Começa a última campanha de Lula e de Bolsonaro
Por mais que se inicie um novo ciclo, esquerda e direita sobreviverão aos novos tempos e manterão suas diferenças e bandeiras.
Mais lidas
compartilhe
SIGA NO
É sem exagero dizer que começou, nesse domingo (16), aquela que será a última campanha com a candidatura de Lula (PT) após 40 anos de disputa continuada. Desde 1989, o petista reafirma a liderança política, elevando seu partido a uma das principais forças no cenário nacional e na briga pela Pesidência da República. Perdeu três e ganhou outras três, buscando, nessa 7ª participação, o quarto mandato.
Liderança incontestável tanto quanto é combatida, Lula quebrou paradigmas e inaugurou um novo ciclo na política que, neste 2026, ele mesmo encerra. Sendo reeleito ou não, ele não estará mais na próxima eleição. Além da idade avançada, chegará aos 85 anos, não poderá, pela atual legislação, disputar outra eleição de presidente em 2030. Teria que esperar quatro anos.
Junto de Lula, irão embora a forma e as características de fazer política; mudarão profundamente. Se as redes sociais já impactam as eleições desde 2018, imagina os efeitos da inteligência artificial daqui a quatro anos. Sem Lula, também perderá força a polarização que, hoje, divide a política entre petistas e antipetistas. Com isso, pode-se prever igualmente o fim do bolsonarismo.
Leia Mais
Caso sua pena não seja reduzida, ou extinta, como desejam seus seguidores, o ex-presidente Bolsonaro ficará preso por 27 anos e 3 meses pela tentativa de golpe. Ou seja, só recuperaria os direitos políticos aos 98 anos. Até o momento, o filho 01 dele, Flávio, tem sido mostrado competitivo, mas não o suficiente para vencer o atual presidente.
Por mais que se inicie um novo ciclo, esquerda e direita sobreviverão aos novos tempos e manterão suas diferenças e bandeiras.
Sinais da nova ordem
Os indícios de mudanças já são apontados pelas pesquisas de opinião, segundo as quais cerca de 30% do eleitorado não se identificam com o lulismo ou o bolsonarismo. A reeleição de governantes, instituída há 30 anos, experimenta desgastes por atrasar a renovação política. Hoje, por exemplo, a maioria absoluta dos prefeitos em atividade já estão em franca campanha para continuar no poder. Com emendas parlamentares e outros recursos mantêm o controle sobre o legislativo e o jogo político local.
Vestibular eleitoral
Com o fim do registro na Justiça Eleitoral, Minas tem 1.810 candidaturas a um cargo nas eleições deste ano. Na relação candidato por vaga, 14,1 disputam uma das 53 cadeiras de deputado federal de Minas; para deputado estadual, 12,8 vão brigar por uma das 77 vagas na Assembleia Legislativa. Outros 8,5 concorrem a uma das duas vagas ao Senado federal. Onze vão brigar pela cadeira de governador.
Risco de inelegibilidade
Na quinta (12), o TRE mineiro recebeu do Tribunal de Contas do Estado (TCE) a lista de 1.025 agentes públicos que, nos últimos oito anos, tiveram suas contas julgadas irregulares. A decisão é irrecorrível no âmbito do TCE, ou por rejeição do Poder Legislativo. Cabe à Justiça Eleitoral a decisão final sobre a inelegibilidade deles caso sejam candidatos nas eleições de outubro. Além dessa, o Tribunal Eleitoral de Minas irá cruzar os dados com a lista do Tribunal de Contas da União, que apontou 499 mineiros na mesma situação. Há vários casos, como do ex-prefeito de Montes Claros (Norte) Ruy Muniz, em que os nomes aparecem nas duas listas.
Risco repercute até 2028
O risco de inelegibilidade pode alcançar as eleições deste ano e de 2028. Vários ex-prefeitos tiveram contas reprovadas e, nesse caso, ficariam inelegíveis para voltar ao comando municipal.
Protesto na Assembleia
Na homenagem da Assembleia Legislativa à Associação Nacional dos Fiscais de Tributos Estaduais (Febrafite), a presidente da entidade alertou para a crise na Fazenda de Minas. Auditora fiscal mineira e primeira mulher a presidir a Febrafite, Maria Aparecida Neto Lacerda e Meloni, conhecida como Papá, fez a defesa da categoria. “Empresto minha voz nesta tribuna para expressar a perplexidade, a indignação e o luto que assola a minha categoria”, disse Papá na sexta (14). O manifesto dela foi dirigido ao desinteresse do governo e a alguns deputados em aprovar o projeto que regulariza a remuneração de auditores-fiscais. “A definição mais apropriada para essa situação é o cometimento de uma injustiça consciente e deliberada para com os auditores”, criticou, advertindo ainda que os efeitos imediatos são o afastamento por doença de mais de 700 servidores, a saída de outros 413 para estados que pagam melhor e a queda na arrecadação estadual.
Judiciário 3 x 0 Simões
Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia
O governador Mateus Simões e candidato à reeleição pelo PSD está perdendo de goleada no Judiciário em seu projeto de implantar e manter o funcionamento de escolas cívico-militares. A primeira decisão veio do Tribunal de Contas do Estado e a segunda do Tribunal de Justiça de Minas, que determinou o fim do programa nas nove unidades onde o modelo havia sido adotado. Agora, a terceira decisão vem de uma instância superior, o Supremo Tribunal Federal (STF). Sem entrar no mérito do programa, o presidente do STF, Edson Fachin, identificou erro processual na iniciativa do governo mineiro.
As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.
