Marcílio de Moraes
Marcílio De Moraes
Jornalista formado pela PUC Minas em 1988, com passagem pelos jornais Diário do Comércio e O Tempo. Trabalhou em coberturas de leilões de privatização e em feiras internacionais
BRASIL EM FOCO

O início da queda dos juros e o otimismo na construção

Uma redução de 0,25% não será suficiente para alterar o custo dos financiamentos, mas será um sinalizador de que, o processo de corte dos juros foi iniciado

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Mesmo com a ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) condicionando o corte de juros a fatores conjunturais e à resiliência da inflação e com o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) pressionado em janeiro e registrando alta de 0,33%, a expectativa é de que os diretores do Banco Central decidam por iniciar o corte dos juros. Nas contas do mercado financeiro, a Selic hoje em 15% ao ano, fechará 2026 em 12,25%, uma queda de 2,25 pontos percentuais. Se seguir o critério de previsibilidade, o Copom tem mais sete reuniões para levar a Selic ao patamar esperado hoje pelo mercado financeiro.

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Com isso, é possível que o Banco Central, já na próxima reunião inicie o processo de corte da Selic, com uma redução de 0,25%. Embora não indique o tamanho do corte, o economista-chefe da Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento (Acrefi), Nicola Tingas, observa que o fato a inflação caminhar para atingir o ponto mínimo de 3,5% em março ou abril, deve levar ao início do ciclo da Selic já na próxima reunião do Copom. Ele observa que a expectativa para este ano é haver estímulos eleitorais ampliados associado a ajuste no endividamento e inadimplência das empresas, com impulso para a retomada da atividade econômica. “Há expectativa de melhora na confiança do consumidor e dos empresários”, diz o economista em nota.


Uma redução de 0,25% não será suficiente para alterar o custo dos financiamentos, mas será um sinalizador para o mercado e para os empresários de que o processo de corte dos juros foi iniciado, podendo ter um ritmo mais lento, mas ainda sim em linha descendente. Um dos setores que devem se beneficiar desse processo de redução do custos financeiro é a construção civil, um dos segmentos que mais geram emprego no país. E se 2025 foi um ano de “manter o prumo” em meio a ventos contrários, 2026 chega com a promessa de ser o ano em que o setor volta a acelerar.


A Câmara Brasileira da Indústria da Construção (Cbic) projeta crescimento de 2% para o setor neste ano, o que corresponderá ao terceiro ano consecutivo de alta e uma avanço em relação à alta de 1,3% em 2025. “A expectativa é sustentada pela combinação de um conjunto de fatores: o início do ciclo de redução da taxa de juros, pelo orçamento recorde para habitação financiada pelo FGTS, novas contratações do programa Minha Casa, Minha Vida, a implementação do novo modelo de financiamento habitacional com recursos da poupança e os investimentos em infraestrutura”, diz a Cbic em nota.

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O mercado da construção está de olho em duas grandes novidades que devem injetar liquidez no setor: o programa Reforma Casa Brasil, que representa um aporte de R$ 40 bilhões que promete movimentar do pequeno empreiteiro à grande indústria de materiais, e as novas regras do SFH, com aumento do valor dos imóveis financiáveis e a reformulação do crédito via poupança, o que faz a classe média entrar no radar das incorporadoras novamente. “A expectativa é de um incremento no crédito imobiliário, com impactos positivos para o setor”, afirma Ieda Vasconcelos, economista-chefe da CBIC.

As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.

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