes, uma das principais lideranças na Assembleia, no campo da esquerda e fora dele.
A tendência é de o PT manter o atual cargo na direção da Mesa, da 1ª Vice-presidência. O PL deverá manter o cargo que ocupa na 1ª Secretaria. Com a unanimidade alcançada, Doorgal e o atual presidente da Assembleia, Tadeu Leite (MDB), terão força política suficiente para enfrentar a turbulência na transição de governo e as pautas bomba da atual gestão.
Tadeu e a posse de Cleitinho
A consolidação da candidatura do aliado Doorgal vai permitir ao presidente da Assembleia, Tadeu Leite, antecipar a renúncia ao cargo para tomar posse no Tribunal de Contas do Estado. Ele foi eleito conselheiro pela unanimidade dos deputados em março passado. Tadeu só não renunciará à oportunidade de dar posse ao governador Cleitinho no dia 6 de janeiro. A partir daí, cumprirá sua missão no Legislativo. A iniciativa permitirá ainda que a presidência da casa seja comandada, pela primeira vez, por uma mulher negra, com a deputada Leninha (PT).
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