Começa, na próxima sexta (28), uma das etapas mais decisivas da campanha eleitoral, que é o horário gratuito de televisão e rádio. Junto das redes sociais, das peças gráficas, corpo a corpo, debates, sabatinas e das entrevistas, a TV completa o combo que dará maior visibilidade a um candidato, além de mexer com o eleitor. A maioria dos postulantes tem alto índice de desconhecimento no interior mineiro e poucas realizações administrativas no currículo.
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Dois fatores serão valorizados pelos rivais para tentar tirar votos do líder das pesquisas, Cleitinho Azevedo (Republicanos) e, ao mesmo tempo, garantir o passaporte para o 2º turno. Um dos quesitos é o tamanho do tempo na televisão, permitindo que o candidato fique mais conhecido, faça as defesas dos ataques que receberá, mostre conhecimento dos problemas do Estado e apresente soluções. Tão importante quanto, será exibir as razões pelas quais merece o voto dos mineiros. Aqui, entra o segundo fator, que são as realizações e entregas de cada um.
Nesse campo, apenas três candidatos terão o que mostrar. Mateus Simões (PSD) por ser o atual governante; Alexandre Kalil (PDT), pelos 2 mandatos como prefeito de BH (2017/2022) e Patrus Ananias (PT), como ex-prefeito da capital (93/96) e ex-ministro do combate à fome (2004/2010). Essas realizações podem fazer a diferença, conectando o nome do candidato aos seus feitos administrativos e à experiência de gestão.
Rivais, especialmente, Mateus Simões já começaram a colocar em xeque a capacidade administrativa de Cleitinho, que, desde 2016, quando iniciou a carreira política, sempre atuou como parlamentar (vereador, deputado estadual e atual senador).
Sobre o índice de desconhecimento, de acordo com a pesquisa Datafolha, divulgada na sexta (21), mais de 50% das pessoas ainda não sabem quem são os candidatos e não têm ainda decisão formada. Outra forma de interiorizar as campanhas, além da TV, são as viagens pelo estado, diminuindo a excessiva centralização das ações na capital.
Pesquisas: índice de acerto
Como diria o ex-governador Hélio Garcia (84/86 e 91/94), a eleição se ganha depois da parada. A partir de 7 setembro, com 11 dias de campanha pela TV e rádio, os institutos de pesquisa poderão ajustar seus números e enxergar melhor os cenários do primeiro turno e de uma virtual segunda etapa.
Gastos de campanha
As redes sociais colocaram Cleitinho como favorito, na casa dos 30%, levando-o a afirmar que não usará fundo partidário eleitoral. A narrativa foi adotada depois que o próprio partido, o Republicanos, negou-lhe o direito por conta das consecutivas indefinições do candidato na pré-campanha. A alternativa de risco será recorrer a dinheiro privado para o uso de jatinhos e gastos com a produção e veiculação de programas de TV e rádio. O custo maior é o da veiculação deles, na casa dos R$ 500 mil, para fazê-los chegar em cada emissora. Como diz um especialista, não há margem para amadorismo. Os riscos vão desde arquivos serem rejeitados, falha nas entregas para as emissoras ou o descumprimento dos prazos técnicos do TSE. O risco do dinheiro privado é, além das ligações perigosas, trombar com os rigores da legislação.
Fantasia tucana
Desde a semana passada, o presidente nacional do PSDB e deputado federal Aécio Neves tem recebido intensos apelos para que reveja sua decisão e se lance candidato ao Senado. A pressão defende a troca do candidato tucano ao Senado, Gustavo Galassi, por ele. A proposta é vista como fora da realidade e o próprio Aécio não admite a possibilidade, mas, como a campanha atual tem sido atípica, tudo é possível. Na avaliação dos apoiadores, o cenário atual, de 17 candidatos ao Senado, estaria favorável à eleição dele. O PSDB está na chapa de Kalil (PDT) ao governo de Minas.
Déficit ameaça 13º salário
O crescente aumento do déficit financeiro acendeu luzes de advertência sobre o pagamento do décimo terceiro ao funcionalismo estadual. A Lei das Diretrizes Orçamentárias (LDO) prevê déficit de R$ 7,67 bilhões para 2027, mas a crise atual na Secretaria da Fazenda, que está sob indicativo de greve, elevou a previsão de rombo para R$ 10 bilhões. Pode piorar, ante a insatisfação geral. Uma das soluções apresentadas seria usar o recurso da venda da folha de pagamento para resolver o problema, que Simões, como candidato à reeleição, se nega a reconhecer. O Itaú Unibanco pagou R$ 2,1 bilhão para renovar, por cinco anos, essa prestação de serviços financeiros ao Estado.
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Lula e as mentiras
Em um discurso de quase 1 hora, o presidente e candidato à reeleição, Lula da Silva (PT), fez uma prestação de contas, na Praça da Estação (Centro de BH). Junto dela, expôs sua visão de mundo e o que pensa sobre a fome, violência contra as mulheres, pobreza, guerras, política pública e internacional. Deixou apenas uma advertência aos adversários na disputa presidencial: “Você pode ganhar uma eleição mentindo, mas não pode governar com mentiras”, alertou, citando o exemplo do ex-presidente Fernando Collor, que, em 89, o derrotou recorrendo a “golpes baixos”. De lá pra cá, as mentiras fizeram escola e ganharam até o pomposo e mentiroso nome de “fake News”.
