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Orion Teixeira
Além do fato

Cury é o não político da vez: tem pra onde crescer?

Ainda assim, o novato não tem mais para onde subir e virar um fenômeno eleitoral, como foi Zema em 2018. Faltam-lhe entrega e musculatura política para isso

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Após a primeira semana de campanha, a novidade foi o presidenciável e psiquiatra Augusto Cury (Avante), que cresceu e alcançou os dois dígitos na 3ª via da disputa. Chegou a 10% em três institutos de pesquisa. Seu crescimento foi favorecido especialmente pela televisão, que somou o debate na TV Band (dia 23/8), sabatina da TV Globo (29/8) e início da propaganda na TV e rádio (28/8).

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Mais do que ficar conhecido, Cury ocupou o vácuo deixado pelos concorrentes do andar de baixo. Tanto é que, na mesma semana, cresceu a rejeição dos concorrentes Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão). O salto de Cury é inédito para a terceira via, sempre sufocada pela polarização petista versus antipetista.

Ainda assim, o novato não tem mais para onde subir e virar um fenômeno eleitoral, como foi Zema em 2018. Faltam-lhe entrega e musculatura política para isso. Zema não tinha nada disso, mas emergiu no momento da antipolítica, do antissistema, que, hoje, perdeu força.

As intenções de votos de Cury saíram de Zema e Caiado ao encontro de um nome de centro-direita mais equilibrado, com o perfil independente, que não quer a direita ou esquerda. Apesar da narrativa branda, ele não tem mais onde se amparar, porque as intenções de votos de Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) estão consolidadas na casa dos 80%.

Por conta disso, nos próximos dias, poderá haver um movimento comum na disputa eleitoral polarizada, que é o voto útil. Quem não gosta de Lula e quer evitar sua continuidade, vai fechar com Flávio ainda que não o considere capaz. Da mesma forma, quem não gosta de Bolsonaro, vai votar em Lula para evitar o retorno do outro. O maior objetivo do eleitor dos dois maiores campos políticos opostos, direita e esquerda, é evitar que o rival ganhe a eleição.

Ao contrário de Flávio, Lula não tem alternativa ao centro-esquerda. Está sozinho. Já o bolsonarista divide o espaço da direita com os outros quatro (Renan, Caiado, Zema e Cury). Ou seja, o eleitor de uma terceira via é um indeciso, que não gosta da polarização, mas não se encaixa no eleitorado majoritário. O psiquiatra e escritor não é ideológico para atrair o voto com esse perfil nem tem realizações para sustentar a alternativa que poderia representar. Puxa daqui e dali, o voto útil poderá até conferir, para uns, a vitória de Lula no primeiro turno. Para outros, uma terceira candidatura pode empurrar a disputa para o 2º turno.


Ministra pop star

Enquanto ministros do STF, como Alexandre de Moraes e André Mendonça, estão no olho do furacão da crise, a única ministra da Corte, Cármen Lúcia, vive momentos de alta popularidade. Foi assim em dois eventos. Fez palestra no Tribunal de Contas de Minas, em BH, onde lançou dois livros nos 40 anos do projeto ‘Sempre um Papo’ no dia 31 de julho. Já no dia 28/8, foi homenageada em Viçosa, pela Universidade Federal de Viçosa, com o título Doutora Honoris Causa. Em ambos os eventos, os fãs gritavam seu nome, com pedidos de fotos e autógrafos.

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Eleição e servidor público

Entidades do funcionalismo público lançam, nesta quinta-feira (3), em BH, na sede da Unafisco/MG, a Carta-Compromisso com o Serviço Público. O documento estabelece o apoio dos candidatos ao fim da escala 6x1 como decisivo para que recebam o apoio dos servidores. A Carta é parte do Pacto Pelo Serviço Público, plataforma que concentrará as adesões dos candidatos de todo o país. A iniciativa partiu de entidades do funcionalismo que, juntas, representam cerca de 30 mil servidores da esfera estadual, federal e municipal e trabalhadores da educação municipal da capital mineira.

As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.

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