Uma previsão catastrófica vem da Secretaria da Fazenda, onde luzes amarelas estão acesas para a falta de fluxo de caixa a partir de janeiro. Com isso, poderia faltar recursos para o pagamento em dia dos salários já no 1º mês da gestão do futuro governador, Cleitinho Azevedo (Republicanos). O atual governador Mateus Simões (PSD) está se vacinando contra o risco adotando o que chamou de “transição transparente”, com transmissão ao vivo pela TV estatal, e fazendo advertências.


Em uma delas, considerada “desrespeitosa” pelo grupo de Cleitinho, Simões manifestou apreensão com futuro dos 700 mil servidores e familiares. Não esclareceu os motivos, mas insinuou que teria relação com as promessas do sucessor, como a redução do Imposto sobre Propriedade de Veículos Automotores (IPVA).
O pagamento desse imposto, em Minas, começa a partir de fevereiro após alteração feita pela Assembleia Legislativa a pedido de setores do comércio. A intenção era reduzir a inadimplência agravada pelas compras de Natal e Ano Novo e as do início do ano, férias e material escolar.


Os recursos disponíveis no caixa estão carimbados, com destinação predeterminada e não podem ser usados para pagar salários. Simões estaria recorrendo ao recurso da venda da folha de pagamento em R$ 2,1 bilhões, ao banco Itaú, para pagar o 13º salário deste ano. Não é sem razão que Simões agendou o assunto financeiro como último ato da transição. Deverá exibir ao sucessor os recursos que o estado tem, incluindo a receita do IPVA, que Cleitinho deseja reduzir, e a despesa a ser quitada. Dizem lá: “a conta não vai fechar”.

 

Flávio não ajudará


Não é pessoal, embora Flávio Bolsonaro (foto acima) tenha dito por aí que não confia plenamente em Cleitinho pelo estilo independente do governador eleito de Minas. Na quinta (8), Cleitinho fez o dever de casa, mas sem resultados objetivos, foi a Brasília para discutir a dívida de Minas com o presidenciável do PL. Foi um ato inútil. Primeiro, porque Flávio não foi eleito ainda, disputa com o atual presidente. Segundo, Flávio, como candidato, o recebeu de braços abertos e disse sim, mas, sabe que não precisa dele para ganhar o apoio dos mineiros, que já se definiram. Se eleito for, esquece. Já comentou com aliados que não tem como fazer algo por Minas que não poderá fazer aos outros estados que o apoiaram. E mais, contesta a possibilidade, uma vez que o futuro governador pretende renunciar receita com a redução do IPVA.

 

IPVA e a isenção fiscal


A equipe de transição de Cleitinho já vem conversando com auditores fiscais sobre a formatação de projeto para cumprir a promessa de reduzir o IPVA. O próprio governador eleito tem argumentado que a compensação por essa perda viria das isenções fiscais, de cerca de R$ 25 bilhões, do atual governo. A pergunta que fica é como segurar empresas mal-acostumadas com o benefício fiscal e que poderiam ser bem acolhidas em estados com estrutura e logística mais avançadas.

 

Tadeu Leite e o sucessor

 

O grupo do presidente da Assembleia Legislativa, Tadeu Leite, deverá eleger o sucessor dele. O nome mais cotado é o do deputado reeleito, Doorgal Andrada (PP). Correm por fora outros dois nomes do mesmo grupo, João Magalhães e Tito Torres (ambos do PSD), mas perderam força com a derrota da reeleição de Mateus Simões (PSD). Aliado de 1ª hora de Tadeuzinho, e de perfil de centro, Doorgal se prepara o novo desafio.

 

Corregedor corrige Kassio


Apesar do atropelo, o estado de direito ainda está funcionando no país. O corregedor-eleitoral do TSE, Ricardo Cueva, fez o seu papel e corrigiu a decisão do presidente do Tribunal, Kassio Nunes, sobre a retirada do ar do canal "Exército do Lula". Nunes havia atendido a um pedido da campanha Flávio Bolsonaro e suspendeu o grupo no WhatsApp, em caso que estava sob responsabilidade de Cueva. Ainda há juízes em Brasília, parodiando o moleiro de Sans-Souci.

 

Servidor: recados para Cleitinho


Cleitinho não tem culpa, mas ficará responsável para consertar os desacertos do atual governo perante o funcionalismo. Diante disso, as lideranças dos servidores já estão mandando recados para ele.

 

“É preciso assegurar as condições adequadas e os recursos necessários para garantir as condições de trabalho e remuneração atualizada aos servidores públicos”, disse a diretora-presidente da Affemg, Sara Costa Felix.

 

“Ele se elegeu prometendo respeitar e valorizar o servidor, como a recomposição inflacionária dos salários dos servidores. Esperamos que suas palavras não tenham sido da boca pra fora”, cobrou o coordenador-geral do SinjusMG, Felipe Rodrigues.

 

“Se o que vimos até agora foi o desprezo pelos trabalhadores em educação, estudantes e comunidades, com a falta de investimentos e 'desvios' dos recursos da educação; o que esperamos é o contrário daquilo vivido no último período de governo, cujas políticas não deram certo”, pontuou Denise Romano, do SindUte.

 

“A segurança pública espera que o futuro governador inaugure ciclo de valorização dos profissionais e das instituições militares, com diálogo, recomposição das perdas remuneratórias e assegure a paridade e integralidade”, manifestou o cel. Ailton Cirilo, da AOPMBM/MG.

 

“Esperamos que ele realmente possa governar e cuidar da esmagadora maioria da população que anseia por uma Minas justa e igual para todos”, acentuou Fanny Melo, do Sindicato dos Servidores do Ministério Público de Minas.

 

“Os auditores fiscais de Minas esperam que o novo governo inaugure ciclo de diálogo, valorização profissional e fortalecimento da administração tributária”, apontou a presidente do Sindifisco-MG, Deliane de Oliveira.

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