Mercado de trabalho aquecido desafia empresas e os juros
A expectativa para o trimestre fechado em setembro é de que a taxa de desemprego deve continuar próxima dos níveis atuais, enquanto a ocupação tende a seguir positiva
Mais lidas
compartilhe
SIGA NO
Com o mercado de trabalho mostrando resiliência mesmo diante de altas taxas de juros, alguns setores buscam se ajustar a essa resistência dos empregos. Na construção civil, setor intensivo em mão de obra, já há empresas atuando na formação de trabalhadores. Em fevereiro deste ano, 41,6% dos empresários do setor apontaram a falta de mão de obra qualificada como fator limitante aos negócios, o maior percentual registrado para o mês desde 2011, segundo dados da Sondagem da Construção da Fundação Getulio Vargas (FGV). Cursos técnicos, treinamentos nos canteiros e parcerias com instituições de ensino passam a integrar as estratégias para reduzir a distância entre as habilidades disponíveis no mercado e aquelas exigidas por uma construção civil cada vez mais tecnológica e industrializada.
Fique por dentro das notícias que importam para você!
No ano passado, a Emccamp Escola, da construtora Emccamp Residencial, fez 40 treinamentos e capacitou 472 profissionais em Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro. “A construção civil vive um momento no qual qualificar deixou de ser apenas uma ação de desenvolvimento e passou a ser uma necessidade estratégica. Quando a formação se aproxima das demandas reais da obra, conseguimos desenvolver profissionais mais preparados”, aponta Romagno Moraes, Gerente de Qualidade da Emccamp
Essa situação mostra o aquecimento do trabalho na construção civil, realidade que é percebida em outros segmentos. O que de certa forma explica o fato de haver hoje no país, 103,5 milhões de brasileiros ocupados, um recorde histórico. Desse contingente, 35,9 milhões são trabalhadores com carteira assinada, também um recorde, segundo números divulgados está semana pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Os dados do trimestre encerrado em agosto mostram ainda que com o contingente de ocupados batendo recorde, a massa de rendimento real habitual alcançou R$ 385,6 bilhões, o maior nível da série, com alta de 1,4% no trimestre (mais R$ 5,2 bilhões) e de 4,8% no ano (mais R$ 17,5 bilhões).
Há hoje no país um contingente de 5,8 milhões de desempregados, outros 13,7 milhões estão empregados, mas sem carteira assinada, 5,5 milhões são trabalhadores domésticos e 26,1 milhões trabalham por conta própria. “A combinação entre elevado nível de emprego e crescimento real da renda mantém um fluxo relevante de recursos para as famílias, amortecendo parte dos efeitos contracionistas dos juros sobre o consumo e contribuindo para uma transição mais gradual da política monetária sobre a demanda”, explica a economista Ariane Benedito, do PicPay . Essa dinâmica alimenta a economia no consumo, que, por sua vez, sustenta os empregos. A pressão sobre o setor formal ocorre pelo aumento do número de pessoas trabalhando por contra própria, notadamente no setor de serviços.
Para Ariane Benedito, neste momento, “a tendência central é de continuidade da resiliência, com acomodação gradual da dinâmica de contratação e manutenção do suporte da massa de rendimentos ao consumo”. A expectativa para o trimestre fechado em setembro é de que a taxa de desemprego deve continuar próxima dos níveis atuais, enquanto a ocupação tende a seguir positiva, condicionada ao desempenho da indústria, da construção e dos serviços. “O principal ponto de acompanhamento será verificar se a expansão volta a alcançar o emprego privado de forma mais disseminada ou se permanece concentrada em poucos setores”, diz a economista do PicPay.
Para a divulgação de setembro, esperamos que o mercado de trabalho permaneça em trajetória favorável, mas com possível redução da intensidade da melhora observada no trimestre encerrado em agosto. A taxa de desemprego deve continuar próxima dos níveis atuais, enquanto a ocupação tende a seguir positiva, condicionada ao desempenho da indústria, da construção e dos serviços. O principal ponto de acompanhamento será verificar se a expansão volta a alcançar o emprego privado de forma mais disseminada ou se permanece concentrada em poucos setores.
Sindicatos
9,1 milhões
de trabalhadores brasileiros estavam associados a sindicatos, segundo números do IBGE. O número é praticamente o mesmo de 2024, representando quase 9% dos ocupados
Recarga
A infraestrutura para veículos elétricos no Brasil segue em ritmo acelerado. Dados atualizados até agosto de 2026 pela Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE) e a plataforma Tupi revelam que o país tem 29.866 pontos públicos e semipúblicos de recarga. O grande destaque é o salto dos carregadores rápidos (DC): a modalidade quase triplicou em 12 meses, com crescimento de 195,6%, e já responde por 38,2% de toda a rede.
Baixa adesão
Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia
A adesão das empresas à Reforma Tributária perdeu fôlego no 2º trimestre de 2026 e 40% dos CNPJs já obrigados não alcançaram adesão total. Um estudo da Qive baseado em 226 milhões de documentos fiscais e 333,7 mil CNPJs revela queda de 52,8% no ritmo de adequação ao IBS e à CBS do primeiro para o segundo trimestre de 2026. As NFes emitidas sem os campos caiu 4,79 pontos percentuais por mês no primeiro trimestre e 2,26 p.p. por mês no segundo.
As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.